Mostrando postagens com marcador Parto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parto. Mostrar todas as postagens

terça-feira

3 mitos sobre o parto


Você escuta muita coisa sobre o nascimento do bebê durante a gravidez, mas o que realmente é verdade?
Crescer





Uma vez cesárea, sempre cesárea
Se o seu primeiro parto foi assim, o segundo pode ser normal, desde que mãe e bebê estejam bem. Mas isso não é o que parece acontecer segundo um estudo norte-americano, feito com 155 gestantes que esperavam o segundo filho. Quando questionadas, elas diziam que não sabiam que poderiam tentar o parto normal porque... seus médicos não davam essa informação. Por isso é tão importante conversar com seu obstetra e ter total confiança nele. Vale lembrar que a cesárea é indicada se os dois partos anteriores forem assim, porque aí há risco da parede do útero, onde ficaram as cicatrizes, romper. 


Ter o bebê em casa é seguro
Ninguém pode dar essa garantia. Ainda que mãe e filho estejam saudáveis, é preciso montar uma megaestrutura para a hora do nascimento, que inclui desde ter multiprofissionais (como parteira, assistente e pediatra), até um contato que permita que uma ambulância chegue na sua casa e no hospital em instantes. Uma pesquisa feita pela Universidade de São Francisco (EUA) mostrou que os bebês das mulheres que dão à luz em casa têm mais chances de ter complicações no pós-parto justamente porque faltou a infraestrutura necessária, e aí a criança corre riscos. 


Prematuro só nasce de cesárea
Não é regra – e vai depender da condição da mãe e do bebê. Em alguns casos é possível, sim, que ele nasça de parto normal. Mais um estudo norte-americano mostrou que a cesárea pode ser prejudical porque aumenta as chances de a criança ter problemas respiratórios. Isso não aconteceria no parto normal, porque, durante o trabalho de parto, o organismo do bebê entende que precisa se preparar para nascer, e aí melhora a adaptação do sistema respiratório. Outro benefício é que o bebê prematuro não é tão manipulado como na cesárea. Mas essa decisão só cabe à equipe médica. 


Fonte: Silvia Regina Piza F. Jorge, obstetra e ginecologista, professora-assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

sexta-feira

Cesariana X Cicatriz: Existe solução?





O número de cesarianas realizadas no Brasil tem superado o de partos normais. De acordo com o Ministério da Saúde, de 2010 para cá cerca de  52% dos partos nacionais foram cirúrgicos, mas qual a diferença entre um e outro? Sabemos que os benefícios dos partos normais são inúmeros, isso vai desde uma melhor recuperação da mulher até o vínculo estabelecido entre a mãe e o filho durante o parto. Já a cesariana requer cuidados com a recuperação,  pode ocasionar sangramentos, infecções, além é claro das tão indesejadas cicatrizes. tão indesejadas cicatrizes. 


Essas marcas podem tomar uma proporção muito maior do que conhecemos. Muitas mães não sabem que até mesmo o atrito da pele com a roupa pode prejudicar essa cicatriz levando a uma inflamação podendo se tornar uma quelóide (cicatriz espessa, elevada e de superfície lisa que ocorre somente na pele).


Muitos são os cuidados que a mãe deve ter após a cesária. Segundo o cirurgião plástico Dr. Bernardo Hockman, especialista em tratamento de cicatrizes e quelóides e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP, é preciso ter atenção com o repouso: “Esforços físicos precoces podem levar a aberturas parciais (ou até total) da cicatriz o que é chamado de deiscência dos pontos. Isso tudo porque a cicatrização pode levar em torno de 12 a 18 meses.”


Veja abaixo as principais dúvidas sobre cicatrizes e quelóides esclarecidas pelo Dr. Bernardo Hockman:
1 - Quais as principais complicações estéticas que uma cicatriz de cesárea pode apresentar? Em quanto tempo ocorre a cicatrização de uma cesárea?
A cicatrização da pele de uma cesárea ocorre entre 10 a 14 dias; entretanto, o processo de amadurecimento da cicatriz, ou seja, de atingir seu aspecto final e sua resistência a trações se prolonga por um período de 12 a 18 meses. As complicações de uma cesárea podem surgir por esforços físicos precoces das mamães, levando a aberturas parciais (ou até total) da cicatriz (chamada de deiscência dos pontos). Essas aberturas, se não corrigidas, geralmente resultam em defeitos estéticos como retrações cicatriciais (afundamentos localizados), que podem até causar dor em certos movimentos pela aderência (fibrose) da cicatriz cutânea nos músculos, e também podem deixar as cicatrizes mais alargadas. Essas aberturas ou esforços musculares precoces e excessivos também podem facilitar que a cicatriz da cesárea torne-se do tipo hipertrófica ou até com quelóide (que serão explicadas mais adiante). 


2 - A cicatriz pode inflamar? O que ocasiona essa inflamação? 
Qualquer cicatriz pode inflamar, inclusive de cesárea. Os fatores que podem levar a uma inflamação na cicatriz são “encravamento” de pêlos na cicatriz em formação (principalmente os pubianos no caso de cesáreas), reação inflamatória ao fio de sutura e esforços físicos precoces.   


3 – O que é cicatriz hipertrófica? 
É uma cicatriz elevada decorrente de uma resposta cicatricial exagerada da pele a uma intervenção cirúrgica ou ferimento. Essa cicatriz não ultrapassa o trajeto ou a extensão da incisão ou ferimento inicial. Apresenta tendência à regressão. A cicatriz hipertrófica é sobrelevada em relação à pele, avermelhada e usualmente com coceira espontânea. A freqüência de cicatriz hipertrófica é, provavelmente, maior que do quelóide. A cicatriz hipertrófica pode ocorrer em qualquer idade, mas tende a se desenvolver mais freqüentemente na puberdade e adultos jovens, sendo mais rara em pessoas acima dos 60 anos de idade.


4 - O que é o quelóide e quando acontece? 
O quelóide é uma cicatriz espessa, elevada e de superfície lisa que ocorre somente na pele (e apenas em humanos). Se estende para os lados em relação à incisão cirúrgica ou ferimento inicial, formando verdadeiras nodulações na cicatriz.  O quelóide ocorre em ambos os gêneros, embora com discreta predominância em mulheres. É mais comum em pessoas afro-descendentes (incluindo pardos ou mulatos) e em pessoas de origem oriental, embora também ocorra em pessoas brancas. Não existe quelóide espontâneo, e as lesões sem causa aparente são provocadas por ferimentos minúsculos não percebidos pelo paciente como pequenas espinhas; cicatrizes de catapora, furúnculos, feridas aberta que cicatrizaram sem que houvesse sutura, ou com infecção, também são causas comuns de quelóide.


5 - O atrito promovido pela roupa pode prejudicar a cicatriz? 
Sim, o atrito pode prejudicar uma cicatriz pela inflamação crônica que causa, e conforme a sensibilidade pessoal da pele. Esse fator inflamatório é agravado por roupas de tecido sintético como a base de poliéster ou microfibra, mas pode facilmente ser prevenido utilizando vestimentas de algodão ou linho. Em cicatrizes mais recentes de cesárea o uso de calcinhas de algodão torna-se obrigatório em todas as mulheres.


6 - Caso a cicatriz apresente problemas o que a paciente deve fazer? 
Na presença ou mesmo suspeita de que há algo errado na cicatriz você deve imediatamente procurar seu cirurgião, pois é o profissional mais apto a lhe ajudar e porque mais conhece você. No período pós-operatório mais recente (cerca de 15 dias), os sinais mais freqüentes que podem levantar suspeita são vermelhidão súbita na cicatriz ou na pele ao redor, com ou sem aumento da temperatura local, presença de gotas de qualquer tipo de líquido ou secreção saindo pela cicatriz, abertura de ponto(s) de sutura(s) ou parada de saída de liquido através de drenos quando houver. Os sintomas mais freqüentes são dor e/ou coceira excessiva. Mais tardiamente, a partir de 1 mês, você deve-se ficar mais atento a uma vermelhidão persistente da cicatriz, aumento do relevo da mesma, endurecimento do tecido embaixo da cicatriz (fibrose subcutânea), além de coceira persistente. As ocorrências desses fatores podem predizer a evolução para uma cicatriz hipertrófica ou eventualmente até quelóide. Fique atenta!


7- Quais os tratamentos disponíveis para tratar cicatrizes? 
Como o mecanismo biológico que causa a formação de cicatrizes hipertróficas e quelóide ainda não está completamente esclarecido, os tratamentos ainda não são totalmente específicos. Ao contrário do quelóide onde o tratamento cirúrgico, sempre que possível, é a opção mais indicada, nas cicatrizes hipertróficas a retirada cirúrgica não é a primeira opção. E, para isso, dispõe-se de recursos, além dos tradicionais métodos de compressão elástica contínua por um período de 10 a 16 horas por dia por determinado tempo. O quelóide que está em fase de atividade clínica, ou seja, quando se apresenta avermelhado, com coceira e/ou dor, e/ou crescimento não deve ser operado. Nessa situação, a probabilidade da formação de um novo quelóide é muito alta, mesmo quando realizados outros tratamentos complementares à operação. Por isso, é mais conveniente aguardar uma fase de menor atividade ou de inatividade clínica para retirá-lo, ou seja, quando a lesão parar de crescer e não apresentar coceira ou dor. Para isso, orientamos o paciente a utilizar medidas para amenizar o desconforto, como aplicação de corticóide ou compressão elástica. Contudo, atualmente dispomos de outros recursos tecnológicos para encurtar a fase de atividade clínica, como laser de baixa potência ou eletroterapia, dentre outros, para o tratamento cirúrgico ter mais chance de ser bem sucedido.


