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quinta-feira

Crianças com 5 anos no ensino fundamental

Para conseguir matricular os filhos no primeiro ano com essa idade, os pais estão entrando na justiça. Para eles, a legislação que restringe a idade de ingresso a 6 anos ignora a capacidade das crianças


Helena Dias



Em 2012 termina o período de transição para a implantação completa do ensino fundamental de nove anos. O novo modelo educacional foi criado em 2007 e previa quatro anos para que as escolas se adaptassem a ele. Com o fim do período de transição, elas não mais poderiam aceitar crianças com menos de 6 anos no primeiro ano do ensino fundamental, concessão que havia sido feita até então.

No entanto, uma liminar da Justiça Federal de Pernambuco derrubou a norma do Conselho Nacional de Educação que restringe o ingresso no primeiro ano do ensino fundamental a crianças que completem 6 anos até 31 de março. Válida para todos os estados que acataram a decisão do CNE, a liminar deixa para a escola a decisão de aceitar ou não a matrícula das crianças mais novas. Mas no estado de São Paulo, como o Conselho Estadual de Educação criou uma deliberação própria que institui 30 de junho como data limite, a liminar não tem validade. Os pais que quiserem matricular os filhos que completam 6 anos depois dessa data devem entrar na justiça, como já vinham fazendo.

O assunto gera polêmica desde que a norma do CNE saiu, em 2010. Pais e escolas argumentam que a alteração na data limite e o tempo da transição no sistema educacional não levaram em consideração que muitas crianças entram na escola antes dos 2 anos, principalmente nas escolas particulares. E que essa decisão baseia-se apenas na idade, sem levar em consideração a capacidade e o desenvolvimento pedagógico delas.

Antes mesmo de a norma ser derrubada, muitos pais, cujos filhos já estavam na escola antes da mudança, não aceitaram que as crianças tivessem de refazer a última série do ensino infantil e entraram com ação na justiça para conseguir autorização de matrícula no fundamental. A administradora Luiza C. conseguiu na justiça autorização para matricular sua filha, que faz 6 anos apenas em agosto de 2012, no primeiro ano. “Ela estuda desde os 10 meses e a avaliação dos professores mostra que tem total capacidade de acompanhar a primeira série. Ela já está pré-alfabetizada. Seria um absurdo atrasar um ano só por causa da idade, sem motivos pedagógicos.”, diz a mãe. Por isso procurou um advogado e entrou com a ação judicial no início do segundo semestre. Em dois meses já tinha a sentença com a autorização da matrícula.

A falta de fiscalização para que nos últimos anos o ingresso na escola seguisse as novas regras é também um dos pontos mostrados pelo advogado Carlos Alberto Pinto de Carvalho. Ele acredita que a regra “nivela por baixo o acesso a ensino e restringe a inteligência daqueles que estão aptos, contrariando os artigos 205 e 208 da Constituição Federal que preveem o pleno desenvolvimento da pessoa humana por meio da educação e o acesso aos níveis superiores de ensino pela capacidade e não pela idade”.

Os dois lados dessa história

No entanto, de acordo com Arthur Fonseca Filho, membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, no Brasil o sistema de ensino sempre se baseou em idades mínimas para cada série e sempre houve uma data de corte para o ingresso no ensino, que antes era de 31 de dezembro. A diminuição dessa data tem relação com o amadurecimento das crianças, que, aos 5 anos, não estariam preparadas para a alfabetização, por exemplo.

A pedagoga Sônia de Andrade, do Centro Prospectivo de Educação e Cultura de Campinas, acredita que a medida é positiva no sentindo de estimular uma permanência mínima no ensino infantil. “É uma etapa privilegiada da educação por seu caráter lúdico, que desencadeia a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo. Infelizmente as situações de brincadeira, cuja característica é a não-literalidade, a flexibilidade, o prazer, são abandonadas já nos primeiros anos do ensino fundamental.”, explica. Mas ela também defende que as escolas tenham a liberdade de fazer a matrícula de crianças mais novas no ensino fundamental diante de um laudo que apresente o desenvolvimento cognitivo e emocional e habilidades que tornam a criança apta a cursar o primeiro ano.

Por outro lado, diz a especialista, alguns pais de crianças nessa idade são muito ansiosos e acreditam que seus filhos apresentam uma capacidade avançada que nem sempre corresponde à realidade. Esse foi o caso da paisagista Fernanda T. que, em 2010, tentou matricular o filho de 5 anos no ensino fundamental e não conseguiu. Ela optou por mudar para outro colégio, que autorizou a matrícula. “Mas, quando fui matriculá-lo no segundo ano, em 2011, percebi que ele não estava maduro o suficiente e optamos por deixá-lo um ano a mais na primeira série. Teria sido melhor fazer um ano a mais do infantil”, diz a mãe.

Para os pais que não aceitam a retenção dos filhos, a psicopedagoga Neusa Gomes sugere procurar a avaliação de um especialista – psicopedagogo ou psicólogo – isento sobre a maturidade da criança, antes de entrar com ação na justiça. E reforça: “Um ano a mais no ensino infantil não faz mal nenhum à criança”, diz. Vale reforçar que, seja qual for o caso do seu filho, não o inclua nessa discussão. Isso pode deixá-lo ansioso e até prejudicar o comportamento no dia a dia da escola com os outros colegas. Como em tudo, o bom senso é fundamental!



Fonte: Revista Crescer

quarta-feira

Crianças com 5 anos no ensino fundamental

Para conseguir matricular os filhos no primeiro ano com essa idade, os pais estão entrando na justiça. Para eles, a legislação que restringe a idade de ingresso a 6 anos ignora a capacidade das crianças


Helena Dias




Em 2012 termina o período de transição para a implantação completa do ensino fundamental de nove anos. O novo modelo educacional foi criado em 2007 e previa quatro anos para que as escolas se adaptassem a ele. Com o fim do período de transição, elas não mais poderiam aceitar crianças com menos de 6 anos no primeiro ano do ensino fundamental, concessão que havia sido feita até então. 


No entanto, uma liminar da Justiça Federal de Pernambuco derrubou a norma do Conselho Nacional de Educação que restringe o ingresso no primeiro ano do ensino fundamental a crianças que completem 6 anos até 31 de março. Válida para todos os estados que acataram a decisão do CNE, a liminar deixa para a escola a decisão de aceitar ou não a matrícula das crianças mais novas. Mas no estado de São Paulo, como o Conselho Estadual de Educação criou uma deliberação própria que institui 30 de junho como data limite, a liminar não tem validade. Os pais que quiserem matricular os filhos que completam 6 anos depois dessa data devem entrar na justiça, como já vinham fazendo. 


O assunto gera polêmica desde que a norma do CNE saiu, em 2010. Pais e escolas argumentam que a alteração na data limite e o tempo da transição no sistema educacional não levaram em consideração que muitas crianças entram na escola antes dos 2 anos, principalmente nas escolas particulares. E que essa decisão baseia-se apenas na idade, sem levar em consideração a capacidade e o desenvolvimento pedagógico delas.


Antes mesmo de a norma ser derrubada, muitos pais, cujos filhos já estavam na escola antes da mudança, não aceitaram que as crianças tivessem de refazer a última série do ensino infantil e entraram com ação na justiça para conseguir autorização de matrícula no fundamental. A administradora Luiza C. conseguiu na justiça autorização para matricular sua filha, que faz 6 anos apenas em agosto de 2012, no primeiro ano. “Ela estuda desde os 10 meses e a avaliação dos professores mostra que tem total capacidade de acompanhar a primeira série. Ela já está pré-alfabetizada. Seria um absurdo atrasar um ano só por causa da idade, sem motivos pedagógicos.”, diz a mãe. Por isso procurou um advogado e entrou com a ação judicial no início do segundo semestre. Em dois meses já tinha a sentença com a autorização da matrícula. 


A falta de fiscalização para que nos últimos anos o ingresso na escola seguisse as novas regras é também um dos pontos mostrados pelo advogado Carlos Alberto Pinto de Carvalho. Ele acredita que a regra “nivela por baixo o acesso a ensino e restringe a inteligência daqueles que estão aptos, contrariando os artigos 205 e 208 da Constituição Federal que preveem o pleno desenvolvimento da pessoa humana por meio da educação e o acesso aos níveis superiores de ensino pela capacidade e não pela idade”. 






