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sábado

Nordeste no muro

Livro mistura a cultura nordestina ao trabalho do renomado grafiteiro e artista plástico brasileiro Speto

Fernanda Montano


Um menino encontra um envelope com a chave de um baú de tesouros. Ao abri-lo, um mundo de cores e ritmos invade o ambiente. A espada de mestre guerreiro o leva para dançar o reisado em Alagoas, um guarda-chuva colorido o transporta diretamente para o animado frevo de Recife e uma sanfona o faz relembrar o rei do baião, Luiz Gonzaga. Assim é a aventura de O Menino da Gota Serena, que faz uma viagem pela música e a cultura do Nordeste brasileiro.

O texto é do músico, jornalista e publicitário Rodrigo Leão e o projeto gráfico é assinado pelo ilustrador, grafiteiro e artista plástico Speto, que tem graffitis espalhados por São Paulo, Moscou, Paris, Londres, Nova York e outras cidades ao redor do mundo. O livro faz parte do projeto Redescobrindo o Brasil, idealizado por Márcia Missako Oura, criadora da marca Green, que busca inspiração nas cinco regiões brasileiras.

O lançamento acontece neste sábado (29), das 10h30 às 13h30, na Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo (SP). Haverá contação de histórias e apresentação do grupo musical Furunfunfum, além da presença de Rodrigo Leão e Speto.

Serviço:

O Menino da Gota Serena
Autor: Rodrigo Leão
Ilustrador: Speto
Editora: Escala Educacional
Preço sugerido: R$ 38,90 


Fonte: revista crescer

quinta-feira

Os alimentos proibidos na gravidez


No recém-lançado livro Xô Bactéria! (Ed. Manole), o biomédico Roberto Martins Figueiredo, o famoso Dr. Bactéria, reservou um capítulo especial para as gestantes. Ele tira as principais dúvidas sobre alimentação. Veja aqui, com exclusividade, algumas delas:

Crescer


Quais os tipos de alimentos que uma grávida deve evitar? 
As grávidas fazem parte do chamado grupo de risco e, por isso, não devem comer carnes e ovos crus ou semicrus (por exemplo, ovo quente ou com gema mole, peixes crus, quibe cru), queijo fresco, leite não pasteurizado. Isso porque existem algumas bactérias presentes em alimentos crus, como em carnes, salsichas e camarões, que agridem o feto. Elas não resistem ao cozimento. Por isso, ele é fundamental. Frutas e hortaliças cruas devem ser bem lavadas e desinfetadas. 

Estou grávida de 5 meses e como mel todos os dias de manhã com mamão e banana. Isso pode fazer mal ao bebê? 
O mel pode ser ingerido por grávidas sem nenhum problema. Só não deve ser dado para a criança até que ela complete 1 ano. 

Gestante pode tomar leite fermentado com lactobacilos vivos? 
Não há problema algum. Inclusive, eles servem como protetores do tecido intestinal e regulam a função desse órgão.

Serviço
Xô, Bactéria! -Tire suas dúvidas com Dr. Bactéria
Editora Manole
R$ 30,60

Fonte: revista crescer

quarta-feira

Mãe de criança hiperativa transforma sua experiência em livro infantil


Mariana Oliveira aprendeu a lidar com o jeito agitado de sua filha e a considerar os sintomas como uma característica, e não um problema

Marcela Bourroul




Uma cabritinha que pulava sem parar. Foi essa maneira que a escritora Mariana Oliveira, 47 anos, encontrou para descrever sua filha, diagnosticada com hiperatividade na infância. Foi ela quem inspirou a personagem principal do livro Serafina Nunca Para, lançado este mês pela Dash Editora (R$ 32). 

A hiperatividade é um problema que pode demorar para ser diagnosticado, já que muitos pais acreditam que a criança é apenas agitada, mal educada ou bagunceira. A dificuldade em manter a atenção, estar sempre “a mil”, não conseguir esperar a sua vez, se meter no assunto dos outros estão entre os sintomas mais comuns. Mas existem algumas características específicas que a diferenciam, como apresentar esses sintomas constantemente, em ambientes diversos e por pelo menos seis meses, de acordo com informações da Secretaria de Saúde de São Paulo. 

Segundo o psiquiatra Enio Andrade, coordenador do Programa de Atendimento de Hiperatividade do Hospital das Clínicas (SP), a hiperatividade traz prejuízos principalmente no período escolar da criança, e nesse ambiente ela é mais facilmente identificada. “Os professores são os primeiros a perceber que aquela criança não é apenas bagunceira”, afirma. A palavra final em relação ao diagnóstico deve ser do médico e, se os pais estão desconfiados, devem marcar uma consulta. Quanto mais cedo isso acontecer, menos prejuízos de aprendizado e socialização a criança terá. 

Para começar o tratamento, é preciso contar com paciência e bons profissionais, além de fazer mudanças nos hábitos da vida familiar e social da criança, como deixar menos a TV ligada ou mudar de escola, por exemplo. Em alguns casos - e isso quem decide são os especialistas - os medicamentos ajudam a estimular o controle de atenção. Quando isso acontece, os pais custam a aceitar porque acham que a criança não precisa. Segundo o psiquiatra Luiz Rohde, coordenador do Programa de TDAH do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (RS), mais de 150 estudos mostram que os medicamentos são eficientes. Um levantamento do Programa de Atendimento de Hiperatividade, do HC, mostrou que cerca de 80% das crianças atendidas apresentam melhoras ao longo do tratamento. 

Mariana, mãe da “cabritinha” Serafina, compartilhou um pouco da sua experiência com uma filha hiperativa em casa:

CRESCER: Como surgiu a ideia do livro? 
MARIANA OLIVEIRA: Escrevi a história quando minha filha era pequena e foi o jeito que eu encontrei de lidar com esse assunto de uma forma bem humorada. Foi um livro que saiu meio sem querer. Sentei, escrevi e achei engraçado. Coloquei a condição da minha filha de uma maneira mais leve e alegre - e acho que consegui colocar essa leveza no nosso dia-a-dia e na nossa relação. 

C.: Por que uma cabritinha? 
M.O.: Escolhi o cabrito como personagem porque ele é um animal que já nasce pulando, e faz isso involuntariamente. Então tem a ver com a hiperatividade, porque as crianças não são agitadas de propósito. Elas são assim, é uma característica. 

C.: Como você descobriu que sua filha tinha hiperatividade? 
M.O.: Meu padrasto é psiquiatra e diagnosticou. Eu sempre a achei agitada demais, mas só um profissional pode confirmar o diagnóstico. Começamos a fazer o tratamento, mas, para mim, foi muito difícil dar o remédio para ela. Resisti. Mas percebi que ajudou muito na escola, a concentração melhora sensivelmente. Até hoje ela só toma antes de ir para a aula. Nas férias eu suspendo, até porque minha filha precisa lidar com o jeito dela e ter consciência de quem ela é, com e sem o remédio.

C.: Como é ter uma filha hiperativa em casa? 
M.O.: Geralmente, os pais de uma criança hiperativa ficam mais irritados, cansados, porque a criança não para. Mas é preciso encarar isso como uma característica dela e não transformar numa coisa pesada. Temos que ver o lado bom: um excesso de agitação também é um excesso de felicidade, e principalmente um interesse pelas coisas ao seu redor. Uma criança que vê televisão, desenha, mexe a massa do bolo e brinca com o cachorro ao mesmo tempo também é uma criança que se interessa por tudo. E isso é muito legal. 

C.: Que conselho você daria a outros pais? 
M.O.: Acho que colocar em foco essa coisa da alegria e do interesse é importante. Além disso, os pais precisam se preocupar com a autoestima dos filhos. Não adianta dar bronca toda hora e mandar eles ficarem quietos sempre. Se a criança é assim involutariamente, você precisa lidar com isso de outra maneira, para não criar um desgaste dos dois lados ou criar uma criança frustrada. 

C.: O que você espera que seu livro passe para outros pais? 
M.O.: Quero que livro passe uma mensagem de alegria. No mundo em que vivemos hoje é importante criar a criança de um jeito que ela se torne segura de si e se aceite como é.