8 – O que é betaterapia? 
A betaterapia consiste em irradiar muito superficialmente a nova cicatriz da retirada cirúrgica de quelóide, por meio de uma placa radioativa contendo átomos de estrôncio. A aplicação da betaterapia geralmente é iniciada após 24 a 48 horas da cirurgia. Esse procedimento visa diminuir a formação de fibras colágenas, que é a base do “cimento da cicatriz”, e que está muito aumentado no quelóide.


9 – Quando a infiltração é indicada e quais são as suas contra-indicações? 
A infiltração (injeção intralesional de corticóide, ou seja, injetar o medicamento dentro de um tecido ou lesão) é indicada no quelóide em atividade clínica (vermelhidão, coceira, dor ou em crescimento). O corticóide de escolha chama-se acetonido de triancinolona. A infiltração é contra-indiciada em quelóide inativo (atrofiado e sem sintomas), ou que apresentem ulcerações com ou sem infecção associada, e em quelóide com excesso de “vasinhos” (telangectasias). A infiltração tampouco deve ser realizada em cicatriz hipertrófica, porque o corticóide afrouxando intensamente o grau de compactação das fibras de colágeno pode causar alargamento da cicatriz, resultando numa cicatriz mais plana, porém espraiada e de aspecto atrófico e inestético.


10 - As pomadas com corticóide são usadas com muita frequência.  Existem contra-indicações? 
Outrora as pomadas com corticóide (antinflamatório esteróide) já foram muito utilizadas. Porém, esse tipo de pomada pode não diminuir a espessura da cicatriz e causar um afinamento da superfície (epiderme) da cicatriz hipertrófica e do quelóide; com isso, após um período de uso superior a 1 mês, as cicatrizes costumam ficar muito avermelhadas e com a presença de pequenas e inestéticas veias (“vasinhos”). Atualmente, como fruto das intensas pesquisas científicas e com o advento de novos recursos, deixou-se a pomada com corticóide como uma 2ª opção, apenas para os casos com intensa coceira, ou quando não for possível utilizar outro tipo de tratamento.


11 - Muitos médicos recomendam o uso de uma fita de silicone para evitar problemas com a cicatriz. Como esse tipo de material pode colaborar no tratamento? 
Independente de todos os tipos de tratamento até aqui citados para cicatrizes hipertróficas e quelóide, a fita de silicone deve ser aplicada, via de regra, nessas cicatrizes, e por isso é tão recomendada por muitos médicos. A oleosidade natural da pele, fabricada por glândulas sebáceas, é responsável, dentre outras funções, pela manutenção da hidratação da pele (chamada barreira cutânea ou epidérmica). As cicatrizes não possuem glândulas sebáceas, ou seja, são secas na sua superfície, independente do grau de oleosidade da pele ao redor. E, assim sendo, a água evapora continuamente através da cicatriz desidratando ainda mais o seu interior. Para que exista maior aporte de água na cicatriz ocorre uma dilatação dos vasos sanguíneos locais; contudo, essa água também evapora pela ausência da camada oleosa, e a cicatriz permanece desidratada, avermelhada e, portanto, inflamada, além de inestética. Por isso, é essencial a utilização de fitas ou lâminas de silicone sobre essas cicatrizes, mantendo um nível contínuo e mais adequado de hidratação das mesmas. Entretanto, a utilização de fitas de silicone não deveria ser restringida apenas ao tratamento de cicatrizes patológicas, mas também na prevenção de quelóide após remoção cirúrgica. A fita de silicone também deve ser aplicada em qualquer cicatriz, inclusive normal, oriunda de qualquer tipo de intervenção cirúrgica. Com esse recurso, mesmo cicatrizes normais teriam seu período de avermelhamento encurtado, e a qualidade final da cicatriz seria muito melhor.


12 - Quando e por quanto tempo a paciente deve utilizar essa fita? 
O tempo de uso até o resultado varia de acordo com o tipo e idade da cicatriz. No quelóide e em cicatrizes hipertróficas a fita de silicone deve ser utilizada por um período longo, de muitos meses ou anos, conforme indicação do médico. Em cicatrizes normais as fitas deveriam ser utilizadas a partir do 1º ou 2º mês pós-operatório, ou a critério médico, e pelo menos até o amadurecimento final da cicatriz, que ocorre em média entre 12 a 18 meses após a operação, ou conforme indicação médica. Uma fita de silicone chamada Medgel deve ser utilizada entre 10 a 16 horas/dia, ou conforme indicação médica. A fita não incomoda e pode ser reutilizada após lavagem, devendo ser diariamente higienizada conforme orientações do fabricante.

13- Existe também uma pomada de silicone. Qual a diferença em relação a fita? 
A pomada é recomendada para regiões que não tenham contato com as roupas ou em locais com dificuldade técnica em utilizar a fita, como no umbigo. Caso contrário, basta usar a versão em tira no local afetado.


14- Exposição ao sol pode piorar o aspecto da cicatriz? 
A irradiação ultravioleta do sol é um agente fortemente agressivo à pele e pode acarretar transtornos durante o processo de cicatrização. Por isso, não se deve submeter a pele ao sol antes de uma intervenção cirúrgica.  Essa irradiação também agride uma cicatriz, podendo predispô-la mais comumente a uma pigmentação (cicatrizes escuras), ou a uma despigmentação (cicatriz mais clara que a pele, principalmente em afro-descendentes), podendo desencadear cicatrizes hipertróficas quando há excessiva exposição dos raios solares.


15- A cicatriz não desaparece, mas existem pessoas que apresentam cicatrizes menos aparentes. Quando isso acontece? 
As cicatrizes são menos aparentes em regiões de pele mais fina (face e pálpebras), em regiões de pele submetidas à menor tração por contração muscular (face de dentro dos braços, nádegas), em pessoas com menor oleosidade na pele e em pessoas idosas (a pele é mais fina e ressecada).

Divulgação: Rojas Comunicação

quinta-feira

Partos pelo mundo

A população mundial chegou a 7 bilhões no fim de outubro de 2011. Mas cada gravidez e cada parto continuam sendo únicos para a mulher, não importa onde ele aconteça. CRESCER reuniu dados curiosos e ouviu histórias de diversos países para contar como é a realidade, a cultura e a emoção da chegada do bebê. Afinal, mãe é tudo igual, mas o endereço muda bastante coisa no final das contas!


Cíntia Marcucci. Ilustrações Ni



Foi no dia 31 de outubro de 2011 que a ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou que havíamos atingido o número de 7 bilhões de pessoas na Terra. E começou então uma concorrência entre vários países para saber onde havia nascido o bebê símbolo desse marco histórico. Seria Danica, menina de Manila, das Filipinas? Ou Piotr, menino russo, de Kaliningrado? Sem uma definição oficial da entidade, como houve em 1987 e em 1999, ao atingirmos 5 bilhões e 6 bilhões, alguns países acabaram por ter o seu próprio representante da data.

Mas o que muda se esse bebê é russo, filipino, ou se nasceu na África, na América do Sul ou na Europa? No sentimento de cada mãe e pai, pouca coisa. Afinal, a chegada de um filho é motivo de orgulho, de alegria e de emoção, seja no idioma e na cultura que for. Já em termos culturais, o endereço, ou melhor, a latitude e a longitude, fazem toda a diferença. Então, vamos chamar esse tal bebê simplesmente de Bebê. Se ele for brasileiro, por exemplo, muito provavelmente nasceu por meio de uma cirurgia cesariana. O Brasil é o país com maior taxa de partos cesáreos no mundo, com um índice que chega a 52% do total de nascimentos (de acordo com reportagem publicada em 20 de novembro pelo jornal Folha de S.Paulo, usando informações da Datasus). Quando se fala apenas da rede particular, chega a 84,5% – dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), de 2008.

Fosse Bebê uma menina brasileira, ninguém estranharia se as orelhas tivessem brincos. Já na Inglaterra, isso nem passa pela cabeça da maioria dos pais. Bebê podia até receber olhares tortos na rua. “Os ingleses acham que furar as orelhas é um tipo de mutilação e as meninas só fazem isso depois de mais crescidas. Além do mais, bebês com orelhas furadas são mais comuns nas classes sociais menos favorecidas”, contou a espanhola Rebeca Julio, mãe de Adrián, 1 ano e 5 meses, que vive e teve seu filho em Londres.
México e Itália têm 40% de taxa de cesáreas. Já na Noruega é de 16% e na Bolívia, 19%, segundo o Unicef. A Organização Mundial de Saúde recomenda entre 10% e 15% o número de partos cirúrgicos
Dois iguais

Bebê teria mais chance de nascer junto com outro bebê na África Central. Em Benin, por exemplo, a taxa de gêmeos é de 27,9 por mil, quando a média mundial é de 16 por mil nascimentos. O dado é de um estudo feito em colaboração entre um cientista holandês e um britânico, publicado em outubro no periódico Plos One. Já na Ásia e na América Latina é mais difícil irmãos dividirem o espaço no útero: a média nessas regiões é de oito gêmeos para cada mil nascimentos.