Os dois lados dessa história
No entanto, de acordo com Arthur Fonseca Filho, membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, no Brasil o sistema de ensino sempre se baseou em idades mínimas para cada série e sempre houve uma data de corte para o ingresso no ensino, que antes era de 31 de dezembro. A diminuição dessa data tem relação com o amadurecimento das crianças, que, aos 5 anos, não estariam preparadas para a alfabetização, por exemplo. 


A pedagoga Sônia de Andrade, do Centro Prospectivo de Educação e Cultura de Campinas, acredita que a medida é positiva no sentindo de estimular uma permanência mínima no ensino infantil. “É uma etapa privilegiada da educação por seu caráter lúdico, que desencadeia a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo. Infelizmente as situações de brincadeira, cuja característica é a não-literalidade, a flexibilidade, o prazer, são abandonadas já nos primeiros anos do ensino fundamental.”, explica. Mas ela também defende que as escolas tenham a liberdade de fazer a matrícula de crianças mais novas no ensino fundamental diante de um laudo que apresente o desenvolvimento cognitivo e emocional e habilidades que tornam a criança apta a cursar o primeiro ano. 


Por outro lado, diz a especialista, alguns pais de crianças nessa idade são muito ansiosos e acreditam que seus filhos apresentam uma capacidade avançada que nem sempre corresponde à realidade. Esse foi o caso da paisagista Fernanda T. que, em 2010, tentou matricular o filho de 5 anos no ensino fundamental e não conseguiu. Ela optou por mudar para outro colégio, que autorizou a matrícula. “Mas, quando fui matriculá-lo no segundo ano, em 2011, percebi que ele não estava maduro o suficiente e optamos por deixá-lo um ano a mais na primeira série. Teria sido melhor fazer um ano a mais do infantil”, diz a mãe. 


Para os pais que não aceitam a retenção dos filhos, a psicopedagoga Neusa Gomes sugere procurar a avaliação de um especialista – psicopedagogo ou psicólogo – isento sobre a maturidade da criança, antes de entrar com ação na justiça. E reforça: “Um ano a mais no ensino infantil não faz mal nenhum à criança”, diz. Vale reforçar que, seja qual for o caso do seu filho, não o inclua nessa discussão. Isso pode deixá-lo ansioso e até prejudicar o comportamento no dia a dia da escola com os outros colegas. Como em tudo, o bom senso é fundamental! 


Fonte: Revista Crescer

segunda-feira

Dislexia: saiba mais sobre o distúrbio

Em entrevista exclusiva à CRESCER, Hélio Magri Filho, autor do livro Sou Disléxico e Daí? (Ed. M. Books, R$ 29) e membro da Associação Brasileira de Dislexia, conta as dificuldades que enfrentou durante a infância antes de descobrir que era disléxico. Ele alerta os pais sobre os primeiros sinais que a criança demonstra e a melhor forma de lidar e tratar o distúrbio


Bruna Menegueço








CRESCER: Quais foram as principais dificuldades que você enfrentou quando era criança?
Hélio Magri Filho: Tive muita dificuldade para aprender e me comportar. Na escola, a leitura era um enorme problema. Não conseguia decodificar símbolos e sons nem coordenar o esforço necessário para desenhar as letras. Os números também representavam um amontoado de incógnitas sem significado. Isso afetou as minhas relações de amizade e com a minha família. Com tanta discriminação, perdi a confiança em mim e minha autoestima foi parar lá embaixo. Talvez, esse seja o maior problema que uma criança disléxica vai enfrentar durante a vida. Se não entendemos quem somos, como poderemos entender a vida como ela é? Como tudo na vida parece ter sempre um jeito, eu criava estratégias para lidar com números, evitava leituras em voz alta, alegava sempre algum mal estar súbito e outras tantas desculpas.


C: Quando você descobriu que tinha dislexia?
H.M.F.: Nos anos da ditadura saí do Brasil e fui morar no exterior. Em alguns países, os recursos são mais disponíveis, mas só aos 40 anos consegui dar nome à minha dificuldade existencial – fui diagnosticado como portador de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperartividade), do tipo desatento, discalculia e dislexia.


C. Qual foi a atitude de seus pais?
H.M.F.: Meus pais, e acho que seja o caso da maioria deles, não entendiam e não aceitavam que isso pudesse ser alguma coisa além de preguiça. Por isso, o sofrimento – e a frustração - deles foi grande.


C: A partir de que idade uma criança começa a apresentar os primeiros sinais de dislexia? Quais são eles?
H.M.F.: A dislexia pode ser identificada nos primeiros anos escolares, após a criança ser alfabetizada. É importante que o diagnóstico seja feito o quanto antes para aumentar as chances de superar ou conviver melhor com os sintomas. Os principais sinais são dificuldade em fazer cálculos mentais, em organizar tarefas, lidar com noções de tempo e espaço. O aprendizado de ler e escrever é inconstante, assim como a dificuldade com os sons das palavras e soletração. Na hora de escrever, é comum haver trocas, omissões, junções e aglutinações de fonemas; além de fácil dispersão.


C: O que os pais devem observar no comportamento das crianças quando começam a desconfiar que ela pode ter dislexia?
H.M.F.: Na maioria dos casos de dislexia confirmados no mundo, as famílias apresentam histórico de problemas. Podem ser os pais, mães, avôs, avós, tios e até mesmo primos. O cérebro dos disléxicos é normal, mas processa informações em área diferentes daquelas usadas pelo cérebro de um não-disléxico. Portanto, de modo geral, se seu filho demonstra dificuldades em aprender alguma coisa, se você acha que ele está demorando muito a aprender a pronunciar palavras, ou que o desempenho dele deixa muito a desejar, não só o escolar, mas nas atividades em geral, observe-o com mais atenção.


C: Como é o tratamento da dislexia?
H.M.F.: Existem basicamente dois métodos de tratamento: o multissensorial e o fônico. Enquanto o método multissensorial é mais indicado para crianças mais velhas, que já possuem histórico de fracasso escolar, o método fônico deve começar logo no início da alfabetização. O mais importante é procurar ajuda especializada, como um psicólogo infantil, assim que perceber os primeiros sintomas.

5 erros que os pais cometem na hora de educar

Pode ser que você não perceba, mas, de vez em quando, repete os mesmos erros. Aprenda a identificá-los e corrigi-los

Bruna Menegueço
Depois de muito conversar, você dá o ultimato ao seu filho: “vista-se ou nós vamos ficar em casa”. Ele sequer olha para você e não levanta do sofá. “Ok, nós vamos ficar em casa”. Não é verdade, mas você não sabe mais o que fazer para que seu filho coloque a roupa.

Calma! Educar é muito difícil, cansativo e todos sabem dos seus esforços para fazer o melhor. Entre uma conversa e outra, porém, pode escapar uma mentira antes de perder a paciência, sem que você m perceba. CRESCER conversou com especialistas para mostrar os erros mais comuns que os pais cometem durante a educação. Ah, e como corrigi-los, claro. Confira.

ERRO 1: Mentir
“Esse carro só liga quando todos os passageiros estiverem com o cinto. Só falta você colocar o seu”. Quantas vezes, você já se pegou mentindo para o seu filho para conseguir que ele faça algo que você deseja? Pode ser mentira ou chantagem, não importa. A relação entre filhos e pais deve ser o mais clara possível. Como ele vai confiar se você mente? “E não importa o quanto essa mentira seja insignificante, toda vez que você mente, você perde a chance de conversar abertamente”, diz a psicoterapeuta Teresa Bonumá, de São Paulo.

COMO CORRIGIR: Troque a mentira pela conversa. Seja objetivo e explique a situação em detalhes para a criança entender. Em vez de dizer que o carro só liga se o seu filho colocar o cinto, peça para ele colocar o cinto, porque só assim, vocês podem transitar com segurança.


ERRO 2: Ameaçar e não cumprir
Quem escolhe esse caminho, já sabe: da próxima vez que usar a mesma tática, seu filho não vai ouvi-la. Os exemplos são muitos: “se você não parar de jogar areia, vou tirar os seus brinquedos” ou “se você não me obedecer, vai ficar sem televisão”. Quando ele perceber que mesmo sem parar de jogar areia, os brinquedos continuam ali, não vai nem ligar quando você fizer o mesmo em uma próxima situação.

COMO CORRIGIR: Em vez de ameaçar, avise o seu filho. Se ele persistir, tome alguma atitude imediatamente. Da próxima vez que isso acontecer, apenas o lembre do que aconteceu: “lembra que você ficou sem os brinquedos da última vez que jogou areia? Espero que isso não se repita, combinado?”