Serviço 
Serafina Nunca Para 
Autora: Mariana Oliveira 
Ilustrações: Victoria Weiss 
Dash Editora
R$ 32

Fonte: Revista Crescer




segunda-feira

Igual, mas diferente



Se você pensa em engravidar novamente (ou já está esperando o segundo filho), o recém-lançado A Segunda Gravidez (CMS Editora, R$ 69), é leitura obrigatória. Da mesma série do sucesso A Bíblia da Gravidez, o livro discute questões como o momento ideal de engravidar outra vez e o preparo do filho mais velho para a chegada do irmãozinho. Conversamos com exclusividade com o ginecologista e obstetra Mariano Tamura, um dos consultores da versão brasileira da publicação - que também conta com a participação da pediatra neonatal Alice D. Deutsch e de Wladimir Taborda, obstetra e colunista da CRESCER.

CRESCER: Quais são as dúvidas mais comuns da mãe que quer engravidar de novo?
MARIANO TAMURA: Como ela já sabe quase tudo o que esperar em relação à saúde dela e do bebê, os questionamentos são mais psicológicos. Ela tem receio de não amar o segundo filho tanto quanto o primeiro e de não conseguir dividir o tempo entre mais uma criança, o marido, o trabalho...

C: A segunda gestação é mais fácil?
M.T.: Nenhuma gestação é igual à outra. Você pode ter tido enjoos na primeira e não sentir nada na segunda. Mas, como hoje a mulher está adiando cada vez mais a gravidez, na segunda vez é comum ter mais de 35 anos. A experiência da primeira gestação dá segurança. Por outro lado, se ela tiver uma idade avançada do ponto de vista médico, pode se sentir menos disposta.

C: O que a grávida pode esperar, então, dessa vez?
M.T.: Se a primeira gestação foi ruim, ela não precisa achar que isso vai se repetir. Pode, inclusive, prevenir-se. E também aproveitar para se atualizar, uma vez que surgem novos exames e orientações. É, ainda, uma oportunidade para reavaliar alguns aspectos da primeira gestação que poderiam ser diferentes agora, como a alimentação, o pré-natal e o tipo de parto.

C: E qual o papel do pai nessa história?
M.T.: Para o homem, a preocupação maior é com o sustento da família. Mas ele pode também aproveitar para dividir melhor as tarefas, uma vez que o trabalho, com certeza, vai aumentar.

A Segunda Gravidez 
Lançamento – Noite de Autógrafos 
Data: 28 de Agosto de 2012 
Horário: das 18:30 às 21:30
Local: Livraria da Vila - Shopping Cidade Jardim
Avenida Magalhães de Castro, 12000 - Piso térreo

Fonte: revista Crescer


quinta-feira

Carmela Caramelo é o primeiro livro infantil de Cristiane Rogerio, editora de educação e cultura de CRESCER


Depois de sete anos mergulhando todos os dias na literatura infantil, a jornalista apresenta “uma obra cheia de faces, cores e sabores” ­- como define André Neves, ilustrador do livro
Daniela Torres





Atrapalhada, bem-humorada e louca por fazer doces. Essa é Carmela Caramelo (Cortez Editora, R$ 28), personagem-título do livro da jornalista Cris Rogerio. Em entrevista, a autora conta sobre a emoção de ver sua primeira obra nas livrarias enquanto espera também pela chegada de sua primeira filha, Clarice. Confira: 


CRESCER - Como surgiu o projeto de Carmela Caramelo? 
CRIS ROGERIO - Eu fiz um curso de pós graduação para escritores em 2008. E o trabalho final era um livro. Carmela nasceu lá – ela foi meu TCC. Mas o nome do livro, a princípio, era outro: a ideia era que se chamasse Tem dia que sim e Tem dia que não. 


C: Como aconteceu a parceria com o ilustrador André Neves? 
C.R. - Eu já tinha entrevistado André algumas vezes para a CRESCER e admirava muito o trabalho dele, que é um dos melhores do Brasil. Na primeira vez que eu o encontrei pessoalmente, mostrei meu texto. Ele ficou superemocionado, foi lindo. Daí ficou uma coisa meio no ar, de que seria muito legal se conseguíssemos fazer a parceria, de ele ilustrar o Carmela. Para a minha alegria, acabou dando certo! Adorei a Carmela que ele criou, totalmente diferente da que eu tinha em mente. Eu imaginava uma gordinha, de óculos... Ele fez uma fininha, com um gato... Posso dizer que, apesar de ter nascido na minha cabeça, este é um projeto 50% meu, 50% dele. Quando vi as ilustrações do livro, me senti presenteada. 

Cris Rogerio
C: Por que resolveu mudar o título do livro? 
C.R. – A sugestão foi do André. Ele disse que eu não deveria entregar a história do livro no título. Para ele, o nome da personagem era muito forte e funcionaria melhor. Concordei na hora. 

C: E as crianças normalmente lembram da personagem, né? É o que mais marca no livro... 
C.R. - É! E é isso que eu quero, que eu sonho! Quero que as crianças se apaixonem pela Carmela... 

C: Quem é a Carmela? 
C.R.- Minha avó se chamava Carmela e eu tinha 3 anos quando ela faleceu, mas sempre ouvi muitas histórias sobre ela. Foi uma das minhas fontes inspiradoras! Mas, na verdade, a Carmela são muitas mulheres em uma só. Minha mãe, por exemplo, teve um jeito de me criar com muita brincadeira. Gostava de contar histórias... Também pensei em outras avós e mães. O que todas elas têm em comum é que são pessoas leves. Era isso que queria para a Carmela, uma personagem que pareça uma pessoa real, com dias bons e ruins, e que leve isso numa boa. 

C: O livro é para crianças de que idade? 
C.R. - Eu acho que ele diverte crianças a partir de 2 anos, mas as mais velhas, de 8, por exemplo, podem entender melhor a ironia da personagem. Acho até que muitos adultos vão gostar d a Carmela porque ela é uma pessoa comum. E todos nós temos dias bons e outros não tão bons. E tudo bem a vida ser assim. Aliás, uma das minhas preocupações é que não ficasse um livro politicamente correto, chato. Se acontecesse isso, eu escreveria tudo de novo! 

C: Você já tem um próximo projeto para um livro infantil? 
C.R. - Penso em criar outros volumes do Carmela. O meu sonho é que ela se torne uma personagem que fique no imaginário das crianças para sempre. 

C: E, por fim, por que você aconselharia os pais a lerem mais para os seus filhos? 
C.R. - Porque a leitura amplia os horizontes da criança, seja na criatividade, seja no vocabulário, nos pontos de vista, nas imagens. E mais, a literatura conversa muito com os sentimentos das crianças, faz com elas liberem coisas que conversa alguma traria à tona. É uma oportunidade de enriquecer o mundo dela.

Fonte: Revista Crescer

Criança e consumo



O relançamento do livro O Rei de Quase-Tudo é uma ótima oportunidade de falar sobre esse assunto com seu filho


Cristiane Rogerio


Precisa ser realmente um mestre para ensinar algo para a criança em um livro sem chama-la de boba. O mineiro Eliardo França faz isso muito bem, e há mais de 40 anos presenteia os leitores com suas criativas obras. Um jeito de conhecer sua, digamos, essência, é aproveitar o relançamento de O Rei de Quase-Tudo (Ed. Global, R$ 27), um de seus principais livros. 


Na história, um rei que já tinha terras, exércitos e ouro, também quis as flores, os frutos, os pássaros, as estrelas e o sol. Mas ele não ficou feliz: quando teve o que queria, perdeu tudo que eles lhe proporcionavam. 


Bem, em tempos de discussões sobre consumo excessivo em voltas das crianças, esta aí uma ótima oportunidade para tocar no assunto. A imagem do reizinho, o tom simples do texto e a escolha das referências fáceis de o leitor se identificar. Ajudam a conversa em casa fluir de maneira sutil, sem lição de moral nem para a criança, nem para os pais. 


Fonte: Revista crescer


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

terça-feira

O Japão nas nossas mãos

Chega mais um volume da coleção de Annelore Parot com suas adoráveis bonequinhas japonesas ensinando de um jeito gostoso os costumes japoneses
Cristiane Rogerio



Em 2010 conheci o que sai das mãos da escritora e ilustradora francesa Annelore Parot. Foi com os livros Quimono e Yumi, lançados ao mesmo tempo pela Companhia das Letras, que traz de um jeito delicado, ideal para as crianças a partir de 3 anos, de contar os costumes da cultura japonesa. 