Agora, sempre existe a chance de estar tudo preparado, mas alguém furar a fila. E se Bebê fosse um desses apressadinhos, teria boas chances de ser norte-americano. Nos Estados Unidos, a taxa de prematuros (nascidos antes da 37ª semana) é de 12,7%, de acordo com dados do governo do país divulgados em 2009. Aqui no Brasil o índice é de 6,7% (Datasus, 2008).

Lá, Bebê provavelmente teria um chá de bebê, mas com o nome em inglês, baby shower. E você sabia que não é em todo lugar que as novas mães recebem presentes antes de o bebê nascer? Há povos que só não fazem a festa, há outros em que dar um presente antes do bebê nascer é considerado de mau gosto ou que atrai má sorte. Isso ocorre na Grécia, por exemplo. E em várias regiões não se visita os bebês na maternidade. “Aqui na Inglaterra assim que o bebê nasce quem cuida é a mãe. Não tem isso de ficar no berçário, receber visita na maternidade. Até porque, se está tudo bem e o parto foi normal, a mulher e o bebê voltam no mesmo dia para casa”, explica Ana Livia Karagiannis, uma brasileira que vive desde 1994 em Londres, onde teve seus dois filhos, Nina, 10 anos, e Nicolas, 11, e trabalha como intérprete de português. Ela, inclusive, faz interpretação de pré-natal e parto e já acompanhou o nascimento de mais de uma dúzia de filhos de brasileiras, portuguesas e angolanas. Esse serviço é gratuito para as mulheres, quem paga é o governo inglês e, mesmo que se tenha um marido ou parente que fale inglês fluente, se a mulher não fala, eles preferem ter um intérprete para que o lado emocional não interfira na comunicação.

No caso de um parto normal e sem complicações, se Bebê fosse inglês, espanhol ou australiano, por exemplo, quem o ajudaria a vir ao mundo não seria um médico obstetra, mas sim uma “parteira”. Chamadas de midwifes, em inglês, e comadronas, em espanhol, são enfermeiras especializadas em obstetrícia que só chamam os médicos em caso de real necessidade e urgência, como quando é necessária alguma intervenção ou a cesariana. Como a maioria dos partos nesses paí-ses é feito na rede pública de saúde, quem atende as grávidas é a equipe de plantão, como é feito aqui no Sistema Único de Saúde, e não como é no nosso serviço particular, em que o obstetra que faz o parto é o mesmo que acompanha toda a gestação. E, inclusive, as consultas são feitas com os médicos que estão na escala de trabalho do dia da consulta e não sempre com um mesmo profissional. Viu só como um endereço no mapa-mundi pode mudar muita coisa?
Na Inglaterra, a taxa de nascimentos em casa é de 2,7% e o sistema de saúde público cobre os custos de um parto domiciliar. A Holanda é o país com mais nascimentos desse tipo: 24%.

Amamentação para todos

O primeiro e único alimento que o bebê deve receber até os 6 meses de idade é o leite materno, tenha ele nascido aqui ou na China. É isso o que recomenda a Organização Mundial de Saúde. Tanto que, para as mães que não podem amamentar, foram criados os bancos de leite materno. O primeiro do mundo começou a funcionar em Viena, Áustria, em 1900, e o segundo em Boston, EUA, dez anos depois.

No Brasil, eles existem desde 1943, com o primeiro no Rio de Janeiro. De lá para cá, o país se tornou referência nesse assunto: temos hoje 203 bancos de leite humano e a nossa rede foi reconhecida como a maior e mais complexa do mundo pela OMS Saúde por meio do Prêmio Sasakawa, conferido em 2001. As nossas equipes técnicas ajudam, inclusive, a implantar bancos em diversos países, como Angola e Nicarágua.

Mesmo com tudo isso, a média de aleitamento exclusivo por aqui ainda está bem abaixo do ideal, de apenas 2,2 meses, de acordo com dados da própria OMS, de 2009. “Só 10% dos bebês recebem aleitamento exclusivo até os 6 meses e 23% chegam até o quarto mês. Ainda é pouco tempo”, diz Luciano Borges Santiago, presidente do departamento de aleitamento materno da Sociedade Brasileira de Pediatria. Na Suécia, 12,3% são amamentados até pelo menos os 6 meses, segundo a OMS.

Em alguns países não é natural que se amamente em público. Este ano, uma britânica foi expulsa de um ônibus por amamentar e casos semelhantes já ocorreram nos Estados Unidos. Já na Espanha, a maioria das pessoas não vê problema quando a mãe precisa alimentar seu filho. Aqui, embora alguns casos isolados tenham provocado polêmica e manifestações este ano, para a tranquilidade das mães e dos bebês há bastante tolerância para o aleitamento em locais públicos.




clique na imagem para ampliar


Fontes: Alejandra Panizzo, argentina; Ana Livia Karagiannis, brasileira que mora em Londres, Inglaterra, é intérprete de parto; Anna Werner, australiana; Jane Sandall, professora de ciências sociais e saúde da mulher do King’s College, de Londres, Inglaterra; Leticia Mato, uruguaia; Valeria Seco, uruguaia que nos ajudou com tradições e histórias de seu país; luciano borges santiago, presidente do departamento de aleitamento materno da sociedade brasileira de pediatria; Rebeca Julio, espanhola, mora em Londres

quarta-feira

O emocional pode impedir o parto normal?

Medo do parto é um sentimento comum de toda gestante, claro. Mas e quando isso se transforma em pânico a ponto de prejudicar a vida de mãe e bebê?
Bruna Menegueço



A vida dá voltas, você sabe bem. Em uma dessas, Elaine* foi demitida do emprego. Separou-se do marido e desenvolveu síndrome do pânico. Algum tempo depois, voltou a procurar sua obstetra em desespero. Estava grávida. O pai da criança a abandonara, a família a recriminava.

Por conta dos remédios fortes que tomava, estava preocupada com risco de má-formação do bebê. E mais: Elaine perdeu o convênio médico e não tinha condição sequer de pagar por um ultrassom. Assim, não pode fazer o acompanhamento da gravidez com sua ginecologista até então, a doutora Carolina Ambrogini, de São Paulo. Foi, então, que passou a fazer o pré-natal em um hospital público, com outra especialista.

Morando de favor na casa do ex-marido, a aproximação do parto deixou Elaine ainda mais abalada, com crises de insônia e ansiedade. O pânico era por ter de fazer o parto normal. Diante do desespero de sua paciente, a ginecologista Carolina Ambrogini, de São Paulo, decidiu escrever uma carta à obstetra, responsável pelo pré-natal de Elaine, informando a situação de sua paciente. A especialista ressaltava o pedido de um parto cesárea para amenizar a fobia de Elaine por parto normal.

No entanto, a especialista que agora acompanhava a grávida foi taxativa: cesárea só com indicação! E crises de pânico e insônia não são consideradas indicações para a cirurgia. Nesse momento, Elaine quis abandonar o pré-natal. Assim, Carolina pediu um favor pessoal à plantonista para que fizesse a cesárea de Elaine. E conseguiu!

Cada parto, uma história

Falar de parto normal e cesárea é uma discussão antiga e uma das decisões mais difíceis da gravidez. Mesmo as gestantes que não passam por dificuldades durante a gravidez podem se sentir inseguras. Mas até que ponto o lado emocional tem de ser considerado um impedimento para o parto normal?

Para o ginecologista e obstetra Abner Lobão, da Universidade Federal de São Paulo, após esgotar todas as possibilidades de convencer a gestante sobre os benefícios do parto normal - que sempre deve ser considerado - e diante dos problemas emocionais da gestante, é hora de trabalhar com a possibilidade de um parto cesárea. “Não é porque a doença não é visível, como uma perna quebrada, que não pode ser considerada indicação para o parto cirúrgico”, diz o especialista.

O papel do profissional que acompanha a mãe, segundo o obstetra Eduardo de Souza, do Hospital e Maternidade São Luiz (SP), é orientar sobre as opções de parto e estar apto a dar toda a assistência, mas essa decisão deve ser da mulher, levando em conta a experiência que quer viver, seus medos e vontades. "O lado emocional abalado é capaz de impedir o sucesso do parto normal. A paciente descarrega tamanha tensão na corrente sanguínea que a dilatação não acontece", diz.

Durante a gravidez, a mulher fica ainda mais sensível em relação às emoções por causa das oscilações hormonais, junto com a insegurança e os medos da novidade de se tornar mãe. “Se a gestante já passou por algum tipo de trauma ou desenvolveu um medo por parto normal, o efeito do estresse não vai permitir que ela entre em trabalho de parto. E mais: o estresse pode causar transtornos emocionais ao bebê”, diz a terapeuta de família Ana Lúcia Castello, do Hospital Infantil Sabará (SP). O pânico pode, ainda, se estender no pós-parto, prejudicando a amamentação e deixando a mulher mais suscetível a ter depressão.