ERRO 3: Desautorizar o pai (ou a mãe) na frente das crianças
Após aquela arte que seu filho aprontou, seu marido decide colocá-lo de castigo. Durante a conversa entre eles, você se intromete, dizendo que basta uma conversa. O mesmo pode acontecer na hora de decidir o valor da mesada, o horário de buscá-lo na festa e assim por diante. Ao questionar a decisão do seu companheiro, você diminui a autoridade dele perante as crianças.

COMO CORRIGIR: O melhor é sempre conversar antes de tomar a decisão. Se não for possível, não discuta na frente do seu filho. Espere para falar com o pai depois.

ERRO 4: Comentar os defeitos do parceiro com seu filho
“Seu pai é tão pão duro. Ele nunca vai comprar esse brinquedo para você”, “Nossa, sua mãe é muito atrapalhada, não consegue organizar as coisas”. Conversar sobre as falhas do seu parceiro com seu filho é tentador porque é ele que está no dia a dia ao seu lado, vivendo as mesmas situações. Mas não é um bom exemplo a ser dado. Em primeiro lugar, a atitude mostra desconsideração pelo pai (ou mãe) da criança. E, pior ainda, ela pode entender que pode fazer isso com qualquer pessoa também.

COMO CORRIGIR: O comentário pode ser feito, mas na frente da pessoa para que ela possa se defender e assimilar a dica. Ah, e isso até pode virar uma brincadeira.

ERRO 5: Quebrar as regras
Seu filho já sabe que não pode comer assistindo TV. Mas, um belo dia, você está almoçando às pressas e liga a televisão. Rapidamente, seu filho chama a sua atenção. Para tentar escapar, você inventa uma desculpa e diz que você pode fazer isso, mas ele não.

COMO CORRIGIR: Não tem jeito! O seu exemplo é a melhor solução. É ele que vai inspirar o seu filho a ser uma pessoa melhor.

Fonte: Ego.com

sexta-feira

Música na sala de aula




A partir de agosto, o ensino de música torna-se obrigatório em todas as escolas de ensino fundamental e médio


Crescer
Escola também é lugar de cantar, tocar instrumentos e conhecer partituras. E isso agora virou lei! A partir deste mês, o ensino de música volta a ser obrigatório em todas as escolas de ensino fundamental e médio, de acordo com a lei nº 11.769, sancionada em 2008. Não são poucos os estudos que relacionam a música ao melhor desenvolvimento cognitivo das crianças. Uma pesquisa feita recentemente pelo historiador Milton Joeri Fernades e defendida como tese de doutorado na USP mostra que ela facilita, por exemplo, o ensino de história. Como? Criando empatia entre aluno e professor. Além disso, as melodias auxiliariam as crianças a ligarem o conteúdo da disciplina à música, o que facilita a memorização e a aprendizagem.


Para nos aprofundarmos mais no assunto, conversamos com André Hosoi, um dos fundadores do grupo de percussão corporal Barbatuques, que é professor de música. Hosoi, que é pai de Liz, de 2 anos, só vê vantagens nessa nova lei e ainda dá dicas para você estimular a musicalização em casa também.


CRESCER: Como a música pode contribuir para a formação das crianças? 
André Hosoi: A música é fundamental nesse sentido porque trabalha, além de muitas outras coisas, a percepção, a lógica, a coordenação motora, a comunicação e algo muito importante, que é aprender a ouvir. A criança precisa saber escutar criticamente, entender se gosta de uma música ou não e explicar o porquê. 


CRESCER: Como isso pode ser aplicado? 
A.H.: Por meio de jogos e com coisas do cotidiano, levando em conta o repertório infantil. Às vezes, os professores querem impor um repertório que pouco tem a ver com o dia a dia dos alunos. É legal mostrar um coro de Bach, mas ligar ao que a criança vive e conhece. E atividades simples, como brincar de estátua, bater palma com a música, achar o pulso da música, perceber os graves e os agudos. 


CRESCER.: E qual é o papel dos pais? 
A.H.: Principalmente nos primeiros anos de vida, as crianças precisam de referência. Os pais podem ouvir música com elas, cantar junto não só as infantis, mas mostrar outros estilos. Não dá para delegar toda a vivência musical para aulas semanais de 30 minutos. 


Fonte: Revista Crescer

quarta-feira

Livro questiona a palmada como forma de educação




CRESCER entrevistou a psicóloga Luciana Maria Caetano, autora do recém-lançado É possível educar sem palmadas?, que traz bons argumentos contra a violência dentro de casa


Heloiza Camargo


e você apanhou dos seus pais e, hoje, se considera uma pessoa educada, provavelmente deve achar que isso contribuiu para o seu sucesso, correto? Esse é apenas uma das questões levantadas em É possível educar sem palmadas? (editora Paulinas, R$ 24,70), da doutora em psicologia Luciana Maria Caetano. Mais do que dizer que ela não funciona, a especialista mostra quais caminhos os pais podem seguir para que consigam impor limites sem agressividade. O livro não traz fórmulas prontas, por isso, não pense que somente ele vai resolver os problemas de educação na sua casa. Deixe os seus pré-conceitos de lado e entre nessa reflexão com a gente. 


CRESCER: Por que dar palmada não funciona? 
Luciana Maria Caetano: Porque ela é falível. Nada garante que uma criança que apanha vai deixar de ter um comportamento inadequado. Pior: algumas crianças se acostumam com a palmada e não ligam mais quando os pais a ameaçam – o que significa que eles perderam a autoridade. Além, claro, do fato de que agressividade não faz bem. Vejo adultos que se indignam quando sabem de casos de violência, então por que alguns ainda acham normal bater numa criança? Não tenho dúvidas de que quando um pai bate numa criança ele mostra para ela que a violência é o meio de resolver os problemas, de que os mais fortes têm direito a bater nos mais fracos. 


CRESCER: Quais as conseqüências da palmada para as crianças? 
LMC: Primeiro, um argumento que ouço muito, é de pais que são a favor da palmada, de tapas, mas dizem que são contra a pancada. Mas como mensurar isso? Porque quando se está com raiva, é difícil medir a força. E a criança é frágil também. Além disso, a palmada gera na criança um sentimento de crédito: “fiz uma arte e, apanhando, paguei por ela. Agora estou livre para cometer novas”. É assim que os pequenos pensam. A palmada não é acompanhada de reflexão, do entendimento de que se faz a coisa errado. Por sua vez, os pais acabam distanciando-se dos filhos quando batem neles. 


CRESCER: Se um adulto recebeu esse tipo de castigo dos pais e acha que isso foi responsável pela sua boa educação, como convencê-lo do contrário? 
LMC: Essa é uma das perguntas mais difíceis de ser respondida. Hoje em dia vemos que, por conta do autoritarismo do passado, muitos pais foram para o caminho inverso, de não dar limite nenhum ao filho. E isso também é errado. Acho que os pais que creditam à palmada o fato de serem pessoas de bem na verdade o são por causa das regras claras que os seus pais impunham. Não encontrei nenhum adulto que tenha dito “ah, aquele dia foi muito especial para mim porque apanhei”. O que faz uma pessoa ser correta é a noção de certo ou errado que ela tem. Os pais do passado usavam a palmada para passar princípios, mas hoje sabemos que existem outras formas para isso. 


CRESCER: E como os pais podem impor regras e limites sem usar a palmada? 
LMC: Os pais precisam ser exemplo de justiça, respeito, dignidade, que são princípios universais. Não adianta falar para o seu filho não mentir se você próprio mente. Ou dizer para ele não ser agressivo se você explode em brigas no trânsito. Tem que explicar: "você escova os dentes porque isso é bom para a sua saúde". Frases como “se você não escovar eu vou te bater” ou “se você não escovar vou ficar triste” não são indicadas. Além disso, é essencial ser paciente. Educar uma criança exige paciência. Muitos pais usam a palmada porque esse é o caminho mais fácil. 