Pois acaba de chegar agora a Aoki. Como Yumi (que ano passado entrou em nossa lista dos Melhores Livros Infantis do ano), ela é uma kokeshi, aquelas fofas bonecas japonesas de madeira. Elas apresentam ao leitor os lugares que passeiam, mas não é só isso: a criança é convidada a interagir com a história, seja procurando detalhes nas belíssimas ilustrações, ou abrindo e fechando abas que escondem surpresas. O projeto gráfico é de encantar qualquer idade, já começando pela capa com a kokeshi apresentada em um tecido costurado. 


A Aoki, por exemplo, vai para Tóquio visitar sua amiga Yoko. Elas mostram as ruas, outras pessoas, ensinam alguns termos em japonês e entram em uma lojinha com bonecas, robôs e acessórios, e tudo termina num belo piquenique. 


Adoro quando a literatura infantil faz estas pontes com o mundo. Este é bem feito, personagens cativantes e uma ilustração que merece marcar infâncias. Experimentem! 


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.
Revista Crescer

sexta-feira

Livros saindo da estante

Por mais amor e lembranças que os livros nos causem, algumas vezes é preciso passá-los adiante.


Cristiane Rogerio




Como muitas pessoas, passei a semana entre Natal e Ano Novo fazendo arrumações. Como eu precisava descansar, foquei na minha principal “bagunça”: a organização dos livros. Tenho duas estantes dedicadas apenas à minha coleção de livros infantis e não é nada fácil organizá-los. Já disse aqui os meus problemas um tanto divertidos: não sei se coloco em grupo de autores, ou na ordem do nome dos títulos, ou por tamanho, ou por coleções… toda a vez é a mesma coisa. No fim, faço um pouco de cada.

Mas desta vez tive que fazer outra coisa. Até para caberem em meu espaço, resolvi separar livros para doar. Não é fácil. Eu faço isso com certa constância, com base nos que eu recebo pela CRESCER – muitas pequenas bibliotecas dos filhos e amigos da gente aqui da redação vem sendo preenchidas nos últimos anos e eu adoro pensar nisso! Mas o que eu tive que fazer desta vez foram escolhas: tirar livros do meu acervo é uma tarefa árdua, até porque são meu material de trabalho. Pode parecer egoísmo, eu sei, mas pense em um livro que seu filho amou, ou, mais, que você se apaixonou junto ao seu filho. Pense nas obras de arte, em poesia, em ilustração daquelas que você simplesmente quer guardar para sempre?

É maravilhoso guardar as histórias, principalmente se elas forem cercadas de outras histórias pessoais – a primeira vez que seu filho conseguiu memorizar uma história vendo pela ilustração, o livro que ele pedia todas as noites mesmo morrendo de medo do monstro ou do lobo, a primeira frase que ele conseguiu ler sozinho. Mas algumas vezes precisamos nos separar de algum deles e selecionar para doar. Há muitas organizações ou até mesmo bibliotecas que podem recebê-los. Procure uma perto da sua casa e imagine que gostoso esse livro circulando por outras mãos, olhos e ouvidos. Tocando o coração e provocando sorrisos e emoções em outros leitores. E seu filho vai conseguir sentir o mesmo. Experimente.

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

quarta-feira

O grande contador de histórias

Monteiro Lobato fez muito mais pela literatura infantil do que criar personagens e histórias: ele trouxe ao Brasil contos de vários cantos porque sabia que a riqueza estava na diversidade. E na fantasia


Cristiane Rogerio





Há alguns anos, eu tive uma experiência inesquecível. Aconteceu em um encontro sobre literatura para crianças, organizado pelo Instituto C&A e a Fundação Nacional da Literatura Infantil e Juvenil. Era uma palestra da professora Marisa Lajolo, uma das grandes especialistas em Monteiro Lobato e ela mostrou à plateia uma das cartas que o escritor enviou a uma leitora sua – faz parte de um grande acervo de correspondências dele, feito na Unicamp. 


O que aconteceu? Vi e li com ela a beleza da poesia de Lobato com as crianças. De como ele junta realidade e fantasia de um jeito que a gente se envolve na narrativa e não importa o que é o que. E daí que uma boneca de pano fala? E daí que um sabugo de milho é uma biblioteca ambulante? Mas, nesta carta, dá para notar que para ele brincar com isso, brincar com histórias, era o melhor meio de compartilhá-las. 


Conversando com a menina na carta, ele, no meio dela, sem aviso algum, escreve: “Li sua cartinha lá no Sítio do Picapau e a Emília disse: ‘Ela que venha aqui que eu tiro a prosa dela” – e como você disse que falava alemão, Emília pôs-se a aprender alemão depressa para não fazer feio quando você vier.” E ele continua falando sobre o Sítio, como se morasse ou vivesse lá por um tempo, e convivesse com os personagens. Claro, que escritor não mora em seus livros? E o trecho que mais gosto é o final: “Bem, a prosa está boa mas já é hora de tomar um café. Já me chamaram (e com bolinhos da Tia Nastácia). Por isso, adeus. Seja muito feliz e me escreva uma carta bem comprida e asneirenta como as de Emília.” Adoro este link que ele faz com o imaginário que faz a gente sentir o cheiro dos quitutes de Tia Nastácia! 


É difícil explicar o que é que Lobato tem. Arrisco dizer que ele fazia tudo com um amor, sobretudo, pelas histórias. Por isso criou esse universo que tanto amamos, e fez mais: “usou” Dona Benta para contar outras histórias, histórias que já existiam, clássicos. A Editora Globo lança agora uma outra caixa com os livros em formato 23,4 x 17,8 cm, ótimo para quem está explodindo de livros em casa. A caixinha compacta desta vez chama-se Monteiro Lobato Conta Outra Vez e vem com Histórias Diversas (R$ 149,90), Os Doze Trabalhos de Hércules, Histórias da Tia Nastácia, O Minotauro, Peter Pan, Dom Quixote das Crianças, Aventuras de Hans Staden e Fábulas. Cada livro tem um ilustrador diferente, o que também é um presente, pois nunca é demais ver Alcy Linares, Odilon Moraes, Elisabeth Teixeira, Luiz Maia e outros. Diversificar o olhar, diversificar o jeito de contar, compartilhar uma boa história, ressaltar estas pontes entre o real e o imaginário. É a gente acreditar na existência da Dona Benta e também acreditar em Peter Pan, no Minotauro. É imaginar um sítio que você pode encontrar, mas saber que aquele é especial. Este era o prazer de Lobato. Não percam a chance de embarcar nestas aventuras com ele. Se seu filho for muito pequeno, conte a história de outra forma, de pouquinho. Se for mais velho, troque com ele a vez de quem vai ler e aproveite. Aproveite muito!


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.


Fonte: Revista Crescer

sábado

Arte para bebês

Romero Britto, um dos maiores expoentes da pop arte, lança seu primeiro livro para crianças no Brasil


Nádia Mariano


Um mundo repleto de cores, formas, texturas e sentimentos. Esse é o cenário do livro-brinquedo, Onde Está o Urso da Amizade?, de Romero Britto. Em sua primeira obra infantil, lançada no Brasil, ele já lançou o livro My Alphabet Playbook nos Estados Unidos, o artista plástico pernambucano convida às crianças a viajar a partir de seus traços multicoloridos. Em entrevista a Crescer, Britto, que é pai de Brendan, com 22 anos, fala da importância de aproximar as crianças da arte. Confira:




CRESCER - Foi você quem o concebeu o projeto do livro “Onde Está o Urso da Amizade”? De onde surgiu a ideia? 
ROMERO BRITTO - Sim. Fui eu quem idealizei e acompanhei todas as etapas da produção. E a ideia de fazê-lo surgiu quando o meu filho ainda era pequeno, queria muito fazer um livro para ele, mas naquele momento minha arte não era madura o suficiente. 


CRESCER - Como surgiram os ursos que ilustram o livro? 
R.B. - Sempre gostei muito de ursos, desde criança, mas a primeira grande obra com essa figura foi feita a pedido da irmã do ex-presidente dos EUA, a Eunice Kennedy Shriver. Ela queria homenagear o filho e ao mesmo tempo presentear a cidade de Berlim e encomendou uma escultura de um urso que tem praticamente a altura de um poste. Isso foi há três anos, mas o urso só foi intalado há dois meses. A partir dela surgiram os personagens e a ideia do livro. 