Para vencer o medo

Mas isso não significa que a cesárea seja a única – e melhor – opção para as mulheres com o emocional fragilizado. “Com o tratamento psicológico adequado, informação sobre os riscos e benefícios, apoio do médico e da família e anestesia para que a gestante não sinta dor, é possível mudar de ideia e ter sucesso com parto normal”, diz Lobão. De quebra, essa mulher, ao vencer um obstáculo tão grande para ela, pode se tornar uma pessoa muito mais segura em sua vida e com o bebê também.

Foi assim com a leitora Talita Salustiano, que comentou sobre o assunto no Facebook da CRESCER. “Eu sempre tive medo de parto normal, por isso, decidi logo marcar a cesárea. Durante a gravidez, meu obstetra conversou muito comigo sobre os benefícios do parto normal, e, como uma peça do destino, minha filha nasceu dois dias antes do previsto e de parto normal", conta. "Eu me senti capaz, foi importante para mim.”

Leia também: Fiz o parto da minha filha

A obstetriz Ana Cristina Duarte, coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, por outro lado, é bem enfática em sua opinião. Para ela, não existe nenhum motivo para a mulher escolher o tipo de parto, nem mesmo uma depressão ou qualquer outro problema que abale o emocional. “O parto normal é instintivo. Ele é como a digestão, você não escolhe como ela deve ser feita. Ela simplesmente acontece”, diz. São apenas dois, segundo a obstetriz, os motivos que pedem indicação de cesariana: quando o bebê está sentado e quando a placenta tampa o cólo do útero.

Independentemente do tipo, o conceito de normal vai além: envolve uma experiência onde tudo corre dentro do esperado, com a mãe o bebê em boas condições. "Por isso, o mais importante é respeitar a história de vida de cada gestante, seus medos, desejos e angústias e fazer o melhor para trazer ao mundo com saúde uma nova vida”, resume a ginecologista Carolina.

*O nome foi trocado para preservar a identidade da personagem.

Fonte: Revista Crescer

sexta-feira

Espere seu bebê querer nascer



Alguns estados americanos estão criando regras para que o parto cesárea não seja mais feito antes das 39 semanas. Saiba por que é importante entrar em trabalho de parto e veja quais são os riscos de agendar a data da cesárea - para você e para o seu filho também


Ana Paula Pontes e Isis Coelho




Sim! Alguns dias fazem muita diferença na vida do bebê. É claro que existem exceções quando a gestação passa das 39 semanas ou, então, quando há realmente um motivo médico para que uma cesárea seja feita. No entanto, o aumento exponencial do número de cesáreas eletivas (aquelas realizadas sem nenhuma necessidade), tendo como consequência bebês com problemas, tem engatilhado uma série de alertas dos médicos sobre essa irresponsabilidade – no Brasil e no exterior. 


Nos Estados Unidos, segundo noticiou a Time, hospitais na Georgia, Flórida e Ohio vêm discutindo sobre o parto cirúrgico feito antes de 39 semanas. No Texas, por exemplo, para limitar os partos antes dessa época, uma legislação começou a entrar em vigor no dia 1o deste mês. Mas será que esse é mesmo o melhor caminho? 


Para Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês (SP), esse tipo de lei significa um descrédito total da medicina. “Não deveria ter uma norma, e sim moral de todos os médicos. É ensinado em qualquer faculdade de medicina os aspectos fisiológicos do bebê na gravidez (e os riscos de ele nascer fora da hora). Então qualquer cesárea agendada sem razão e que resulte em alguma situação com o bebê é passível de processo”, diz. E reforça: “O que acontece é que, na maioria das vezes, por conveniência de algumas mães e médicos sempre há uma justificativa, mesmo que errada.” 


Segundo Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein (SP), apesar do viés desse tipo de ação dos hospitais americanos ser mais no sentido de proteção e responsabilidade legal, a consequência é boa para o bebê. “Criou-se uma cultura de que o bebê está pronto com 37 semanas, porque para fins de trabalhos científicos não consideramos prematuro a partir dessa época. Só que o momento ideal de ele nascer é quando a mulher entra em trabalho de parto, nunca antes disso”, reforça Alexandre.


Tem que esperar, sim!
Logo na primeira consulta com o obstetra, você fica sabendo em qual provável semana seu bebê vai nascer, certo? E aí já começa a planejar o enxoval, a calcular de que signo ele vai ser, ver se o aniversário dele será perto de algum feriado... Até aí, tudo bem. O problema é que muitas mulheres acabam usando essa estimativa para agendar a data do parto e fazer a chamada cesárea eletiva. Com medo do parto normal, por falta de orientação profissional ou até mesmo por comodidade, a data do nascimento, muitas vezes, acaba sendo decidida previamente. E, se por um lado isso ajuda a família a organizar a chegada do bebê, por outro, a data fixa pode levar ao parto antes do tempo ideal porque não se pode descartar um possível erro no cálculo gestacional.


“É importante esperar que a mulher entre em trabalho de parto pois isso indica a maturidade do bebê e evita maiores complicações tanto para a mãe quanto para a criança”, afirma Wladimir Taborda, doutor em medicina pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da CRESCER e autor de A Bíblia da Gravidez (CMS Editora). Se o parto for antes da hora, a criança pode desenvolver problemas respiratórios e, até mesmo, ter de passar alguns dias em uma UTI neonatal para compensar o período em que deveria ter ficado no útero.


Uma recente pesquisa mostra consequências ainda mais graves. Conduzido por cientistas da March of Dimes Foundation, organização não governamental norte-americana que encabeça diversas campanhas contra o nascimento prematuro nos Estados Unidos, o estudo analisou 46 milhões de partos. Os pesquisadores concluíram que o risco de morte é maior para os que nascem antes da 39ª semana em comparação com aqueles que chegam até o final da gestação. A taxa de mortalidade infantil foi de 3,9 para cada mil bebês nascidos vivos a partir da 37ª semana, e de 1,9 para na 40ª semana. Como você viu, mesmo que ele não seja prematuro (ou seja, nasça antes da 37ª semana), não significa que esteja pronto. E, como a cesárea é uma cirurgia, a mãe também corre riscos, como infecção, laceração acidental de algum órgão abdominal, trombose, embolia pulmonar ou hemorragia.


Ninguém está dizendo para se deixar de fazer cesáreas. Esse é um procedimento que salva vidas mas, segundo especialistas, só deve acontecer raramente (veja o quadro) . Em casos de diabetes gestacional ou problemas de pressão arterial, o médico também precisa avaliar. Caso vocês cheguem à conclusão que a cesárea é mesmo necessária, espere pelo menos o seu bebê indicar que quer nascer. O ideal é aguardar pelas contrações (que podem acontecer até a 42ª semana), sempre com acompanhamento do obstetra.


Quando a mulher entra em trabalho de parto, o bebê passa por uma preparação para nascer que começa com as contrações uterinas. Elas funcionam como um alerta para a criança, que passa a liberar substâncias para o amadurecimento final do próprio organismo, como o hormônio corticoide, que age no pulmão – se você estiver em trabalho de parto e for preciso uma cesárea de emergência, a criança já vai estar com o organismo mais pronto. Além disso, o seu corpo também estará mais preparado para amamentar graças a hormônios liberados no trabalho de parto. A segunda etapa ocorre no parto. Quando o bebê passa pelo canal vaginal, os pulmões dele sofrem uma compressão que ajuda a eliminar líquidos e fluídos que possam causar algum desconforto respiratório posterior. É por tudo isso que não vale a pena agendar uma cesárea.


Se você ficou aflita porque agendou o parto do seu bebê ou se estava pensando nessa possibilidade, tente manter a calma: você ainda tem tempo. A primeira atitude é conversar com seu companheiro e com o médico que acompanha você. Diga que deseja esperar pelo trabalho de parto. Como você viu, desde que suas condições de saúde e do bebê estejam normais, não há motivo para desistir. E aproveite para discutir com ele sobre o tipo de parto. Se você não ficar convencida que ele vai tentar o parto normal, veja se não é o caso de procurar a opinião de outro especialista ou até trocar de médico. “Bons profissionais estimulam uma segunda opinião e, inclusive, essa pode ser uma prática saudável para ajudar a diminuir a incidência de cesáreas eletivas no país”, afirma Taborda.


A CESÁREA É INDICADA QUANDO...
• Há sofrimento fetal ou o bebê tem problemas de crescimento.


• Há placenta prévia (quando essa se interpõe entre o bebê e o colo do útero) ou deslocamento prematuro de placenta.


• Existe uma obstrução vaginal (tumor).


• A mãe tem herpes genital e a lesão está ativa até um mês antes do parto.


• Em casos de gestações múltiplas (não é regra).


• A abertura da mãe for pequena para o tamanho do bebê.


• A criança está na posição atravessada ou deitada e não foi possível virá-la para a correta.