CRESCER: O castigo, sem palmada, é válido? 
LMC: Sim. Mas o castigo tem que estar diretamente relacionado com a “arte”. Sujou? Tem que limpar. Quebrou? No próximo final de semana não haverá passeio, pois o dinheiro será usado pra consertar. Nesse sentido, não dá para negociar com a criança e, quanto mais nova ela for, mais regras inegociáveis. Isso muda, claro, na adolescência. Os pais precisam voltar a ter firmeza. A historia do cantinho para pensar, para mim, não funciona. Especialmente para as crianças pequenas, até 6 anos. Elas ainda não têm raciocínio formal completamente desenvolvido e podem associar a ideia de que pensar é algo ruim. Alguns pais acham que a palmada é um jeito de castigar que vai resolver para sempre os problemas, mas não é bem isso, pois é a repetição que faz com que uma regra seja interiorizada e se torne um hábito. 


CRESCER: O que significa, para a sociedade, ainda ter uma geração inteira de crianças que apanham dos pais? 
LMC: Felizmente, eu não acredito em determinismo. As pesquisas são muito claras em mostrar que crianças que foram vítimas de agressão também se tornam mais agressivas, têm tendência a se tornar depressivas ou a se envolver com drogas. Mas é preciso lembrar que somos sujeitos ativos. Se mesmo com um ambiente familiar desestruturado a criança tiver oportunidade de conviver com modelos adultos de afetividade, na escola, por exemplo, acredito que ela terá chances de se tornar um adulto equilibrado e feliz. 

Fonte: Revista Crescer

domingo

A terrível crise dos 2 anos

O seu bebê era um verdadeiro anjinho, mas está chegando perto dos 2 anos e parece estar encapetado? Acredite: você não é a única que passa por isso. O fenômeno é comum e tem até nome: adolescência do bebê. É quando a criança se dá conta de que é um indivíduo e luta para conquistar o seu espaço – gritando, batendo nos outros ou se jogando no chão. Cabe aos pais ter muita calma, paciência e ensinar que esse comportamento não leva a nada. Em outras palavras, estabelecer limites. Para ajudá-la a lidar com essa situação tão complicada, conversamos com a psicopedagoga Larissa Fonseca, de São Paulo.
Por Manuela Macagnan


1. O que é a chamada “adolescência do bebê”?
Larissa Fonseca: A adolescência do bebê, primeira adolescência ou os “terrible twos” – terríveis dois anos, em inglês –, como citado na literatura, é a fase em que a criança passa a se comportar de modo opositivo às solicitações dos pais. De repente, a criança que outrora era tida como obediente e tranquila passa a berrar e espernear diante de qualquer contrariedade. Bate, debate-se, atira o que estiver à mão e choraminga cada vez que solicita algo. Diz não para tudo, resiste em seguir qualquer orientação, a aceitar com tranquilidade as decisões dos pais, para trocar uma roupa, sair de um local ou guardar um brinquedo. Para completar, não atende aos pedidos e parece ser sempre do contra.
2. Esse comportamento é comum em qual idade?
Larissa Fonseca: Normalmente, acontece a partir de 1 ano e meio até os 3 anos de idade.

3. Existe alguma causa?
Larissa Fonseca: A causa para esse período é simplesmente o próprio desenvolvimento natural da criança. A fase dos 2 anos de idade é um período de grandes mudanças para ela. Até então, o pequeno seguia os modelos e as decisões dos pais. Gradualmente, ele passa a se perceber como indivíduo, com desejos e opiniões próprias, e isso gera uma enorme necessidade de tomar decisões e fazer escolhas por si. Sem dúvida, isso acaba gerando uma grande resistência em seguir os pedidos dos pais. Não é exatamente uma ação consciente da criança, mas uma tentativa de atender a esse desejo interior, a essa descoberta de si como um ser independente dos pais. No entanto, ao mesmo tempo em que ela quer tomar suas decisões, ainda tem muitas dificuldades para fazê-lo, dado que ainda não tem maturidade suficiente. Ela discorda até dela mesma! Se você pergunta o que ela quer comer, naturalmente ela responderá: “Macarrão”. Mas, quando você chega com o prato de comida, ela diz: “Eu não quero isso!” Suponha que você está com pressa para ir a algum lugar. Seu filho está de ótimo humor até você dizer: “Preciso que você entre no carro agora”. Ele fará tudo, menos atender à sua solicitação. É uma fase difícil para os pais e também para as crianças. É uma experiência intensa emocionalmente e repleta de conflitos, pois, ao mesmo tempo em que a criança busca essa identidade, ela não quer desagradar seus pais – por mais que isso não pareça possível.

4. Existe alguma maneira de evitar que o bebê passe por isso?
Larissa Fonseca: Não há a necessidade de tentar evitar esse período e nem há como fazê-lo. O importante é conhecer e lidar de modo construtivo com essa fase dos pequenos.

5. Todas as crianças passam por isso?
Larissa Fonseca: Não é uma regra. Algumas crianças demonstram essas características mais intensamente do que outras.

6. Como agir quando a criança se joga no chão e grita em um lugar público, como o supermercado e o shopping?
Larissa Fonseca: Primeiramente, descarte palmadas, tapas, puxões de orelha ou qualquer outro comportamento agressivo para tentar conter uma birra. Antes de sair, converse com o seu filho e o contextualize sobre o passeio. Se for supermercado, por exemplo, diga como espera que ele aja, o que ele poderá pegar para si etc. Se forem a um restaurante, faça o mesmo, explique aonde vão, como espera que a criança se comporte e as consequências para o seu mau comportamento. Jamais ceda às manipulações, como choros, pedidos de ajuda e reclamação de possíveis desconfortos. Avise-o de que só vai conversar depois que ele se acalmar. Opte por disciplinar a criança após a birra, que é o momento em que ela está colocando para fora sua frustração e seu descontentamento. Após ela parar de fazer a birra, você se abaixa para conversar. É sempre muito importante que a criança compreenda o que fez e o porquê de sua ação. Evite dar broncas e repreender seu filho na frente de outras pessoas para que ele não se sinta constrangido e você também. Uma dica bacana para mudar o foco da birra é chamar a atenção da criança para outra situação. Mostre um objeto ou comece a falar de outro assunto. Ignorar a birra costuma dar ótimos resultados. Em lugares públicos, se a birra persistir e você estiver se sentindo constrangida, tire o seu filho do ambiente sem demonstrar irritação e sem conversar. Sua atitude mostrará desaprovação.

7. O que fazer quando o pequeno bate nas pessoas quando é contrariado?
Larissa Fonseca: Esse “bater” normalmente é a expressão do seu descontentamento, o que, no caso, não é aceitável. É importante ressaltar que as crianças, assim como nós, adultos, também ficam bravas, tristes, frustradas e chateadas – isso é natural do ser humano. Ao longo da vida, ela vai se deparar com diversas situações que despertarão esses sentimentos nelas e a infância é a melhor fase para aprender a lidar com esses sentimentos inevitáveis. Assim, se quiserem contribuir de modo positivo com o desenvolvimento emocional e psicológico dos pequenos, os pais devem parar de tentar poupá-los de situações frustrantes e passar a explicar esses sentimentos, apontando caminhos para que consigam lidar com eles. A criança não nasce sabendo a lidar com seus sentimentos, ela testa suas ações e vai construindo seus modos de agir.
Quando ela bate em alguém, imediatamente deve ser contida e, em seguida, os pais devem abaixar-se na altura da criança, olhar fixo em seus olhos e com voz firme conversar que entendem que o pequeno esteja bravo, mas que sua atitude é inaceitável. Explique que, se aquilo voltar a acontecer, haverá consequências negativas para ela, citando quais serão. Lembre-se de que essas consequências deverão ser algo possível de ser feito porque, se a criança repetir o comportamento desaprovado, você deverá cumprir o que falou.

8. E quando a criança bate com a cabeça na parede ou faz coisas para se machucar porque ouviu um “não”?
Larissa Fonseca: Em geral, as crianças recorrem a esse tipo de autoagressão como mais uma tentativa de conseguir a atenção dos adultos e, quase sempre, conseguem porque descobrem que esse comportamento provoca comoção nos pais. Por mais que possa preocupar, os pais devem manter a ideia de que “sem plateia não há show”. O ideal é conter a ação da criança sem dar atenção ou demonstrar comoção pela atitude. Você pode, por exemplo, colocar um travesseiro ou uma almofada embaixo da cabeça dele e sair de perto, ou tire o pequeno do local onde está sem conversar e coloque-o em um ambiente mais seguro. Sem conseguir chamar sua atenção com a autoagressão, a criança vai buscar outras possibilidades, como apagar e acender a luz, ligar e desligar equipamentos eletrônicos etc. Só fique atenta para a possibilidade de esse comportamento estar refletindo algum problema emocional, que, aí sim, merece a atenção dos pais.
Se a criança começar a apresentar comportamentos autodestrutivos, como se arranhar, bater em sua cabeça e puxar os cabelos, frequentemente em situações cotidianas, vale a pena consultar um especialista porque isso pode indicar uma tentativa da criança de evitar o contato com algo que esteja lhe causando angústia.