CRESCER - Você acredita que esse livro aproxima as crianças do mundo das artes? 
R.B. - Com certeza. Porque elas vão crescendo com aquilo, criando uma conexão, começam a falar sobre arte desde cedo e certamente terão boas lembranças dessa fase. Além disso, o livro estimula o toque, explora as cores, isso traz alegria para o dia-a-dia das crianças, acho isso muito importante. Quanto mais feliz, mais aberto à criatividade, a arte traz isso, alegria e criatividade, isso traz liberdade de espírito e ajuda no desenvolvimento da criança. 


CRESCER - Como se sentiu ao ver seu trabalho em uma estante de livros infantis? 
R.B. - A sensação de que minha arte está sendo apreciada por seres humanos tão puros é maravilhosa. É realmente uma grande honra saber que os pais levarão minha arte até esses anjinhos, isso me deixa realmente muito feliz. Não vejo a hora de dividir minha arte com mais e mais pessoas. 


CRESCER - Quando você era pequeno, teve esse tipo de contato com as artes? 
R.B. - Comecei a pintar aos 8 anos, pintava como todas as crianças, não como hoje, mas foi quando comecei a gostar de arte. O primeiro artista que me fascinou foi o Francisco Brennand, eu gostava de ver os murais dele espalhados pela cidade inteira, depois comecei a conhecer outros artistas pelos livros, meu irmão vendia livros, e em um deles conheci o Michelangelo e a Capela Sistina, a partir daí nunca deixei de brucar inspiração para essa minha jornada. 


CRESCER - Como o menino pernambucano se tornou um expoente da pop art?
R.B. - Nasci em uma família grande, tenho 8 irmãos, mas de alguma forma sempre viveu em mim aquela esperança de que as coisas podiam melhorar. A arte foi uma grande ponte para mim, por isso acho importante que mais e mais pessoas tenham acesso a ela, porque ela dá oportunidades de criar e sonhar. Mas infelizmente ela ainda é um pouco restrita a pessoas com melhores condições financeiras. É como se só essas pessoas que têm dinheiro pudessem ir ao balé, ao museu, visitar uma galeria. Por isso, acho importante tornar a arte acessível.


Fonte: revista Crescer

quarta-feira

Livro questiona a palmada como forma de educação




CRESCER entrevistou a psicóloga Luciana Maria Caetano, autora do recém-lançado É possível educar sem palmadas?, que traz bons argumentos contra a violência dentro de casa


Heloiza Camargo


e você apanhou dos seus pais e, hoje, se considera uma pessoa educada, provavelmente deve achar que isso contribuiu para o seu sucesso, correto? Esse é apenas uma das questões levantadas em É possível educar sem palmadas? (editora Paulinas, R$ 24,70), da doutora em psicologia Luciana Maria Caetano. Mais do que dizer que ela não funciona, a especialista mostra quais caminhos os pais podem seguir para que consigam impor limites sem agressividade. O livro não traz fórmulas prontas, por isso, não pense que somente ele vai resolver os problemas de educação na sua casa. Deixe os seus pré-conceitos de lado e entre nessa reflexão com a gente. 


CRESCER: Por que dar palmada não funciona? 
Luciana Maria Caetano: Porque ela é falível. Nada garante que uma criança que apanha vai deixar de ter um comportamento inadequado. Pior: algumas crianças se acostumam com a palmada e não ligam mais quando os pais a ameaçam – o que significa que eles perderam a autoridade. Além, claro, do fato de que agressividade não faz bem. Vejo adultos que se indignam quando sabem de casos de violência, então por que alguns ainda acham normal bater numa criança? Não tenho dúvidas de que quando um pai bate numa criança ele mostra para ela que a violência é o meio de resolver os problemas, de que os mais fortes têm direito a bater nos mais fracos. 


CRESCER: Quais as conseqüências da palmada para as crianças? 
LMC: Primeiro, um argumento que ouço muito, é de pais que são a favor da palmada, de tapas, mas dizem que são contra a pancada. Mas como mensurar isso? Porque quando se está com raiva, é difícil medir a força. E a criança é frágil também. Além disso, a palmada gera na criança um sentimento de crédito: “fiz uma arte e, apanhando, paguei por ela. Agora estou livre para cometer novas”. É assim que os pequenos pensam. A palmada não é acompanhada de reflexão, do entendimento de que se faz a coisa errado. Por sua vez, os pais acabam distanciando-se dos filhos quando batem neles. 


CRESCER: Se um adulto recebeu esse tipo de castigo dos pais e acha que isso foi responsável pela sua boa educação, como convencê-lo do contrário? 
LMC: Essa é uma das perguntas mais difíceis de ser respondida. Hoje em dia vemos que, por conta do autoritarismo do passado, muitos pais foram para o caminho inverso, de não dar limite nenhum ao filho. E isso também é errado. Acho que os pais que creditam à palmada o fato de serem pessoas de bem na verdade o são por causa das regras claras que os seus pais impunham. Não encontrei nenhum adulto que tenha dito “ah, aquele dia foi muito especial para mim porque apanhei”. O que faz uma pessoa ser correta é a noção de certo ou errado que ela tem. Os pais do passado usavam a palmada para passar princípios, mas hoje sabemos que existem outras formas para isso. 


CRESCER: E como os pais podem impor regras e limites sem usar a palmada? 
LMC: Os pais precisam ser exemplo de justiça, respeito, dignidade, que são princípios universais. Não adianta falar para o seu filho não mentir se você próprio mente. Ou dizer para ele não ser agressivo se você explode em brigas no trânsito. Tem que explicar: "você escova os dentes porque isso é bom para a sua saúde". Frases como “se você não escovar eu vou te bater” ou “se você não escovar vou ficar triste” não são indicadas. Além disso, é essencial ser paciente. Educar uma criança exige paciência. Muitos pais usam a palmada porque esse é o caminho mais fácil. 


CRESCER: O castigo, sem palmada, é válido? 
LMC: Sim. Mas o castigo tem que estar diretamente relacionado com a “arte”. Sujou? Tem que limpar. Quebrou? No próximo final de semana não haverá passeio, pois o dinheiro será usado pra consertar. Nesse sentido, não dá para negociar com a criança e, quanto mais nova ela for, mais regras inegociáveis. Isso muda, claro, na adolescência. Os pais precisam voltar a ter firmeza. A historia do cantinho para pensar, para mim, não funciona. Especialmente para as crianças pequenas, até 6 anos. Elas ainda não têm raciocínio formal completamente desenvolvido e podem associar a ideia de que pensar é algo ruim. Alguns pais acham que a palmada é um jeito de castigar que vai resolver para sempre os problemas, mas não é bem isso, pois é a repetição que faz com que uma regra seja interiorizada e se torne um hábito. 


CRESCER: O que significa, para a sociedade, ainda ter uma geração inteira de crianças que apanham dos pais? 
LMC: Felizmente, eu não acredito em determinismo. As pesquisas são muito claras em mostrar que crianças que foram vítimas de agressão também se tornam mais agressivas, têm tendência a se tornar depressivas ou a se envolver com drogas. Mas é preciso lembrar que somos sujeitos ativos. Se mesmo com um ambiente familiar desestruturado a criança tiver oportunidade de conviver com modelos adultos de afetividade, na escola, por exemplo, acredito que ela terá chances de se tornar um adulto equilibrado e feliz. 

Fonte: Revista Crescer

domingo

Raí lança seu primeiro livro infantojuvenil, Turma do Infinito

O ex-jogador de futebol conversou com a CRESCER sobre a importância da literatura e da filosofia para as crianças
oi uma redação da neta Naira, hoje com 12 anos, que inspirou o ex-jogador de futebol Raí, 46, a escrever seu primeiro livro para crianças, Turma do Infinito (Ed. Cosac Naify, R$32). A história mostra o início da amizade de Sol, Filó, Sofia e Zen, que se encontram na escola e descobrem que fazem parte do mesmo mundo. Sim, o livro é baseado em filosofia e passa a mensagem de que juntos podemos mudar o mundo.