Alguns estados americanos estão criando regras para que o parto cesárea não seja mais feito antes das 39 semanas. Saiba por que é importante entrar em trabalho de parto e veja quais são os riscos de agendar a data da cesárea - para você e para o seu filho também


Ana Paula Pontes e Isis Coelho




Por que tantas cesáreas?
O Brasil, infelizmente, é campeão nesse ranking. Enquanto para a Organização Mundial da Saúde o índice aceitável seria 15%, dados do Ministério da Saúde mostram que no Sistema Público de Saúde ela representa 37% dos partos, e pasme: em alguns dos hospitais mais renomados de São Paulo, o número pode ultrapassar a casa dos 90%, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos da Prefeitura de São Paulo. São multifatoriais as causas que justificam esses altos números.


É verdade que existem casos de mulheres que já chegam na primeira consulta dizendo que não querem tentar parto normal porque ouviu da prima de um amigo que uma mulher teve muita dor durante o parto normal. “O médico não pode se calar diante dessa situação. É preciso conversar com o casal e mostrar que muitos dos temores são infundáveis, e isso deve acontecer durante todo o pré-natal”, afirma Eduardo Souza, obstetra, da Universidade Federal de São Paulo. Mas não se pode dizer que as gestantes são as únicas responsáveis por essa situação.


Os estudos, aliás, contradizem essa percepção. Eles mostram que o parto natural faz parte dos planos da maioria no início da gestação, mas elas acabam desistindo da ideia por falta de informação ou desestímulo do médico que a acompanha ou familiares. Luciana Ivanike Isolani, 30 anos, conta que durante sua primeira gestação nem cogitou a possibilidade de tentar o parto normal. “O médico me desencorajou durante todo o pré-natal dizendo que eu não teria dilatação suficiente. Me senti completamente incapaz.”


Um motivo que explica esse grande número de cesáreas é que esse é um procedimento em que os médicos se sentem no controle da situação, justamente por ser uma cirurgia. “Os profissionais se sentem mais seguros”, afirma Gene Declercq, professor doutor do Departamento de Ciências da Saúde Comunitária da Universidade de Boston (EUA). Outro aspecto é a praticidade, tanto para as mães quanto para os obstetras. O médico consegue se organizar para fazer mais de um parto em um só dia, e não ficar horas acompanhando um único trabalho de parto. “Não é raro que a operação aconteça em dias úteis e em horário comercial, o que reforça a comodidade do agendamento. É comum ocorrer picos de cesáreas em vésperas de feriado”, afirma Maria Esther Vilela, obstetra, coordenadora do Departamento de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde.


E ainda tem um dos pontos mais polêmicos, o fator financeiro. “Por ser uma cirurgia, a cesárea gera um custo maior e, consequentemente, paga melhor”, afirma Souza. A Agência Nacional de Saúde Suplementar afirmou à CRESCER que o fator cultural, ou seja, a mulher não querer o parto normal, é o determinante para o cenário atual, e não apenas a remuneração dos médicos. Mas, com a data agendada, o especialista tem outra vantagem: ele não precisa perder as consultas do consultório.


Para mudar esse cenário, nos últimos anos a humanização dos partos passou a ser discutida por diferentes setores da sociedade. De acordo com Declercq, para que seja realmente significativa, a mudança deve ir além de questões estruturais. “Colocar fotos bonitas na parede e melhorar a cortina do quarto não é suficiente para definir a humanização do parto. É preciso que os profissionais transformem suas práticas, respeitando as decisões da mulher, as encorajando e interferindo somente quando necessário.” Para que você faça a melhor escolha, informação e confiança no seu médico é que vão fazer a diferença. Não queira nada menos que o melhor para você e para o seu bebê.


BENEFÍCIO DO PARTO NORMAL PARA A MÃE
Você já conhece vários motivos, não é? Uma pesquisa norte-americana revelou mais um: mulheres que entram em trabalho de parto e têm os bebês pelo método natural se sentem mais seguras e tranquilas do que as que fazem cesárea.


Outras fontes: A Bíblia da Gravidez (CMS Editora); Arthur Habib, anestesista do Hospital São luiz (SP); Melania Amorim, professora de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal de Campina Grande (PB).; Martha Oliveira, gerente geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar


http://revistacrescer.globo.com

quarta-feira

Celebridades se unem em ação para prevenção de parto prematuro




O ato, encabeçado pela ONG norte-americana March of Dimes, consiste em customizar peças exclusivas de jeans que serão leiloadas. O objetivo é alertar sobre a importância de o bebê nascer no tempo certo. Confira ainda dicas de como prevenir um parto antes da hora


Ana Paula Pontes


Com o objetivo de alertar sobre a importância da prevenção do parto prematuro, celebridades e estilistas que são mães, como Laila Ali, Heidi Klum, Naomi Watts, Jewel, Nicole Sullivan, Diane Farr, Camila Alves, Busy Philipps e Kaitlin Olson, se uniram para criar um jeans exclusivo para as mulheres. A peça, customizada pelas famosas, serão leiloadas no site Celebrities 4 Maternity Denim. A ação é uma iniciativa entre a March of Dimes, organização não governamental norte-americana, e a Destination Maternity, rede de lojas de roupas, para ressaltar o quanto é fundamental que o bebê comece sua vida no tempo certo. 


O leilão, que começou no dia 25 de agosto, segue até o dia 22 de setembro, cujo lance inicial é de 300 dólares. “Agora as mães podem ficar ainda mais deslumbrantes em um jeans customizado pela sua celebridade favorita”, disse em nota Jane Massey, vice-presidente da March of Dimes. 


A ONG espera, assim, chamar a atenção mais uma vez sobre um dos principais fatores que aumentam as chances da prematuridade: o agendamento de uma cesárea sem necessidade. Confira outros alertas importantes: 


- Vá ao ginecologista com rotina e, principalmente, para programar a sua gravidez; 


- Marque sua primeira consulta de pré-natal assim que desconfiar de que possa estar grávida e compareça a cada uma delas. Vá mesmo que você esteja se sentindo bem; 


- Se você fuma, pare já. Apesar de que o ideal é parar com o vício antes de engravidar. Evite também o fumo passivo; 


- Não beba bedidas alcoólicas; 


- Converse com seu médico sobre os remédios que você está tomando; 


- Drogas, remédios à base de ervas e agressões também oferecem riscos. Busque ajuda; 


- Tente reduzir o estresse (OK, a gente sabe que não é tão fácil assim). Peça ajuda de amigos e família. Descanse e relaxe sempre que você puder; 


- Se você sentir queimação ou dor quando for urinar, pode ser infecção. Ligue para o seu obstetra. 


Fonte: March of Dimes
Revista crescer

sexta-feira

Nove passos para uma gestação saudável e feliz

Expectativa, ansiedade, alegria e emoção. Essas quatro sensações descrevem bem a Maternidade, um momento único e muito especial tanto para a futura mamãe, quanto para o futuro papai. A chegada de um herdeiro é a realização de muitas mulheres e casais e vem acompanhada de dezenas de dúvidas – desde a escolha do nome do bebê até a alimentação ideal da gestante. A seguir, o ginecologista e obstetra consultor da CordCell – Células-Tronco do Cordão Umbilical e diretor da Maternidade do Hospital Samaritano (SP), Dr. Edilson da Costa Ogeda, ajuda as mamães – principalmente aquelas de primeira viagem – a ter uma gestação saudável e feliz: 


PASSO 1 - QUANDO ENGRAVIDAR?
Primeiramente, o filho deve nascer no coração, ou seja, o planejamento consiste em se ter o desejo profundo de gerar uma nova vida. Quando este desejo já existe, deve considerar as condições para o aumento da família: a estrutura familiar, aspectos financeiros, de moradia e, o mais importante, a grande afinidade entre os pais. “As mudanças serão gigantescas: a intimidade do casal sofre muito com o novo estilo de vida; não há aquela liberdade para sair a qualquer momento; a vida sexual também sofre com as mudanças; o diálogo fica prejudicado, pois as conversas giram em torno apenas do bebê. Todas estas mudanças podem muito bem ser superadas pelos casais que tem uma cumplicidade e um diálogo franco e aberto”, diz Ogeda.
Segundo o especialista, a melhor forma de se preparar para receber um filho seria buscar informações nas mais variadas fontes, como livros sobre o assunto e conversas com amigos e familiares. Buscar identificar os casais que tiveram problemas e como saíram deles; as histórias vencedoras e as perdedoras. “A orientação psicológica, quando necessária, poderá dar as ferramentas que o casal precisa para enfrentar as dificuldades”, afirma.
Planejamento é fundamental. Desde um preparo prévio de saúde do casal (exames de check-up, prevenção etc), até o uso de ácido fólico três meses antes da data provável em que o casal deseja tentar engravidar, passando pelas questões financeiras, trabalho, moradia e estrutura familiar. Não é necessário ter muito dinheiro para se ter filhos; mas é fundamental ter um amor incondicional um pelo o outro, e este amor contaminará o bebê que está a caminho. 