Fonte: Revista Crescer

Livro ilustrado para que mesmo?

Não só de beleza vive um livro infantil com ilustrações. Ali tem história contada, arte representada e referência estética sendo construída


Um dos grandes fenômenos que acontece aqui literalmente no meu cantinho na CRESCER é o aumento da quantidade de livros infantis divulgados. Vocês nem imaginam como sou cercada de exemplares para todos os lados, o que me dá vantagens como mais armários, mais caixas, etc. Mas o melhor disso tudo é que nos últimos meses eu lutei para escolher os livros que saem na edição de CRESCER impressa. Vida dura esta minha...

E o mais impressionante é como a ilustração vem garantindo seu lugar. As referências hoje estão por toda a parte. Ah, não venha me dizer que não sabe o que é um bom livro. Porque vivemos – ainda bem – uma fase que vai além do “livro mais bonito” ou do “livro melhor produzido”. Hoje as belezas estão nas propostas, na criatividade da ilustração e, claro, no projeto gráfico.

E por que temos de celebrar essa atenção merecidamente dada ao pincel (lápis, carvão, o que seja) do ilustrador? Porque é uma maneira de todos nós termos melhores encontros com a arte. O que temos à disposição não é pouco. De traduções a premiados brasileiros – como Roger Mello, Eva Furnari, Fernando Vilela, Graça Lima - estamos diante de um leque que nos oferece muito mais do que opções: nos dão poesia, aguçam a imaginação e ampliam nossa referência estética, ou seja, as possibilidades que as artes plásticas nos provocam.

Passear por isso é tão importante quanto ler histórias com as quais a criança se identifique, se emocione, se divirta, se entenda. Os livros infantis hoje compensam nossa falta de contato com essas artes de um modo geral e precisamos deixar claro às crianças.

Se ainda é surpresa o que eu estou falando, dê um pulo em uma livraria mais próxima. Pegue um livro que chame a atenção. Acaricie a capa. Observe se é capa dura ou não, como é apresentado o título, o nome do escritor e do ilustrador, se a ilustração de dentro está na capa, se é repetição ou se é pensada para a capa. Folheie. Veja se as ilustrações também contam a história se o texto não existisse. Ou vejam como elas contam a história em parceria. Leiam o livro pelo olhar da ilustração.

Agora conto a vocês um fenômeno vivido em Massachusetts, Estados Unidos, na cidade de Brookline, que li no New York Times. Em uma determinada livraria de lá, os livros fartamente ilustrados estão “sobrando” na vitrine. A ponto de serem devolvidos às editoras. Segundo a reportagem, livros com “ilustrações chamativas, cores alegres, letras de tamanho grande e capa atraente vem perdendo espaço”. E, por isso, as editoras estariam reduzindo o número de lançamentos.

Isso não é tudo. Pior é o motivo: apesar da crise econômica ter sido um fator importante, diz o jornal que os pais começaram a pressionar os filhos em idade pré-escolar e primeira série para abrir mão dos ilustrados em favor de livros com mais textos. Estão de olho na escola, com avaliações cada vez mais rigososas. Ou seja, a pressão seria dos dois lados.

A quem as crianças podem recorrer? E quem disse que menos texto é mais “fácil” de ser lido? E ler os livros com mais texto, mais cedo, é uma espécie de competição? E para chegar onde? Afinal, o que pretendemos realmente ao dar um livro para uma criança ler? Que ela leia o mais cedo possível o máximo de palavras? Ou que ela se apaixone e descubra o prazer de ler?

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros

Fonte: revista Crescer

sábado

Jogos de tabuleiro são um convite à imaginação das crianças (e dos pais!)


Em versões mais modernas, os jogos são garantia de diversão em família

Do jogo de adivinhação ao de estratégica, os clássicos do tabuleiro ganharam versões modernas que prometem agradar tanto os pais quanto os filhos. Preparamos uma lista com os 10 jogos mais bacanas que você não pode deixar de ter em casa.
Os clássicos...

Lince (a partir de 6 anos)
Como está a sua visão? Você vai precisar dela para encontrar nas várias figuras dispostas em um tabuleiro às três imagens sorteadas. Nesse quesito, as crianças são mais rápidas e quase sempre ganham dos pais. O vencedor é aquele que encontrar todas as suas figuras primeiro. E, além da vitória, será o dono dos olhos de Lince...

Jogo da Vida (a partir de 8 anos)
A cada jogada do dado, uma nova etapa da vida. Neste clássico, os participantes movimentam-se com um carrinho colorido que, ao longo da disputa, ganha outros bonequinhos. Os pais podem ensinar aos filhos os desafios no trabalho, na compra de uma casa e no casamento de forma lúdica, com direito a premiações na loteria.

Banco Imobiliário (a partir de 8 anos)
Criado em 1934, o Banco Imobiliário ganhou várias versões durante os anos, entre elas, o sustentável e o júnior, dedicado para os pequenos. Os empreendedores mirins vão caminhar por um tabuleiro cheio de obstáculos e contornar várias dificuldades para conseguir o tão sonhado sucesso financeiro.

Os mais novos...
Perfil Júnior (a partir de 7 anos)
Você sabe quem é o presidente dos Estados Unidos? E o nome de um personagem animado que é feito de esponja? Se não conhece, essa é uma ótima oportunidade de colocar em prática os conhecimentos gerais dos pequenos. Por meio das 20 dicas o jogador tem que identificar a personalidade ou o local descrito. E, com certeza, você nunca vai ficar entediado tentando descobrir os 390 perfis contidos no jogo.

Imagem e Ação (partir de 10 anos)
É hora de exercitar a sua imaginação! O jogo começa quando um dos jogadores sorteia uma carta, definindo a palavra a ser adivinhada. Por meio de desenho ou mímica, nas versões mais modernas, ele dá dicas ao seu time e também ao adversário. Vence quem adivinhar primeiro antes de esgotar o tempo da ampulheta.

Picolé (a partir de 7 anos)
O jogo é baseado em cruzadinhas e ajuda a criança na aprendizagem de novas palavras. Cada vez que joga o dado, o competidor deve responder uma pergunta referente à casa que sorteou. Se ele acertar, ganha pontos. No final, o vencedor é aquele que acumular mais acertos.

Disney Scene It! (a partir de 6 anos)
À primeira vista, Scene It parece ser um típico jogo de tabuleiro. Mas, de comum ele não tem nada. A brincadeira vem junto com um DVD, nesta versão, com os filmes da Disney. Ele serve para auxiliar a criançada em alguns desafios, entre eles, lembrar cenas e personagens dos filmes.

Floresta Encantada (a partir de 6 anos)
O jogo traz um mundo encantado em que o objetivo é chegar primeiro a um castelo. No caminho, as crianças aprendem a tomar decisões. Elas podem escolher entre usar as cartas para avançarem mais rapidamente no tabuleiro, já que não há dados, ou então optar por recolher as estrelas mágicas ( e se desviar do trajeto).

Zoológico Animado (a partir de 5 anos)
Seu filho gosta de quadrinhos? Então, este é o jogo ideal para ele. Na brincadeira, cada jogador escolhe um personagem da turma da Mônica para ser o seu representante no tabuleiro. Cada um terá que alimentar os animais com a comida correta e, também, impedir o contato direto das crianças com eles . Quem for mais rápido ganha o jogo.