Em entrevista à CRESCER, Raí falou sobre a importância da literatura na infância e seus projetos sociais na ONG Fundação Gol de Letra, além de apresentar a neta, para quem dedicou seu livro de estreia.

quarta-feira

Quais são os hábitos de uma mãe feliz?

No livro The Ten Habits of Happy Mothers: Reclaiming Our Passion, Purpose and Sanity (Os Dez Hábitos das Mães Felizes: Recuperando Nossa Paixão, Propósito e Sanidade, em tradução livre), a pediatra Meg Meeker, mãe de quatro filhos já adultos, descreve o que acredita serem os pilares da felicidade materna. Inspire-se!





É sobre isso que se trata um livro recém-lançado nos Estados Unidos pela pediatra Meg Meeker. Na obra, ela relata como a pressão das mulheres que são mães atrapalha a sua felicidade e as dez maneiras de resgatá-la. Confira entrevista exclusiva da CRESCER com a autora








Você é uma mãe feliz? Não, não estamos de forma alguma questionando o quanto você é plena por ter tido filhos, mas, se como mulher, está realmente feliz. É sobre essa busca da realização na vida que a americana Meg Meeker, pediatra há 25 anos e mãe de quatro filhos já adultos, recém-lançou, nos Estados Unidos, o livro The Ten Habits of Happy Mothers: Reclaiming Our Passion, Purpose and Sanity (Os Dez Hábitos das Mães Felizes: Recuperando Nossa Paixão, Propósito e Sanidade, em tradução livre). Em entrevista exclusiva à CRESCER, ela conta que tem percebido que, nos últimos anos, as mães estão mais estressadas do que nunca e pensou no livro não como um guia de como ser uma mãe melhor e, sim, uma reflexão para as mulheres serem mais felizes. Mas o que é preciso, então, para encontrar o equilíbrio perfeito entre a maternidade e a vida pessoal? Abaixo, você confere trechos do nosso bate-papo com a escritora.

CRESCER – Por que você decidiu escrever The Ten Habits of Happy Mothers?
MEG MEEKER – Eu sou pediatra há 25 anos e tenho notado que, nos últimos dez anos, em especial, as mães estão mais estressadas do que nunca. Quase todas que eu vejo sentem que elas nunca fazem nada direito. Em resumo, sentem que não são boas o suficiente. Uma mãe me disse que eu deveria colocar no livro o título Mãe Não Boa o Suficiente. Nós sobrecarregamos nossos filhos, sobrecarregamos nós mesmas. Sentimos que, se eles tiverem sucesso, nós teremos sucesso. A verdade é que podemos ser excelentes mães independentemente do sucesso de nossos filhos. Cada vez mais as mães querem simplificar suas vidas, ter mais tempo para si, mas elas têm medo de cuidar delas mesmas. Meu livro dá a elas permissão para cuidar de sua felicidade. O velho ditado “Se a mãe não está feliz, ninguém está feliz” é pura verdade. Uma das melhores coisas que nós podemos fazer para nossas crianças é batalhar para nossa felicidade, porque nossa alegria transborda para a família.

C – O que você acha que mais atrapalha a felicidade das mães hoje em dia?
M.M. - A pressão dos colegas, creio eu, está no coração do estresse que as mães sentem. Quando nos encontramos com outras mães, nos avaliamos e tentamos descobrir o que elas estão fazendo melhor do que nós. Se os filhos de outras mães estão tirando melhores notas do que os nossos, sentimos que estamos falhando como mães. E isso não é verdade.

C – Você tem quatro filhos. Você acredita que hoje é mais feliz e tranquila do que na época em que teve seu primeiro filho? O que mudou?
M.M. – Claro que sim! Eu relaxei mais. E aprendi a confiar mais na minha intuição. As mães têm uma excelente intuição, mas a maioria tem medo de escutá-la porque temem que alguém as olhe de um jeito estranho ou que seus filhos vão se sentir diferentes. Conforme meus filhos cresceram, eu aprendi também que não temos que resolver todos os nossos problemas imediatamente. Eu aprendi que as coisas levam um tempo para serem resolvidas - e quando eu percebi isso, relaxei mais.

No livro The Ten Habits of Happy Mothers: Reclaiming Our Passion, Purpose and Sanity (Os Dez Hábitos das Mães Felizes: Recuperando Nossa Paixão, Propósito e Sanidade, em tradução livre), a pediatra Meg Meeker, mãe de quatro filhos já adultos, descreve o que acredita serem os pilares da felicidade materna. Inspire-se!

1 - Entender seu valor como mãe – Quantas vezes você já não colocou à prova o seu valor? Se é boa, ruim, fabulosa, se fica pouco com as crianças ou se é desvalorizada porque fica em casa... “Você não é um fracasso. Mas se sente assim. E estou confiante no que digo porque, como pediatra, meu trabalho é ver você e manter seus filhos saudáveis. E quando eu observo, eu vejo crianças que amam a sua mãe. Eu vejo como os seus filhos olham para você, seguram sua mão. E eu vejo você semelhante à forma como eles a veem – como uma mulher importante, amada e estimada”, diz Meg.

2 - Conservar suas amizades-chave - Quantas vezes você conseguiu bater um papinho com sua melhor amiga depois que seu filho nasceu? “A verdade é que, quando alguma coisa precisa ser cortada das nossas demandas diárias, amigos são os primeiros que vão. Algumas vezes, parece que a amizade é dispensável, desnecessária. (...) Amigos são uma necessidade.” No fundo, você sabe bem que tê-los ao seu lado é parte da sua felicidade. Mantenha-os por perto!

3 - Valorizar e praticar a fé - “Nós temos de colocar nossa fé em alguém porque somos incapazes de controlar a vida. Não podemos proteger as pessoas que amamos por simples vontade. Nos sentimos impotentes, porque somos.” Para a autora, cuidar da nossa vida espiritual (que sempre fica perdida em meio às tarefas do dia a dia) nos torna mais saudáveis. E ela deve ser praticada também por meio do olhar ao próximo.

4 - Dizer não à competição - “Cada uma de nós, mães, competimos com outras mães de alguma forma. (...) E muitas de nós nunca vão admitir que fazem isso. Competir com outras mães nos trazem três coisas: acende o ciúme, nos mantém em um estado constante de inquietação com nós mesmas e transforma nossos relacionamentos.” Lembre-se: você é a melhor mãe que seu filho pode ter. Mesmo!

5- Criar uma relação saudável com o dinheiro - Você bem sabe que dinheiro não é sinônimo de felicidade. Apesar disso, é difícil fugir do impulso de querer comprar o que pode para o seu filho? “A parte complicada de ser mãe é que dar é bom e natural, mas nós esquecemos de dar o que realmente importa para os nossos filhos (o nosso tempo, atenção e afeto), e gastamos energia pagando coisas para eles. (...) Se acreditarmos que o dinheiro é parte da vida, mas não a força motriz que nos torna felizes ou infelizes, se nós tomarmos medidas ousadas, veremos que o contentamento verdadeiro nunca tem um preço."

6 - Arrumar tempo para a solidão - Um momento só seu. Você precisa disso, não é egoísmo. Então, se dê um tempo e... nada de culpa! “A verdade é: nós precisamos de solidão. Da mesma maneira que não podemos sobreviver sem amigos, comunidade e família, também precisamos de um tempo saudável de equilíbrio para nos recarregarmos fisicamente, mentalmente, emocionalmente e espiritualmente.

7 - Dar e receber amor de forma saudável - Como ficou o seu relacionamento com o seu companheiro após o nascimento do seu filho? E a sua tolerância com ele no dia a dia? “Se estamos constantemente criticando nosso companheiro ou nossos filhos, criamos barreiras para nós mesmas. Reclamações não levam a nenhum lugar bom. Ao contrário, joga a relação para baixo. (...) As mães podem ser muito mais felizes se aprenderem a ignorar falhas de caráter, atitudes mal-humoradas, birras e focar na bondade de quem amam. Isso não significa que somos cegas. Mas que estamos dispostas a ver as falhas e fragilidades dos nossos entes queridos, mas apreciá-los e amá-los de qualquer maneira.”