PASSO 2 – ESTOU GRÁVIDA! E AGORA?
Quando se tem a confirmação da gestação em curso, o obstetra é bombardeado com uma avalanche de perguntas: Para quando será o parto? Parto Normal ou Cesárea? Menino ou menina? O bebê é perfeito? Você vai pedir ultra-som? Entre outras. 
Cada uma dessas perguntas vão sendo respondidas e a cada etapa que se passa, mais e mais perguntas vão surgindo. Em linhas gerais, a gravidez tem seu curso influenciado por uma série de fatores. Por isso, a grávida deve ter o cuidado de fazer um rigoroso acompanhamento pré-natal. Deve fazer todos os exames laboratoriais e de ultra-som solicitados pelo médico obstetra; deve ter uma alimentação equilibrada e balanceada, a fim de ganhar entre 9 e 12 kg; comer pouco e com intervalos menores e beber bastante líquido durante todo o dia, o que favorece a digestão, o funcionamento intestinal e diminui o risco do ganho de peso excessivo; manter uma atividade física regular, quando não houver contra-indicações, como caminhada, natação, hidroginástica ou ioga.



PASSO 3 – SEXO E GRAVIDEZ: QUAL É O PROBLEMA?
De uma forma geral, quando não houver contra-indicações de cunho médico, a vida sexual pode e deve ser mantida. Muitos casais ficam com medo de ter relações sexuais pensando que isso poderá acarretar alguma complicação à gestação ou ao bebê, mas isso não passa de um fantasma. A mulher grávida pode se sentir até mais apta para a atividade sexual; outras mais indispostas. “O casal deve conversar e se amar da forma desejada neste período”, afirma o médico.
Mas, quando realmente a relação sexual deve ser proibida na gravidez? Quando a gestação apresentar risco de abortamento ou de parto prematuro; doenças clínicas maternas que podem se agravar na gestação (cardiopatias ou hipertensão grave); presença de ruptura de bolsa ou qualquer sangramento genital de origem ainda não diagnosticada.



PASSO 4 – ALIMENTAÇÃO E GRAVIDEZ
O organismo materno passa por grandes transformações durante a gestação, e do ponto de vista nutricional, uma verdadeira revolução. As necessidades nutricionais são elevadas neste período e podem impactar o crescimento e desenvolvimento fetal. O ganho de peso durante a gravidez sofre influências das fases da gestação, como por exemplo, perder até 3 kg no primeiro trimestre (efeitos dos enjôos, náuseas, vômitos e inapetência típica deste trimestre). Tudo isso pode desaparecer a partir da 12ª semana de gestação. Ao todo se espera que a mulher venha a ganhar entre 9 e 12 kg dependendo do seu peso pré-gestacional.
Ela deve fazer de 5 a 6 refeições ao dia (café da manhã; lanche da manhã; almoço; lanche da tarde; jantar e ceia); comer pouco e várias vezes ao dia; deve beber bastante líquido (cerca de 2 litros de água diariamente); preferir nas refeições maiores saladas, legumes e grelhados; não exagerar nos carboidratos e substituir os doces por frutas. Segundo Ogeda, “as deficiências nutricionais podem acarretar aumento nos índices de abortamentos, malformações, restrição de crescimento intra-uterino e, anemia entre os mais freqüentes.”
O ganho ponderal exagerado também pode predispor ao aparecimento de problemas na gravidez com risco aumentado de Diabetes Gestacional e as Síndromes Hipertensivas da Gestação. Por isso, a importância de se fazer um acompanhamento pré-natal conjuntamente com a equipe de nutrição, que pode dar melhores condições e oportunidades para uma gestação mais tranqüila e saudável, diminuindo os riscos para a mãe e bebê, retornando ao peso anterior à gestação mais rapidamente.


 PASSO 5 – ATIVIDADE FÍSICA E GESTAÇÃO
As gestantes devem tomar alguns cuidados na hora de escolher exercícios físicos. Deve-se primeiramente diferenciar entre as gestantes que faziam atividade física ou não previamente à gestação. Quem já fazia alguma atividade física é necessário apenas adequá-la ao novo estado da gestação, ou seja, manter os exercícios que manterão o tônus muscular, o condicionamento físico e não terão grande impacto ao solo. “Não recomendamos a prática de exercícios com a finalidade de competição. Aquelas grávidas que apresentavam vida sedentária devem ter atividades físicas de baixo impacto ao solo, como por exemplo, natação, hidroginástica, ioga ou caminhada. Esses exercícios podem ser praticados a partir da 12ª semana, em condições normais, e mantidos até o 8º mês de gravidez, não sem nenhum problema, apesar de que algumas mulheres poderem praticá-los até a 38º semana”, diz o médico.


 PASSO 6 – GESTAÇÃO GEMELAR
A gestação gemelar, aquela que apresenta dois ou mais fetos numa gravidez simultaneamente, tem aumentado a sua incidência à custa de tratamentos de fertilização assistida e procedimentos correlatos para o tratamento dos casais com infertilidade conjugal. Em 80% dos casos as gestações gemelares são dizigóticas, ou seja, gêmeos originados da fecundação de 2 óvulos por 2 espermatozóides distintos; estes podem ou não ser do mesmo sexo. Podem influenciar a herança genética da mãe e tratamentos de fertilização. Nos 20% restantes, os gêmeos são monozigóticos, ou seja, frutos de 1 único espermatozóide fecundando 1 único óvulo, e sofrendo uma divisão celular bem inicial. Desta forma, serão idênticos na sua fisionomia e no sexo.
A grande importância da gestação gemelar é no seu seguimento pré-natal. Existe uma incidência maior de algumas doenças que devem ser seguidas de perto, como: diabetes gestacional; anemia; aumento da pressão arterial durante a gestação (pré-eclâmpsia) e hemorragias no pós-parto.
Outro dado que deva preocupar a gestante de gêmeos é o fato de que a gravidez antecipa em média 4 semanas, ou seja, existe um risco concreto de termos recém-nascidos prematuros. “Por isso, um adequado acompanhamento pré-natal, com dieta adequada e repouso principalmente a partir do 7º mês de gravidez é fundamental para uma gestação segura e tranqüila”, diz Ogeda.



PASSO 7 – MEDICINA FETAL: O FUTURO HOJE
A Medicina Fetal trata de uma área de atuação da Obstetrícia em focar como o paciente o feto. Um ramo da atenção dada no pré-natal, que tem por finalidade o diagnóstico e a terapêutica em muitas situações bastante delicadas na gravidez. A necessidade de se fazer um bom acompanhamento pré-natal já é uma idéia bem sedimentada em todos nós. Assim como fazer todos os exames laboratoriais e ultrassonográficos. Mas quando se observa alguma anormalidade significativa, estamos diante da Medicina Fetal. 
Intervenções como retirada de fragmentos da placenta (vilo corial) ou mesmo líquido amniótico (amniocentese) para a realização do estudo citogenético do embrião são corriqueiros atualmente, e com muita precisão conseguem estabelecer se aquela criança é portadora de alguma alteração cromossômica, como Síndrome de Down, por exemplo.
Transfusões intra-útero quando fetos acometidos de anemia grave que poderá levar ao óbito intra-uterino, como ocorre na Doença Hemolítica (mãe Rh negativa com anticorpos anti-Rh, que agridem os glóbulos vermelhos do feto Rh positivo). Esta ação pode salvar a vida do bebê.
Tão importante quanto o tratamento, é o diagnóstico. Um correto diagnóstico pode levar a um correto tratamento. Por isso, a importância da realização do acompanhamento pré-natal e a realização dos exames nas datas adequadas, podem ser a garantia de um final feliz para a sua gravidez!



PASSO 8 – PARTO NORMAL OU CESÁREA?
Este dilema é muito comum para a grande maioria das mulheres grávidas: qual é o melhor tipo de parto? Atualmente no Brasil, quase 85% dos partos na rede privada e 31% da rede pública são cesarianas. Mas quais são os benefícios e quando são indicados esses tipos de parto?
Ainda hoje, algumas mulheres optam pelo parto natural – que é basicamente quando o médico simplesmente acompanha o parto, sem intervenções – como anestesias, induções ou rompimento artificial da bolsa. Neste caso, o ritmo e o tempo do trabalho de parto são respeitados e, para alívio das dores, são utilizadas técnicas de respiração e relaxamento. A principal desvantagem desse processo é que pode levar várias horas, principalmente na primeira gravidez. A vantagem em relação à cesárea é a recuperação pós-parto que é muito mais rápida. Além disso, há menor risco de infecções e hemorragias.
Tanto o parto normal sem anestesia quanto o natural pode ser realizado na posição em que a mulher julgar mais confortável: em pé, de cócoras ou até mesmo dentro da água. 
Mas, quando optar pela cesárea? Essa opção é essencialmente tomada pelo médico obstetra, e muitas vezes relacionada a alguns fatores que podem por em risco a vida da mãe e do bebê. A cesárea deve ser realizada sempre que o risco do parto vaginal for maior do que pela cesariana. Isso pode ocorrer em situações clínicas ou obstétricas que aumentem o risco para a mãe ou para o bebê, como por exemplo, em caso de desproporção do tamanho do bebê em relação à bacia óssea da mãe; infecções maternas graves; gestantes diabéticas ou hipertensas complicando significativamente o bem estar do bebê; sofrimento fetal; posição desfavorável do bebê; ou quando um trabalho de parto não progredir satisfatoriamente.