Enciclopédia (a partir de 10 anos)
Diferente dos outros jogos em que a vitória se baseia na estratégia ou na sorte, em Enciclopédia o ganhador vence pela lábia. Primeiro, um dos participantes escolhe aleatoriamente uma das mais de 500 perguntas de conhecimento geral e cabe a ele dar uma definição para a palavra sorteada. A explicação não precisa ser exata, desde que o competidor convença os outros participantes. Assim, seu filho vai achar mais fácil – e divertido - aprender.

sábado

Ensine a criança a falar corretamente

Por Débora Mamber

Os adultos percebem as palavras como quebra-cabeças, compostas de vários sons individuais reunidos de acordo com as regras da língua. Mas pesquisas mostram que as crianças não estão conscientes dessa divisão e ouvem apenas grupos de sons. Para elas, frases completas podem soar como uma coisa só. Nessa etapa, portanto, não espere que seu filho pronuncie tudo corretamente. Tenha paciência, converse bastante e descreva objetos com muitos detalhes para ajudar a aumentar seu vocabulário. Perceba que algumas consoantes, como o P, o B e o M, são mais fáceis de articular que outras. “Na língua portuguesa, alguns dos sons mais complexos são o L de ‘blusa’ e o R de ‘cravo’”, explica a fonoaudióloga Jacy Perissinoto, da Universidade Federal de São Paulo. Se a criança pronunciar “livo”, responda calmamente: “Sim, é o livro”. Não repita seus erros, já que ela aprende por imitação. Apenas na fase de alfabetização, após os 5 anos, é que a meninada aprenderá que as palavras são constituídas por partículas – as sílabas e os fonemas.


Fonte: http://bebe.abril.com.br

quarta-feira

Perguntas e respostas sobre o comportamento infantil

Maiores de 2 anos


10. Minha filha vive dando escândalos em locais públicos, como o shopping. Como devo repreendê-la?
Para Maria Irene Maluf, as crianças com esse tipo de comportamento recorrente são criadas sem limites e se sentem carentes de afeto e atenção. “Por não se sentirem amadas, elas tentam cada vez mais a chamar a atenção dos pais.” Isso não quer dizer que os pais não as amem, apenas que não estão sabendo demonstrar isso.


Outro razão é que muitos pais também não conseguem entender o papel da frustração e temem não ser amados se não fizerem tudo pelos filhos. “Acabam criando pessoas que não se satisfazem com nada”, afirma Maria Irene Maluf.


Numa situação com essa, a pedagoga aconselha tentar acalmá-la, abaixando-se para conversar na mesma altura que ela. Se não resolver, pegue a criança e leve-a para o carro, para casa, espere que ela se acalme e aí converse.


11. Quando não quer um objeto ou uma comida, meu filho reage jogando o prato ou o brinquedo longe. O que eu faço?
Preste atenção na maneira como você e sua família agem. Ataques de raiva não são privilégio das crianças, aliás, elas aprendem com os adultos. “Tive um paciente que costumava atirar o prato pela janela quando não queria comer. Depois de várias sessões em que os pais negavam que esse tipo de comportamento fosse comum em casa, descobri que o avô costumava agir assim quando estava irritado, jogando o que estivesse à mão pela janela do apartamento”, diz Maria Irene. Portanto, atenção: você está sendo vigiado e seus atos e palavras serão copiados por seus filhos. “A educação é para ser servida como exemplo e cobrada diariamente, minuto a minuto. Não adianta dizer uma vez ‘não faça isso’ e achar que é suficiente. É preciso repreender sempre, com uma voz firme e séria”, diz a pedagoga.

12. Na hora de brincar, meu filho prefere bonecas e roupas de menina aos carrinhos e roupas masculinas. Há algum problema nisso?
Segundo Vera, nenhum problema. “Brincar exercita a fantasia e é a forma de descarregar no mundo imaginário o que não podem fazer na vida real. Todos os meninos acabam brincando de boneca, que nada mais é que o exercício de cuidar, mesmo que o façam com o ursinho de pelúcia.”

13. Meu filho gosta de brincar de matar as pessoas. Por muito tempo, evitei comprar armas de brinquedo, mas ele transforma qualquer objeto em revólver. Devo manter a proibição?
Na opinião de Vera, as pessoas confundem o mundo da fantasia e a realidade. “Matar na brincadeira, como no videogame, é apenas uma maneira de lidar com a agressividade, podendo destruir de mentirinha. O que não pode é sair por aí batendo nos outros”, acredita ela.

14. Meu filho é muito tímido, tem vergonha de brincar com outras crianças. Como posso incentivá-lo a interagir com os outros?
Ser introspectivo, mais quieto, com poucos amigos, não é um problema, mas um temperamento, e faz parte da personalidade. “A extroversão também pode ser uma fonte de angústia. Os pais só devem se preocupar se a criança não consegue se relacionar, participar de brincadeiras coletivas ou não gosta de estar com outras pessoas”, explica Vera. Nesse caso, é preciso buscar a ajuda de um profissional.

Mas, se é apenas timidez, é bom incentivá-lo a brincar com outras crianças, chamar os coleguinhas para passar a tarde na sua casa, deixar que ele faça seu pedido no restaurante, pequenos gestos que podem ajudá-lo a se comunicar melhor.

15. Às vezes, faço chantagem para convencer meu filho a tomar banho ou trocar de roupa. Estou agindo corretamente?
Tomar banho, escovar os dentes, sentar-se à mesa para comer e tomar vacina, segundo Vera, são obrigatórios. “Mas, por volta dos 2 anos de idade, por exemplo, a criança começa a reivindicar a posse sobre o próprio corpo, até então cuidado somente pelos outros. Uma sugestão para quando ela não quer tomar banho é fazer o jogo da autonomia, dando ferramentas e negociando: você compra uma esponja bacana, um sabonete especial e deixa que ela se lave sozinha, com sua supervisão. Em troca, uma vez por semana você dá aquele superbanho.”

Na hora de se vestir, também é importante deixar a criança escolher. “Só não dá para deixar sair no calor com calça de veludo ou descalça no inverno.”

16. Quando saio com meu filho, ele sempre me pede para comprar algo (um brinquedo, por exemplo). Se não compro, ele faz um escândalo. Como devo agir?
Segundo Maria Irene, aos 2 anos de idade, a criança acredita que tudo é dela. Aí os pais a levam para um lugar encantador, como uma loja de brinquedos. Coloque-se no lugar do pequeno e imagine-se num lugar com tudo que você mais gosta sem poder levar quase nada. Para evitar a cena, ela recomenda conversar com o pequeno antes de sair de casa e definir se vai haver novas aquisições.

17. Quando saio para jantar fora, meu filho não para quieto na mesa. Fica correndo pelo restaurante e incomoda a todos. Devo repreendê-lo?
Sem dúvida nenhuma. “Quer coisa mais desagradável do que crianças gritando e correndo em volta da mesa de pessoas desconhecidas? E há pais que simplesmente não se mexem, acham que o mundo todo tem de tolerar a bagunça de seus filhos”, diz Silvia Amaral. Claro que não é preciso fazer um drama se eles derramarem a bebida na mesa, mas é preciso que saibam respeitar limites e isso se aprende em casa, todos os dias. “Os pais só devem levar os filhos a restaurantes se eles tiverem noções de conveniência”, acredita Silvia.

É muito importante também observar se o restaurante é indicado para crianças. “Um lugar com pouca luz, onde os casais vão para namorar, definitivamente não foi pensado para receber a molecada. O mais apropriado são restaurantes descontraídos, mas a simplicidade não é desculpa para deixar os pequenos se pendurarem nos lustres e se esconderem debaixo das mesas dos outros.”
Outra estratégia é: “O brinquedo custa o mesmo que a festa que eu daria no seu aniversário, o que você prefere? Você também pode sugerir que ela escolha vários e deixe para você decidir, fazendo uma surpresa depois”, diz Maria Irene Maluf.

Vera diz que, a partir dos 2 anos de idade, a criança já está ligada no que pode ou não comprar. “Fica difícil para ela aceitar porque para os pais também é muito complicado não poder consumir o quanto gostariam. E o pior é que muitas vezes, feridos no próprio orgulho e sentindo-se culpados por não estarem mais presentes, acabam cedendo e se atolando em dívidas.”

Por Angela Senra / Produção Andrea Silva

sábado

Faz-de-conta para entender o mundo

Especialistas garantem: ouvir histórias desde a primeira infância estimula a criatividade, facilita o aprendizado e ajuda os pequenos a compreenderem o universo ao seu redor
Por Paula Desgualdo

Era uma vez um bebê que cresceu em meio a bruxas, castelos e fadas. Das letras, ainda estranhas aos seus olhos curiosos, nada conhecia. A ele, bastava sentir a magia na voz de quem narrasse uma fábula para mergulhar em um jogo de aventuras e descobertas. Assim como nos contos de fadas, essa é uma história com final feliz. É que, como você verá a seguir, estimular a imaginação dos pequenos ainda no berço pode ajudar, e muito, a desenvolver a sua criatividade e a compreensão que eles têm do mundo.