8 - Encontrar formas simples de viver – E aqui se fala, em especial, na simplicidade interior! Entender que você não precisa dar conta de tudo, nem se pressionar a acertar sempre. “Viver simples significa viver mais. Isso não quer dizer abrir mão de coisas em nossas vidas que queremos e nos tornarmos mulheres com foco singular. Significa estabelecer prioridades”, diz Meg. É dar o valor real a que cada coisa merece.

9 - Deixar o medo de lado - É difícil, claro! Afinal, não queremos que nada de mal aconteça com nossos filhos. “Nós estamos nos preocupando mais do que no passado, e o mais importante, essa preocupação está nos esmagando. (...) Muitas neuroses são genuínas e baseadas em fatos, mas alguns de nossos medos não são bem fundados. Eu vejo muitas mães preocupadas com o sucesso de seus filhos quando eles já são bem-sucedidos. Elas se preocupam se eles estão magros, quando já estão. (...) A vida é muito curta. Temos muita vida para viver, apesar de todas as coisas ruins ao redor. Há muito mais coisas boas do que más e muito menos para se preocupar do que pensamos."

10 - Esperança é uma decisão. Decida! “A vida não pode ser sustentada sem esperança. A esperança demanda que acreditemos em duas coisas: no futuro – mesmo que ele seja breve – e na possibilidade de bons acontecimentos. Quando temos esperança, temos a convicção de que nossa vida vai ficar melhor do que é hoje. Melhoria, alegria, cura ou algo maior vão acontecer em breve”, diz Meg. E, quando temos filhos, é essa confiança em mundo melhor que devemos ter, não é mesmo?


Fonte: revista Crescer

sexta-feira

O papel dos avós na alimentação infantil






Sim! Eles são pais pela segunda vez, mas muito do que aplicaram com você anos atrás hoje não é mais recomendado para o seu filho. Novo livro tem como objetivo manter essa relação entre vocês sempre saudável


Todo mundo já ouviu que avós são pais pela segunda vez. O pediatra Fabio Ancona Lopez, com mais de 40 anos dedicados às crianças e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria – e avô também – decidiu mergulhar fundo nesse assunto e no papel que eles desempenham na alimentação das crianças. O estudo deu origem ao recém-lançado Avós e Netos, Uma Forma Especial de Amar – Manual de Sobrevivência (Ed. Manole, R$ 39), que tem ilustração da artista plástica Suppa, uma inspiração à parte. “Muitas orientações mudaram desde o tempo em que a avó foi mãe pela primeira vez. Eu mesmo já passei recomendações que não valem mais. Quanto mais os avós caminharem juntos com os pais, melhor”, afirma. Veja aqui três dicas para essa relação ser cada vez mais afinada:

- Se os avós ficam com a criança o dia todo, o ideal é que eles participem das consultas no pediatra. Assim, eles ouvem direto do especialista o que vale e o que não e podem questionar e aprender tudo junto com você.

- Aquela história de “na casa dos avós pode tudo” tem um fundinho de verdade. Se vocês visitam eles uma vez por semana, tudo bem quebrar algumas regras, como beliscar um pouquinho antes do almoço. Mas, se seu filho está lá todos os dias, aí vocês precisam combinar o que pode e quando.

- Sim, tudo o que eles fizeram deu certo e você cresceu de forma saudável. Mas eles precisam entender também que tudo o que é feito hoje – e as mudanças são baseadas em pesquisas e estudos importantes, como não bater papinha no liquidificador – também vai dar certo. Por isso, deixe com eles o que você lê, um caderno de receitas ou um livro incrível que você comprou. Vale lembrar que, apesar dos avós terem uma participação muito especial na formação e educação das crianças, a última palavra é sempre sua.


Fonte: Revista Crescer

quarta-feira

Livro Amamentação

AMAMENTAÇÃO - BASES CIENTÍFICAS 3 EDIÇÃO- 2010
CARVALHO, MARCUS RENATO DE/ TAVARES, LUÍS ALBERTO MUSSA
em sua terceira edição, tem como foco esse processo inato e essencial. Esta obra de abordagem transdisciplinar, engloba manejo clínico, políticas públicas, considerações fono-odontológicas e visão da fisioterapia e da bioquímica. Aborda também assuntos como prematuridade, metodologia Mãe Canguru, redes sociais de apoio e Banco de Leite Humano, sem se descuidar de pontos básicos como a anatomia, a fisiologia e a psicologia da ciência do amamentar.
O público ao qual a obra se destina é bastante amplo, abrangendo médicos, profissionais de enfermagem, nutricionistas, fisioterapeutas, odontólogos, farmacêuticos, psicólogos, sanitaristas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, engenheiros de alimentos, biólogos, biomédicos, antropólogos, gestores da área da saúde, além de apoiadores do aleitamento materno.

Capítulos

PARTE I — FUNDAMENTOS
1 Anatomia e Fisiologia da Lactação e do Sistema Estomatognático
2 Amamentação Exclusiva
3 Nutrição
4 Banco de Leite Humano

PARTE II — ATUAÇÃO
5 Amamentação: Enfoque Odontológico
6 Enfoque Fonoaudiológico
7 Atuação de Enfermagem
8 Anestesia e Analgesia de Parto: Impacto na Amamentação
9 Amamentação e o Continuum da Humanização
10 Aspectos Psicossexuais na Lactação
11 Enfoque da Fisioterapia
12 Mãe Canguru: Tecnologia Perinatal Humana
13 Situações Especiais do Lactente
14 Lactações em Condições Especiais da Nutriz
15 Infecções e Vacinas na Nutriz
16 Drogas e Amamentação

PARTE III — POLÍTICAS
17 Políticas Públicas em Aleitamento Materno
18 A Mulher Trabalhadora e a Prática de Amamentar
19 Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação: Histórico e Desafios
20 Grupos de Apoio: De Mulher para Mulher – As Relações Necessárias Entre Amamentação e Grupos de Mães
21 Fórmula Infantil: Ingredientes, Mimetizações, Signos e Mercado
22 Pesquisas em Aleitamento Materno no Brasil
23 Manejo Ampliado da Amamentação

Autores
Edimilson Migowski
Elza R. J. Giugliani
Erly Catarina de Moura
Gabriela Dorothy de Carvalho
Honorina de Almeida
Luiz Eduardo R. de Carvalho
Marcia dos S. Dias
Marcos Leite dos Santos
Maria Inês Couto de Oliveira
Maria Teresa Cera Sanches
Marina Ferreira Rea
Philip O. Anderson
Raquel da Rocha Pereira
Raquel N. Tamez
Ricardo Herbert Jones
Sergio Cecchetto (in memoriam)
Soraia Drago Menconi
Vitória Pamplona
Wilson Mello Júnior
Novos Autores
Aline Melo-de-Aguiar
Ana Basaglia
Bruna Santiago Pugliese
Cristiane Faccio Gomes
Cyda Maria Albuquerque Reinaux
Fabíola Cassab
Francesca Felici
Kézia de Oliveira
Márcia Maria Tavares Machado
Rosane Valéria Viana Fonseca Rito


Organização
Marcus Renato de Carvalho Médico Pediatra. Mestre em Saúde Pública. Docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de
Medicina da UFRJ. Consultor Internacional em Aleitamento Materno pelo IBCLE. Editor do site www.aleitamento.com
Luís Alberto Mussa Tavares Médico Pediatra pela SBP. Membro do Comitê Permanente de Apoio e Proteção ao Aleitamento Materno de Campos dos Goytacazes. Plantonista da Unidade Neonatal do Hospital dos Plantadores de Cana de Campos. Coordenador do Grupo de Apoio a Família da UTI Neonatal Nicola Albano em Campos dos Goytacazes.

sábado

Livro infantil tem nova técnica em braille

Coleção põe no mercado método diferente de impressão de livros para deficientes visuais, com desenhos em alto relevo, texturas e aromas

Adélia acordou com fome. Mas é domingo, a mamãe e o papai estão dormindo. Adélia faz bastante barulho, para ver se eles acordam. Bate com o pé no chão e nada. Abre e fecha a porta e nada. Balança o chaveiro e nada. Qual o pai e a mãe de filho pequenos que não viveu essa situação? E como é bacana encontrar em um livro infantil uma história assim, simples e boa da família se identificar? Mas no livro Adélia Cozinheira, escrito por Lia Zat e com ilustrações de Luisa Weiss, há algo além de um bom roteiro: o livro foi idealizado e publicado por um novo método de impressão em braille que vai permitir a edição em grandes tiragens, e é adequada tanto para quem é totalmente cego, quanto para quem tem visão subnormal ou normal.