PASSO 9 – ACHO QUE VAI NASCER!
Neste momento, o importante é manter a calma, principalmente do marido quem geralmente fica mais nervoso. Os principais sinais ou sintomas do início de que o bebê está chegando são: contrações; rompimento da bolsa; sangramento ou dor; parada da movimentação do bebê (embora, muitas vezes, não seja nada); perda do tampão (geralmente percebida como uma secreção espessa, gelatinosa, transparente, branca ou até esverdeada; pode aparecer com uns laivos de sangue). 
É importante manter a calma, avisar o médico obstetra do que está acontecendo e dirigir-se à Maternidade, não esquecendo de levar o necessário: exames, carta de internação, documentos pessoais, mala da mamãe e do bebê. Este é o grande dia! A vida vai nascer!


 Divulgação: Rojas Comunicação

Personalização da anestesia


Resultados preliminares de estudo conduzido por universidades norte-americanas em parceria com hospital de São Paulo, obtidos com exclusividade por CRESCER, mostram que vai ser possível verificar quais gestantes são mais susceptíveis à dor antes do parto e, assim, fazer uma anestesia diferenciadaUma das áreas mais promissoras de pesquisa na área da saúde é sobre a dor. Como quantificar o que cada um sente e como isso poderia ajudar a tratar um paciente? Essas mesmas questões estão sendo usadas para entender o desconforto que algumas pacientes sentem após o parto. A cada 100 nascimentos de parto cesárea, 15% das novas mães sentem um desconforto muito grande em relação ao alívio da dor. Elas são um grupo de risco para doenças crônicas no futuro. “Toda cirurgia é uma forma de agressão ao sistema nervoso. Se você não o deixa bem protegido, pode haver sequelas, como a dor”, afirma Mônica Siaulys, doutora em anestesia, responsável por esse setor no Hospital Santa Joana (SP) e uma das responsáveis pelo estudo no país. A resposta para esse problema está na anestesia. Um grupo formado por universidades norte-americanas e pesquisadores desse hospital vão avaliar como 800 gestantes respondem à dor e, assim, mapear quais delas poderiam receber uma anestesia diferenciada antes da hora do parto. Hoje, a morfina é dada em todos os casos pré-operatórios. Se os resultados preliminares do estudo forem confirmados, esses 15% poderiam receber outros medicamentos e, assim, ter um pós-parto mais confortável.
Antes de explicar como o teste para o diagnóstico da dor funciona, é preciso entender como nosso organismo reage a ela. Nós temos um sistema de controle de dor: um que inibe e outro que desencadeia, e a eficiência deles é diferente em cada pessoa. Algumas têm excelentes respostas nesses dois sistemas e reagem bem à anestesia com morfina, por exemplo. Outras, que são muito sensíveis, podem sofrer desconforto no pós-parto. É para elas que o estudo está sendo conduzido.
Como o teste funciona
Quando você se machuca, por exemplo, e pressiona o local, sente um alívio logo depois. Isso acontece porque,quando você faz a pressão, o organismo libera endorfina. Ou seja: a dor inibe a dor. A morfina age nesse sistema inibitório. Existe um aparelho capaz de medir a eficácia do mecanismo inibidor de dor de cada pessoa. Se você responder bem a esse exame, significa que vai reagir bem à morfina também.
Esse aparelho, uma plaquinha de 2cm x 2cm, libera estímulos térmicos. Ele aquece e esfria rapidamente. A placa é colocada no braço esquerdo da pessoa. Primeiro ela vai emitir um calor de 46ºC. Os pesquisadores perguntam, em uma escala de 0 a 10, quanto aquilo incomodou a paciente para saber qual temperatura desencadeia desconforto. Aí começa a segunda parte do teste.Depois, pedem para a pessoa colocar o braço direito em banho-maria a uma temperatura de 39º C (é como a água de uma banheira muito quente, por exemplo). Aí é repetido o teste no braço esquerdo com base na temperatura que desencadeou o desconforto na primeira vez. Na maioria dos casos, ninguém sente mais dor. Mágica? Não. Isso acontece porque quando ela mergulhou o braço na água quente, a área atingida foi maior e o desconforto se manteve contínuo. Assim, o cérebro liberou endorfina para evitar que ela sentisse dor numa próxima vez. Para essas mulheres, a morfina funciona. Mas isso não acontece nas pacientes com muita sensibilidade à dor.
Descobrir quem elas são pode fazer com que a anestesia seja preparada de uma maneira diferenciada para esse público, o que os médicos chamam de personalização da anestesia. As conclusões finais desse estudo vão ser publicados no ano que vem e, se os resultados já obtidos se confirmarem, essas mulheres que hoje sofrem com dor no pós-parto não vão precisar mais tomar outras medicações para inibi-la ou ser submetidas a outras cirurgias, como para colocação de dreno que libera medicação para sanar a dor. Antes mesmo de engravidar, elas poderão fazer um teste ou mais, ainda em desenvolvimento, que vão mostrar o grau de sensibilidade à dor e se essa pessoa é geneticamente predisposta a isso. Em alguns anos, poderemos pensar que 100% das novas mães - e não apenas 85% delas - vão ter um pós-parto mais tranquilo, e sem desconfortos.

domingo

A advogada que mora em Vitória foi a primeira brasileira a usar a técnica de congelamento de óvulos em 2001


Pesquisa britânica mostra que sim! Conheça os cuidados que você precisa terUma vez cesárea, sempre cesárea. Você, certamente, já ouviu essa frase. Se o primeiro filho nasceu através de uma cesariana, todos os outros nascerão da mesma forma. As últimas pesquisas, porém, mostram que ter um parto normal após uma cesárea é completamente possível e seguro. A mais recente delas, publicada no Jornal de Ginecologia e Obstetrícia Britânico, mostrou que é possível, sim, ter um parto normal depois de até três cesáreas consecutivas.
Segundo o obstetra Júlio Sales Barbosa, do Hospital e Maternidade Santa Catarina (SP), o principal motivo para não indicar o parto vaginal após uma cesariana é o risco de romper a cicatriz no útero, geralmente durante o trabalho de parto. Esse fator existe, e não é o único, mas não elimina a possibilidade de um parto normal após a cesariana. “Deve-se colocar na balança as vantagens e as desvantagens de cada gravidez antes de decidir pelo tipo de parto. Para ter um parto normal com tranquilidade, o ideal é que a última cesárea tenha acontecido há mais de dois anos. Esse intervalo é necessário para fortalecer a cicatriz no útero e prevenir uma ruptura uterina”, diz. Outros fatores que impedem um parto normal após uma cesariana são o tamanho da bacia da mulher (se for muito estreita) ou se o bebê tiver mais de 3,5 kg.
Se o médico avaliar que as condições são favoráveis, e que nem mãe nem bebê correm riscos, a opção é pelo parto normal. A recuperação é mais rápida, você pode amamentar seu filho logo em seguida e as chances dele enfrentar dificuldades respiratórias são menores etc. No entanto, alguns cuidados especiais são necessários. O trabalho de parto não deve ser induzido com remédios. “As contrações uterinas induzidas são mais fortes e mais próximas, o que pode causar o rompimento da cicatriz do útero, além de sangramento, entre outros riscos”, afirma Júlio. Converse com seu médico e decida com ele o que é melhor para você e para o seu bebê.
As chances de ter um parto normal após uma cesárea são maiores se:
a cesárea ocorreu porque o bebê não estava encaixado
As chances de ter um parto normal nesses casos são menores se:
a cesariana anterior foi realizada porque sua bacia é estreita ou se tomou remédio para induzir o parto.
Fonte: Revista Crescer

Dor do parto: como aliviar


Com o corpo e as emoções em sintonia, você pode tornar a experiência do nascimento positiva e inesquecível

Lélia Chacon

A vida ensina que as dores são passageiras. As mais corriqueiras, como garantem há anos mães, avós e bisavós, “passam antes de a gente casar”. É esse simples relato de dor que a maioria das gestantes leva para o parto, sem saber por que e quanto poderá suportar. Da ignorância vem o medo, e do medo, muito mais dor. Não é um jogo de palavras. A ciência já comprovou que a dor não é um processo puramente físico. Ela também está sob influência de nossas crenças e emoções. Por isso, em vez de alimentar ansiedades enquanto espera seu bebê nascer, prepare-se para esse momento. Além de suas experiências pessoais, muitas informações, dicas e técnicas podem ajudá-la a aliviar a dor na hora do parto, eliminando ou diminuindo a necessidade da anestesia e, principalmente, evitando a opção prematura por uma cesárea.

Como é a dor do parto?
Ela pode ser comparada a uma cólica menstrual intensa, mas não é constante. Como uma onda, tem começo, meio e fim e você pode relaxar nos intervalos. A intensidade varia conforme a sensibilidade do seu organismo.