“A primeira leitura que a criança faz é a do rosto dos pais”, afirma Ivani Capelossa, idealizadora do projeto Biblioteca da Primeira Infância, do Instituto Brasil Leitor, em São Paulo. “O tom de voz, as expressões de alegria e espanto que eles demonstram ao ler e contar causos para os pequenos são o início de um longo caminho de aprendizado”, completa.

Por mais que a criança não consiga entender a história ou absorver todos os detalhes, ela aprende uma novidade toda vez que ouve um conto – principalmente se ele for repetido dezenas de vezes, como a meninada gosta. Nos primeiros contatos com as narrativas, sejam elas cantigas de ninar ou historietas, os bebês começam a trabalhar a memória e a capacidade de organizar informações. “Quando percebem que as histórias têm começo, meio e fim, eles estabelecem pela primeira vez a idéia de temporalidade”, exemplifica a pedagoga Eleusa Leardini, professora da Universidade São Francisco, no interior de São Paulo.

Segundo a especialista, que defendeu uma dissertação de mestrado justamente sobre contar histórias na educação infantil, a magia da literatura para pequenos não só desperta a curiosidade como também contribui para o desenvolvimento de aspectos sociais e cognitivos na infância. Ela defende, ainda, a idéia de que é preciso estabelecer uma relação com o livro desde os 6 meses – a partir do momento em que a criança consegue se sentar sozinha. “Bebês fazem uma pseudoleitura, ou seja, eles olham as imagens e criam a sua própria história”, diz.

Meninas e meninos mais novos têm uma capacidade de compreensão limitada. A ficção, nesse caso, é uma forma de conhecer e experimentar sensações que ainda não fazem parte do repertório infantil. “As crianças se projetam nas personagens e vivenciam alegria, medo, tristeza, saudade”, comenta Eleusa. Assim, os pequenos começam a moldar as suas reações diante das eventualidades que acontecem em sua própria vida. Reconhecem, por exemplo, que o medo do escuro de seu quarto é o mesmo que sentiram quando o lobo tentou devorar a menina Chapeuzinho Vermelho.

Além dos benefícios que as narrativas proporcionam para o desenvolvimento da criançada, não há como negar que elas são uma ferramenta e tanto para estreitar os laços de afetividade entre quem conta e quem ouve. “Ouvir e contar histórias é um tipo de amor muito especial”, resume a escritora carioca Ana Maria Machado. Isso porque narrador e ouvinte precisam estar atentos e totalmente entregues a essa atividade. “É um momento em que a criança se sente respeitada nas suas necessidades”, explica Alessandra Giordano, professora do curso Contar e Ouvir Histórias, do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Sem contar que, se os pequenos tomarem gosto pela ficção desde cedo, a chance de se tornarem leitores só aumenta. Caso exemplar é o da escritora paulista Lu Martinez, que narrava historinhas para o filho, Gabriel, enquanto ele ainda estava no acalento do útero. Depois que o menino nasceu, as seções de contação ficaram mais freqüentes e o garoto começou a pedir que a mãe repetisse as histórias do dia anterior. Por causa das exigências de Gabriel, Lu passou a registrar as ficções que inventava. Suas anotações renderam sete livros – três deles já foram publicados. “É na primeira infância que se formam futuros leitores”, afirma a pedagoga Creuza Soares, que implantou o projeto Meu Broto de Leitura no berçário municipal Mãe Cristina, em Marília, no interior de São Paulo. Este ano, Creuza inaugurou uma Bebeteca, que, aliás, ganhou o nome da escritora Lu Martinez.

quinta-feira

Perguntas e respostas sobre o comportamento infantil

O que fazer quando seu filho morde o amiguinho, dá tapas em você ou se atira no chão e começa a gritar?
Listamos algumas situações em que os pais se perguntam como proceder ou como resolver tudo da melhor maneira possível. A ideia, claro, é sempre optar pelo caminho da boa educação. Para isso, conversamos com alguns especialistas, que sugerem maneiras de como lidar com o pequeno –seja um bebê, seja uma criança pequenina – diante desses comportamentos.

Por Angela Senra / Produção Andrea Silva

Decifrar o comportamento infantil não é tarefa fácil para os pais. A busca por respostas costuma esbarrar na maneira como eles criam os filhos, na quantidade de “nãos” que conseguem dizer a eles, nos limites que são capazes de impor.

Muitas vezes, os adultos intuem como devem agir, mas o medo de frustrar as crianças acaba resultando em resignação. “Elas são assim mesmo”, dizem. Realmente, crianças têm atitudes-padrão em cada fase da vida, mas isso não significa que os adultos tenham de acatar ordens e aceitar todos os ataques como naturais no processo de desenvolvimento. Para ajudar os pais a agir nesses momentos difíceis, procuramos especialistas em educação e comportamento infantil, que sugerem alguns caminhos.

Até dois anos de idade
1. Meu filho tem a mania de morder as pessoas. Como mostrar a ele que isso é errado?
“É até esperado pelos profissionais que lidam com crianças que elas façam isso até os 3 ou 4 anos de idade, mas os adultos não podem permitir que mordam, porque machuca, é errado”, explica Silvia Amaral, pedagoga, psicopedagoga, coordenadora da Elipse Clínica Multidisciplinar e conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

No momento em que seu filho morder um coleguinha ou qualquer outra pessoa, Silvia aconselha a boa e velha conversa olhos nos olhos. “Fique na mesma altura que a criança e fale firmemente que isso não pode nem deve mais acontecer porque machuca e dói. Os pais têm de deixar claro que não aprovam o comportamento porque, mesmo elas não tendo noções claras de certo e errado, não podem fazer tudo que querem”, diz ela.

Isso não significa que o comportamento não vá se repetir, mas todas as vezes em que isso ocorrer é necessário deixar clara sua posição. “Agora, se acontecer com frequência, toda semana, por exemplo, significa que a agressão está se tornando um hábito e é preciso buscar a ajuda de um profissional.”
2. O que faço para meu filho parar de chorar?
Para Vera Iaconelli, psicóloga e coordenadora do Instituto Gerar – Escola de Pais, antes dos 2 anos de idade, o choro nunca é de manha. “Nessa fase, a criança não tem recursos para isso, portanto o choro constante indica algum tipo de desconforto, físico ou emocional, que precisa ser investigado pelo médico. Como não sabe falar, o bebê usa o choro para demonstrar seu sofrimento.” A partir dos 2 anos, porém, a criança já percebe como pode manipular os pais e usa o choro para tentar conseguir o que deseja. “Eu acredito que uma das formas de ajudá-la a aprender a lidar com as frustrações seja não atendendo a seus desejos quando eles vêm junto com o choro de birra.”

3. Preferir a companhia do pai/mãe ou de outra pessoa em determinado momento significa que meu filho não gosta de mim?
Faz parte da natureza humana preferir a companhia de uma ou outra pessoa, e o ser humano aprende a demonstrar isso logo cedo. Os pais devem se preparar, pois os filhos sempre buscam a companhia de um ou outro por razões que nem sempre ficam claras. Se é para jogar bola, o menino geralmente chamará o pai, mesmo que a mãe adore futebol. Para ir ao cinema, pode preferir ir com a mãe ou a avó. Quando nenê, às vezes adora o colo de uma tia, embora nessa fase o mais comum seja desejar ficar com a mãe. “Os pais precisam ter maturidade para aceitar essa frustração, pois frequentemente os filhos vão querer estar longe deles, em especial quando crescerem. É difícil, mas eles sabem que criam os filhos para o mundo e um dia serão preteridos”, afirma Vera Iaconelli.

4. Como devo agir diante de um ataque de fúria do meu filho em locais públicos ou se ele chuta quando não é atendido?
A sugestão da psicopedagoga Silvia Amaral é você tentar impedir abraçando a criança por trás na tentativa de contê-la e mostrar sua contrariedade. Atenção: nunca dizer que você está contra ela, mas que o comportamento dela é errado, que você não aprova a maneira de ela agir. “Se não der resultado e ela não estiver correndo perigo, se batendo, por exemplo, sugiro que os pais se afastem. É melhor do que ficar perto, morrendo de vergonha do que as pessoas estão pensando de você como mãe e acabar cedendo. Ao perceber que os espectadores que importam não estão presentes, ela vai parar. Outra saída é pegá-la no colo e levar para o carro, gritando mesmo. Quando ela se acalmar, converse com ela, mas jamais volte para fazer a vontade dela.”