Tudo começou quando a escritora Lia Zatz conheceu um pai em uma livraria que procurava livros para sua filha deficiente visual. Lia começou a pesquisar o assunto no Brasil até que uma amiga em comum apresentou-a a designer gráfica Wanda Gomes, que também estudava o mesmo assunto. A coincidência aproximou as duas e em 2006 elas começaram os testes com o apoio técnico da Efeito Visual Serigrafia, uma gráfica de renome em São Paulo. “Esses testes eram sempre levados à apreciação das várias instituições, profissionais e educadores na área da deficiência visual. Em paralelo, fiz um curso de pós-graduação em design gráfico e os fundamentos teóricos me deram a segurança necessária para seguir em frente com o projeto de design e do sistema que batizamos de Braille.BR”, diz Wanda Gomes.

Adélia é o primeiro livro de uma coleção. Na história, a pequena Adélia vive momentos de autonomia em casa tentando preparar um café da manhã de surpresa para os pais. Além do texto em braille, a ilustração também permite à criança descobrir do que o texto está falando, com desenhos em alto relevo, texturas e aromas (dá para sentir o cheiro de xampu em uma das páginas!). O livro recebeu incentivo da IBM Brasil através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, e, por enquanto, será distribuído em escolas e bibliotecas que atendam deficientes visuais. Wanda conversou com CRESCER.

CRESCER: Como é o mercado de livros em braille pelo mundo?
Wanda Gomes: O sistema braille é um sistema de escrita e leitura tátil que muito pouco se alterou desde a sua aprovação oficial, em 1854, no que diz respeito aos processos de impressão. Os livros impressos aqui no Brasil e no mundo, seja através de processo manual, computadorizado ou estereotipia gravam os sinais através de perfuração ou melhor, de um repuxo que produz alto relevo de um lado e baixo relevo do outro lado da folha de papel.

CRESCER: E como é o mercado no Brasil?
WG: O mercado ainda é extremamente carente, há muito o que fazer. E pessoalmente, acredito que este livro não esgota de maneira alguma as possibilidades gráficas para a pessoa com deficiência visual, mas é a prova concreta da existência de uma área com grande potencial de trabalho para o design gráfico. Não tenho dúvida alguma de que através das ferramentas que o design nos oferece, podemos projetar materiais com a finalidade de alterar e democratizar significativamente os meios de acesso da pessoa com deficiência visual à cultura e à educação.

CRESCER: Qual o impacto desta tecnologia a partir de agora? O que vocês pretendem? Vão compartilhar essa tecnologia com outras editoras e ir atrás de bons títulos de literatura infantil no Brasil ou a ideia é criar somente novas histórias?
WG: Desejamos compartilhar, sim, e desejamos com esse projeto sensibilizar o mercado editorial, chamando a atenção para um nicho que é carente de produtos de qualidade. Esse sistema de impressão pode inclusive, ser aplicado sobre outros materiais além do papel.

CRESCER: Qual a principal diferença entre o modo que é feito livro em braille hoje e o que você idealizou?
WG: As três maiores diferenças entre o braille impresso de maneira convencional e o Braille.BR é, primeiramente, que este último não perfura o papel. Assim, o papel fica totalmente preservado e a impressão offset (impressão em tinta) também. A impressão do Braille.BR pode ser feita em ambos os lados da folha de papel. É impresso com um tipo de verniz totalmente transparente e isso dá um resultado final na impressão de altíssima qualidade, e os pontos da cela braille não atrapalham a leitura da pessoa que enxerga.
Outro fator é que os pontos da cela no Braille.BR não cedem com a pressão dos dedos como acontece no braille convencional. Assim, o Braille.BR confere ao livro uma vida útil muito mais longa do que o braille comum.

E ainda: o Braille.BR possibilita a combinação e utilização de texturas também com verniz e relevo. Com certeza, esse processo permite ao designer utilizar mais a sua criatividade no projeto de um livro ou outros materiais similares e oferecer ao deficiente visual informações muito mais ricas.

CRESCER: O livro será comercializado? Haverá algum tipo de ação social/educacional com ele?
WG: Essa primeira edição está sendo distribuída gratuitamente para entidades e bibliotecas públicas com acervo em braille. Algumas instituições educacionais do setor já nos procuraram com propostas de inclusão do livro em atividades de sala de aula.
Estamos já trabalhando na produção uma edição comercial para meados de 2011.

CRESCER: Quando teremos o próximo?
WG: Simultaneamente à segunda edição do Adélia Cozinheira, estamos trabalhando também na produção do segundo volume da coleção Adélia.

Fonte: Revista Crescer

sexta-feira

Quem faz o que na sua casa?

Um casal norte-americano criou uma espécie de programa para fazer a tão sonhada divisão de tarefas funcionar na prática. Em entrevista exclusiva à CRESCER, eles mostram como você pode começar essa mudança

Não adianta negar. Quem nunca discutiu pelas tarefas de casa e as responsabilidades com as crianças? E vamos ser realistas. As mulheres são as que mais gastam tempo com isso. Ninguém gosta de ficar reclamando, mas as mães, ainda hoje, ficam com boa parte do trabalho – quando não com o pacote completo. Nos Estados Unidos, esse debate ganhou fôlego graças ao casal Marc e Amy Vachon. Cansados de brigar pelas mesmas coisas sempre (!), eles decidiram colocar em prática um projeto, o Equally Shared Parenting (algo como Divisão Igualitária de Tarefas, em tradução livre), em que os dois se responsabilizam igualmente pelos afazeres domésticos e os cuidados com os filhos, Maia, 8 anos, e Theo, 5. A mudança chegou, claro, à vida profissional. Cada um fez ajustes na rotina de trabalho para que o plano de dividir tudo (e ainda ter um tempinho para tocar projetos pessoais) funcionasse. Vendo que o projeto dava certo, casais amigos passaram a pedir dicas para os dois. Para dar conta dos pedidos, eles criaram um blog e, mais tarde, um site (http://equallysharedparenting.com). Com esse material em mãos, eles aproveitaram para lançar um livro, que tem o mesmo nome do projeto. A obra traz muitas dicas e discute o papel de cada um. É importante dizer que se na sua casa o esquema é outro, e funciona para vocês, tudo bem. Em entrevista à CRESCER, Marc e Amy contam como fazer você pode fazer dar certo. E eles acreditam, mesmo, na divisão de tarefas: a entrevista, concedida por e-mail, foi escrita pelos dois, juntos.



CRESCER: Qual é o primeiro passo para a divisão de tarefas dar certo?

Marc e Amy Vachon: Antes de mais nada é preciso lembrar que o objetivo é compartilhar a felicidade de criar os filhos (e, claro, cuidar da casa). Recomendamos que os casais organizem seus horários de modo que se torne natural partilhar alguns dos grandes trabalhos, como cozinhar e fazer as compras de supermercado. A mãe pode chegar em casa primeiro às segundas e quartas-feiras para conseguir fazer o jantar nestas noites, e o pai sair mais cedo às terças e quintas-feiras para se encarregar da cozinha. Aqui em casa temos até uma agenda com os dias da semana que cada um coloca as crianças na cama, e aos domingos são elas que escolhem quem vai fazê-las dormir. A ideia não é criar um plano imutável, mas garantir que nós dois tenhamos tempo suficiente com nossos filhos. É importante não se concentrar na comparação de quanto tempo cada um gasta em cada trabalho. Isto conduziria à infelicidade, que é o oposto que a divisão tenta criar. Se alguém percebe que ele ou ela está fazendo a mais, então essa pessoa pode trazer o tema para a discussão.

C.: O que pode atrapalhar essa mudança?