5. Devo intervir quando o caçula bate no irmão mais velho?
Sim, pois a agressão física não deve ser tolerada. É importante para a criança aprender a expressar a raiva ou o ciúme usando as palavras. Para a psicóloga, é importante que os sentimentos sejam transformados em palavras, e não em tapas. No caso de um bebê menor de 2 anos, os pais devem segurar sua mão e dizer que não pode bater, mostrar que o irmão está triste, que machuca. “Em vez de dizer à criança que ela ‘tem de’ gostar do irmão, o correto é sentar e tentar entender o que está acontecendo e explicar que você também sente ciúme, que é normal, mas que nem por isso sai estapeando os outros”, diz Vera. Aliás, este é um ponto importante: o do exemplo. Se você vive se gabando de ter descido a mão na engraçadinha que deu em cima do seu marido quando vocês ainda eram noivos, por exemplo, acha mesmo que pode dizer aos seus filhos para não usarem a força?

6. Meu filho adora dar tapas na cara e puxar o cabelo das pessoas. O que devo dizer a ele nessas horas?
Os pais costumam achar graça, mas as especialistas são unânimes: não permita que isso aconteça com você nem com ninguém. “Segure a mão do bebê, não ria, mostre com cara feia que você fica triste quando isso acontece, pois é observando a reação alheia que ele aprende a interpretar os sentimentos e a se colocar no lugar do outro. Fale sempre do seu sentimento. Nunca diga que a criança é má ou feia. E não caia na armadilha de revidar com palmada. Se fizer isso, estará reforçando o aprendizado da agressividade física, um mau exemplo”, diz a psicopedagoga Silvia Amaral.

7. Quando é contrariado, meu filho começa a gritar. Como posso mostrar que isso é errado?
Como você costuma reagir ao ser contrariada? Se leva uma fechada no trânsito, reage aos berros? Se você não consegue se controlar, a criança pode estar apenas repetindo o que vê. Pense nisso. Aceitar as frustrações é uma dificuldade grande hoje em dia para pais e filhos. Quantas vezes você não se frustra por não ganhar mais ou não ser reconhecida no trabalho como deveria? Aprender a lidar com os nãos da vida é fundamental para crescer. “Com uma criança maior, você pode fingir que não conhece e deixá-la gritando sozinha. Se for embora mesmo, vai ver que nunca mais ela vai repetir o papelão”, afirma Maria Irene Maluf, pedagoga especialista em educação especial e em psicopedagogia. No caso das pequenas, a saída é tentar acalmá-las. “Abrace a criança por trás, vá pedindo calma e faça sons como ‘shhh’ no ouvido dela. Aos poucos, os pais vão descobrindo o que funciona. O que não podem de jeito nenhum é aceitar o jogo”, fala Silvia.

8. Meu filho de 1 ano e 2 meses, quando irritado, bate a cabeça no chão ou na parede. Como devo agir?
Se a criança estiver correndo o risco de se machucar, é preciso segurá-la e interromper o ataque, abraçando por trás. Vale tentar a técnica de fazer o som de ‘shhh’ no ouvido e pedir calma. Se nada disso resolver e ela continuar a fazer escândalo, é preciso procurar o médico. “A autoagressão não é um comportamento aceitável e pode indicar sérios transtornos mentais, como a bipolaridade. É grave e precisa da avaliação de um psiquiatra. Há casos em que elas precisam dormir de capacete para não se ferir durante o sono”, explica a pedagoga Maria Irene Maluf.

9. Meu bebê de 1 ano e 2 meses vive fazendo pirraça. Devo mostrar a ele o que pode ou não? Ele já entende o conceito de certo e errado?
Ele ainda não distingue o certo e o errado, mas nessa idade já começa a perceber incoerências. “Quantas vezes as crianças nessa fase testam os pais? Ao fazerem algo, elas olham para eles, ouvem o não, fazem de novo até que o pai ou a mãe tome uma atitude para impedir o ato. E elas repetem isso muitas vezes, demonstrando ter certa noção do que é importante”, diz Silvia.

quarta-feira

Repreender, sim, mas comparar, jamais

Tita Belliboni*

Eu digo sempre que cada um de nós tem seu temperamento, seu ritmo, seu olhar particular para o mundo, suas capacidades e suas limitações. Ninguém é igual a ninguém! E, quando temos filhos, observamos que, embora vindos de um mesmo pai e uma mesma mãe e recebendo, portanto, a mesma educação e amor, formamos criaturas completamente diferentes.

Percebemos que podemos instituir os mesmos valores, cuidar e amar de forma igualitária e conduzir todos por igual pelo caminho do bem, mas “como” vão marchar é o traço de cada um que irá definir.

Algumas crianças começam a andar mais cedo que os outros, outras falam mais cedo. E é logo aí que aparecem as primeiras comparações. Não há o mais cedo ou o mais tarde, há a época certa dentro de um desenvolvimento normal e há, acima de tudo, o tempo de cada um. Se o mais velho falou antes de um ano e o caçula ainda não, não raro surgem as primeiras análises: “Nesta idade fulaninho já andava, já falava, já fazia...” Pronto! Começou!

Se você estiver usando demais o “já”, o “cedo”, o “tarde”, é sinal de que começou a comparar. Dessa forma, é inevitável que evidencie de forma positiva um filho e negativamente o outro. Parece bobagem, mas não é. Exatamente assim, ainda que sem querer, que começamos a reforçar a autoestima de um e rebaixar a do outro.

Cada um tem também o seu temperamento, o seu perfil, o seu desenho individual, único e encantador justamente por causa disso. Na vida, aprendemos a coexistir com as diferenças e a nos encontrar nas semelhanças. É isso que faz o movimento e a magia da convivência. Devemos aproveitar essas semelhanças e afinidades e, enquanto isso, aprender a respeitar quando nos deparamos com as diferenças dos outros. Afinal, é assim que lidamos também com os nossos limites, nos treinamos a compreender e ensinar que cada um é bom em determinadas coisas e pior em outras, e jamais o melhor em tudo. Entendemos que uns fazem de uma maneira e outros de outra porque cada um tem suas próprias ferramentas, seu jeito de dizer, fazer e interpretar. Resumindo: seu jeito de ser! Cada um segue seu caminho a seu modo. Uns vêm saltitando, dando risadas. Outros vêm mais quietinhos, sossegados. Uns fazem algazarra e folia por tudo, são mais sociáveis, e outros mais concentrados.

Cada um deve ser respeitado, aceito, amado e incentivado a usar suas ferramentas da melhor forma possível. Por que então os pais têm o vício ruim de viver comparando seus próprios filhos, seja entre eles, seja com os filhos dos outros? Vocês com certeza conseguem se lembrar de alguma coisa assim:

- Fulaninho, por que você não faz como o seu irmão?
- Sua irmã é muito mais organizada do que você!
- Sua irmã é muito mais comunicativa. Todo mundo gosta dela. Por que você é tão quieta e mal-humorada?

Quando uma observação pode servir de exemplo, é muito válida, mas devemos tomar muito cuidado para que ela não tenha o tom de reprovação, que, no lugar de orientar e ajudar, pode rotular uma criança e aumentar ainda mais uma dificuldade.

Como orientadores que somos – guias desse caminho –, temos que ter o cuidado para fazer cada um dos nossos filhos se sentir amado como é, embora façam parte a correção, a orientação e até o exemplo. E que, ao compararmos, quando inevitável, possamos deixar claro que estamos questionando, aprovando ou não as atitudes e não a criança em si.

O bonito não é o fato de a criança entrar numa sala e cumprimentar a todos só porque é uma regrinha social. O bonito é perceber que é importante e gostoso ser gentil com os outros da mesma forma que gostamos que sejam conosco. É esse olhar de correspondência, de respeito mútuo, que nos faz entender que somos iguais aos outros e ao mesmo tempo nos permite ser tão diferentes deles.

“Que possamos nos livrar da vaidade (meu filho já isto ou já aquilo, meu filho é o melhor da classe), que tenhamos mais satisfação do que orgulho, que não coloquemos o peso de serem perfeitos nem o fardo por não serem, que possamos de verdade amar cada criança ensinando a desenvolver suas capacidades e aceitar os seus limites e que sejam felizes pelo que fazem e não porque fazem melhor do que alguém.”

*Luciana Belliboni, que tem o carinhoso apelido de Tita, é pedagoga de São Paulo e apresentadora da versão brasileira da série Doces Momentos, do canal Discovery Home & Health.