M. e A.: Como a maior parte do trabalho fica sempre com as mães, um erro comum é quando elas pensam que estão deixando de exercer “controle sobre o pai” no momento que começam a dividir o trabalho. Por exemplo: ela “deixa” o marido fazer o jantar ou vestir as crianças, mas sutilmente o critica com a desculpa de ajudá-lo a fazer do jeito dela. Já o pai precisa que a mulher o lembre, a toda hora, do que precisa ser feito. Outro erro é decidir que a mãe tem que ficar em casa porque o custo de pagar uma babá é muito próximo ao salário dela, em vez de comparar o valor desse serviço com o salário total de ambos pais e achar uma outra solução, como a redução de jornada. Tendo mais tempo para ficar em casa, eles não precisariam de uma babá.

C.: Como a mãe pode se controlar para não falar para o pai que ele deveria fazer as coisas de outro jeito?

M. e A.: Ah, isso não é fácil mesmo. Eu, Amy, digo que devemos lutar contra esse sentimento “de controle”. Você precisa se lembrar do que quer: ou seu marido dividindo tudo com você ou as coisas sendo feitas da maneira que você quer. Marc sempre me avisa quando começo a agir como o chefe da casa.

C.: Mas, para algumas coisas, os dois não devem ter o mesmo discurso? Como decidir se pode ou não ver televisão antes de dormir?

M. e A.: É importante que cada pai tenha liberdade para fazer as coisas do seu próprio jeito, mas, claro, as regras de como a casa funciona devem ser as mesmas. O exemplo da hora de dormir é muito bom. Cada um pode colocar o filho na cama da maneira como desejar, mas o horário tem de ser o mesmo. Em casa temos as nossas regras também, como o tipo de comida que é saudável para as crianças. Mas o lanche que vai na mala do passeio é uma escolha individual!

C.: A maior queixa contra os pais é que muitos deles não se envolvem tanto quanto poderiam...

M. e A.: Aqui nos Estados Unidos, e talvez no Brasil seja a mesma coisa, as expectativas da sociedade sobre o homem são muito menores que sobre a mulher quando se fala em criação dos filhos e tarefas domésticas. O homem que leva o filho ao parque é um herói, mas a mulher que faz a mesma coisa só está fazendo o trabalho dela como mãe! Para mudar, o pai pode começar fazendo simplesmente mais do que o pai dele fazia. Ele precisa estar disponível às crianças tanto quanto sua mulher e se responsabilizar por metade das tarefas, como levar os pequenos ao dentista de rotina ou voltar do trabalho para cuidar do filho doente.

C.: Como o pai pode falar com o chefe e pedir para ficar em casa quando a criança não está bem?

M. e A.: Da mesma maneira que a mãe faz (e já fez por décadas). A barreira é muito mais cultural do que prática, porque ele pode continuar trabalhando de casa ou estar disponível no celular. Significa que ele vai ter de ser corajoso, calmo e firme na hora de fazer o pedido, e dizer que é importante para ele.

Dicas práticas para a mãe:
• Durante a licença-maternidade, deixe algumas tarefas (como dar banho e cortar unhas) para o pai fazer quando ele voltar do trabalho.
• Não o deixe de fora das decisões, das mais simples às mais difíceis. Em alguns casos vai ser mais fácil resolver tudo tendo mais uma pessoa pensando junto.
• Não lembre o que ele precisa fazer (a não ser que seja uma emergência) nem prepare nada, como lanchinho ou mala com roupas extras, quando ele sair sozinho com as crianças.
• Altere os dias que cada um acorda para ver o filho que está chorando. Ainda que ele diga que não ouve o bebê, você vai ver como o problema do “ouvido seletivo” que ele aparenta ter vai melhorar!
C.: O que um casal deve levar em conta antes de pedir por mudanças no trabalho, como redução da jornada?

M. e A.: Primeiro, imagine como seria a condição de trabalho ideal e como essa mudança se encaixaria na rotina de vocês. Leve mais de uma solução no momento de discutir com o chefe. Se você estiver bem preparado, vai saber quando aceitar uma solução diferente que ele possa oferecer ou se é o caso de achar um emprego mais flexível. Felizmente, achamos que as empresas estão reconhecendo os benefícios de permitir que seus empregados organizem seus próprios horários. Isso pode garantir a longevidade do profissional, porque ele vai ficar mais feliz onde está. Muitas vezes o cronograma perfeito não é possível de imediato. Talvez pequenas mudanças, como sair mais cedo às terças e mais tarde às quintas-feiras, dê aos pais opções para ficarem sozinhos com os filhos em dias alternados da semana. Se não der certo, persista com seus pedidos, mesmo que a primeira resposta (ou a segunda, ou a terceira...) seja “não”. O chefe pode permitir que o funcionário mude a agenda temporariamente ou a título experimental. Essa é uma boa maneira de caminhar para uma solução.

C.: Se essa reestruturação der certo, a mulher vai ter um tempo livre. Mas muitas mães sentem culpa em usar parte desse tempo para projetos que não envolvam o filho...

M. e A.: Uma família feliz começa com pais felizes, e o melhor presente para o seu filho é mostrar que você pode cuidar de si mesmo. Tenha certeza que seu companheiro ou companheira também vai usufruir desse benefício. Quando tomamos o tempo para nós mesmos, estamos ensinando a nossos filhos que a vida adulta pode ser divertida. Por isso também é importante que vocês tenham momentos a dois. Vale contratar uma babá para passar a noite na sua casa, deixar as crianças com os avós ou com os amigos próximos e até relaxar depois que elas dormirem. A diferença de fazer isso quando a divisão de tarefas funciona na sua casa é que você não vai se sentir supercansado no final do dia.

C.: E quando algo der errado? Por exemplo: era o dia do pai sair com os amigos e a mãe ficar com as crianças, mas ela tem um imprevisto no trabalho e vai voltar tarde.

M. e A.: Quando essa situação acontecer, a mãe sabe que seu parceiro é perfeitamente capaz de cuidar dos filhos e deve perguntar se ele pode assumir esse dia. Ele provavelmente vai precisar fazer o mesmo em algum momento, e vai gostar de saber que pode contar com ela. Desde que essas trocas não se tornem desequilibradas – uma pessoa sempre decepcionando o outro com mudanças inesperadas –, ligações ocasionais para pedir pequenas mudanças são apenas sinais de que a parceria está funcionando bem.

C.: As crianças reconhecem a divisão de tarefas?

M. e A.: Elas não entendem a importância desse projeto de vida, mas sabem qual pai faz o que – e às vezes até escolhem um dos dois para alguma coisa. As crianças podem querer que um pai faça mais por dois motivos: ou porque gosta do jeito dele ou porque ele é mais flexível com algumas regras. Você tem de controlar isso. Mas aí você pode perguntar: e quando a criança chora no meio da noite e pede por um dos pais? Ainda assim, falamos aos nossos filhos que nós dois podemos cuidar deles naquele momento, e às vezes ficamos juntos nessa hora.

C.: Tratar das finanças é sempre complicado. Como fazer para que o pai não sinta que esse papel é só dele?

M. e A.: O homem tem de entender que a carreira da parceira é tão importante quanto a dele. É preciso começar a pensar em ambos parceiros como provedores de igual importância, mesmo que uma pessoa ganhe mais dinheiro do que a outra. Se sempre optamos pelo que tem o salário maior ou o cargo com mais prestígio, a diferença só vai aumentar ainda mais ao longo do tempo e logo a relação está desequilibrada.

C.: Se vocês pudessem listar os maiores benefícios da divisão de tarefas, quais seriam eles?

M. e A.: A mulher não seria sempre “a” pessoa (e a única) responsável por criar uma criança e fazer as tarefas de casa. Ela poderia continuar a carreira sabendo que o filho está sendo cuidado por outra pessoa (o marido) que ama a criança e que é igualmente capaz de criá-la. Já o homem deixaria de ser o único responsável por manter financeiramente a família. É também a oportunidade de criar um relacionamento íntimo e diário com seus filhos enquanto eles crescem. Para o casal, é a chance de ter uma parceria com pilares verdadeiros, em que um compreenda e entenda completamente o outro.

Dicas práticas para o pai:
• Se seu filho acabou de nascer, tente ficar em casa o maior tempo possível. Além da licença-paternidade, tire férias, use dias do banco de horas ou veja se é possível trabalhar meio período nesse começo.
• Não use o seu trabalho como desculpa para não acordar de madrugada e acalmar o bebê.
• Leve a criança para passear de carrinho – sozinho. É um tempo para vocês dois se conhecerem melhor e para a nova mãe descansar.