Onde dói?
Como o útero se fixa na região lombar, em geral, a dor começa nas costas e se irradia pelos quadris e pelo abdômen. Ela costuma ser mais intensa quando faltam três centímetros para completar os dez centímetros de dilatação uterina. As fases seguintes são de expulsão, do bebê e da placenta. Durante esses períodos, é comum a parturiente dizer que “não suporta mais”, para em seguida perceber que pode ultrapassar o limiar da dor, porque ela não aumenta. Isso quer dizer que você não sente num período mais dor do que já estava sentindo no anterior.

A emoção interfere?
Sentimentos e atitudes positivos em relação à gravidez e ao parto ajudam a aliviar a dor por diminuir o estado de tensão. Isso porque, quando você está tensa, o organismo produz drenalina. Um estado crônico ou muito prolongado de tensão produz a substância em excesso, o que pode inibir a ação da musculatura uterina, reduzindo a capacidade do organismo de reagir ao estímulo que provoca a dor. Cientistas chegaram a essa conclusão ao medir o nível de adrenalina no sangue de parturientes que demonstravam tranqüilidade, medo e ausência de reação uterina durante o trabalho de parto. O resultado foi um nível baixo nas pacientes não-temerosas, alto no segundo grupo e mais alto ainda no grupo com inércia uterina.

O que significa estar preparada?
É estar apta a participar com lucidez e cooperação da experiência do nascimento de seu filho. Do ponto de vista obstétrico, esse estado positivo de alerta pode reduzir a duração do trabalho de parto e a incidência de complicações que levem a intervenções cirúrgicas. A depressão pós-parto, que se atribui a uma angústia de separação, costuma também ser mais leve e rápida nas mulheres que se preparam para o parto. Uma atitude positiva em relação ao parto, dizem os especialistas, favorece a ligação imediata entre mãe e bebê.

Como se aprontar?
O primeiro passo é a escolha do obstetra, o profissional que vai orquestrar o nascimento do seu filho e precisa estar bem afinado com você, pois é uma de suas fontes de segurança. Além disso, existem cursos e técnicas específicos para gestantes, ministrados por instituições e profissionais especializados. Uns são mais voltados para os aspectos emocionais do parto, como o medo da dor; outros para o trabalho corporal. As técnicas mais conhecidas são a ginástica holística, a hidroginástica, a ioga, as técnicas de reeducação postural global (RPG) e as do shiatsu em piscina aquecida. A vantagem adicional de algumas delas é que os exercícios são praticados com outras grávidas, o que leva à troca de experiências, outra fonte de segurança emocional. Por conta própria, faça caminhadas. Elas melhoram a capacidade cardiorrespiratória, ativando e oxigenando a circulação sanguínea e, como todas as práticas aeróbicas, liberam a endorfina, hormônio que neutraliza dores e gera uma euforia estável.

O que alivia a dor?
Seja otimista. Quando vier a contração, em vez de “mais uma”, que tal considerar “menos uma”? Massagens com movimentos circulares nas costas, perto do sacro, logo acima do bumbum, aliviam a dor ao produzir calor na região. Duchas e banhos de água morna também ajudam a relaxar. Mantenha ombros e pescoço relaxados, para diminuir a tensão no maxilar, cujas articulações têm reflexo direto na região do períneo. Essa simples medida pode facilitar o processo de dilatação. Outra dica é desviar a atenção da dor. Imagine, por exemplo, os movimentos que uma gota provoca ao pingar no centro de um lago tranquilo. Ela se irradia, como a dor, para depois sumir. Ao visualizar isso, você deixa a dor em segundo plano.

Fonte: Revista Crescer

quarta-feira

Parto na água

Dra. Melania Amorim

Muito tem se debatido sobre o parto na água: é seguro? Quais as vantagens? Há maior risco de infecção? Quais os riscos para o bebê? Existem contra-indicações? O fato é que cada vez essa modalidade de parto tem se tornado disponível em diversas maternidades e pode representar também uma opção para os partos domiciliares.

Vídeo de parto na água assistido por nossa equipe e disponível no Youtube

A imersão em água durante o trabalho de parto tem sido referendada como um método útil para o alívio da dor do parto. Uma revisão sistemática disponível na Biblioteca Cochrane avalia a imersão em água durante o primeiro e o segundo estágios do parto (dilatação e expulsão, respectivamente)

Foram incluídos 11 ensaios clínicos randomizados (ECR) , dois dos quais avaliaram a imersão em água durante o período expulsivo. Nos ECR avaliando a imersão em água durante a fase de dilatação, observou-se significativa redução da dor e decréscimo da necessidade de analgesia farmacológica (peridural ou combinada). Os autores sugerem que a imersão em água durante o primeiro estágio do parto pode ser recomendada para parturientes de baixo-risco .Nos dois ensaios clínicos avaliando o segundo estágio, ou seja, o parto assistido na água, não houve aumento do risco de desfechos maternos e neonatais adversos e verificou-se aumento da satisfação materna. No entanto, devido ao pequeno número de casos (240) e ao fato de várias mulheres randomizadas para ter parto na água na verdade pariram fora da água, não foi possível, as informações foram limitadas e os autores da revisão sistemática comentam que as evidências são insuficientes para recomendar ou contra-indicar o parto na água. Um outro ensaio clínico randomizado foi publicado depois desta revisão sistemática e os seus resultados devem em breve ser incorporados, podendo gerar novas conclusões: neste estudo, verificou-se, além da redução da necessidade de analgésicos, menor duração do parto e redução do risco de cesárea no grupo que teve o parto na água.
Tendo em vista a escassez de ensaios clínicos randomizados (evidência nível I), e considerando que pode ser de fato difícil randomizar as mulheres para essa modalidade de parto, uma revisão sobre vantagens e desvantagens do parto na água deve se estender aos estudos observacionais, embora esses representem uma evidência de qualidade mais baixa (nível II).
Alguns relatos de caso sugerem efeitos prejudiciais para o recém-nascido, relacionando maior risco de desconforto respiratório no período neonatal. Entretanto, relatos de caso constituem um nível de evidência muito pobre (nível III ou IV), porquanto uma relação causal não pode ser estabelecida. Assim, estudos observacionais incluindo grande número de casos e comparando partos na água e fora da água devem ser privilegiados.
Um grande estudo publicado em 2004 comparou 3.617 partos na água e 5.901 controles. O parto na água se associou a redução das lacerações perineais, menor perda sanguínea e menor necessidade de analgesia de parto. Não houve diferença na taxa de infecção materna e neonatal. Outros estudos publicados nos anos subsequentes confirmaram esses achados, sugerindo que o parto na água representa uma alternativa valiosa e promissora ao parto fora da água . O estudo mais recente foi publicado em 2007 e demonstrou ainda que a imersão em água se associou com menor duração tanto da fase de dilatação como da fase de expulsão do parto, sem aumento do risco de infecção materna e neonatal . Todos esses estudos destacam que critérios rigorosos de seleção foram observados e que essas conclusões só podem ser extrapoladas para parturientes de baixo-risco.
Uma preocupação constante de vários leigos e mesmo de alguns profissionais é o risco de aspiração de água, traduzido pelo receio de que “o bebê se afogue”. Devemos, porém, lembrar, que o bebê saudável só “respira” efetivamente quando sai da água. Imediatamente depois do nascimento em água morna (que inibe a respiração), o bebê se mantém como dentro do útero, quando estava imerso em líquido amniótico: a “respiração” não está estabelecida e as trocas gasosas seguem se efetuando através do cordão umbilical. Mantém-se intacto o reflexo de mergulho, de forma que mesmo uma ou duas gotas de água na laringe são suficientes para desencadear esta resposta, inibindo a inalação de líquido.
O risco de aspiração ocorre para os bebês deprimidos (com hipoxia grave), que podem até aspirar o próprio líquido amniótico e, por não terem um bom clearance pulmonar, não expelem o líquido aspirado. Deve-se concluir, portanto, que o parto na água não é uma boa opção quando existe o risco de sofrimento fetal e deve ser contra-indicado na presença de padrões anômalos de frequência cardíaca fetal. Salienta-se que a monitorização da frequência cardíaca fetal é importante tanto para partos na água como fora da água, e seu rigor durante o trabalho de parto deve ser observado, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O American College of Obstetricians and Gynecology (ACOG) não tem posição oficial sobre o parto na água, e no Brasil a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) também não se manifestou sobre o tema. Entretanto, na Inglaterra, tanto o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists como o Royal College of Midwives explicitamente apóiam a imersão de água durante o trabalho de parto e o nascimento, tendo publicado uma diretriz específica sobre o assunto.
Em suma, respondendo aos questionamentos no início deste artigo, podemos concluir que o parto na água representa uma opção segura para parturientes de baixo-risco que assim o desejem, devendo-se respeitar a autonomia feminina com respeito à decisão do local de parto. Existem algumas vantagens, como redução da necessidade de analgesia, redução de episiotomia e lacerações espontâneas, menor duração do primeiro e do segundo estágio do parto e maior satisfação materna. Não foi documentado maior risco de infecção materna ou neonatal. O risco de aspiração só existe para bebês deprimidos ou acidóticos, de forma que a ausculta fetal é essencial para monitorização do trabalho de parto. Gestações de alto-risco e presença de padrões anômalos de frequência cardíaca fetal representam contra-indicações para o parto na água.
Dentro de uma filosofia de respeito à autonomia materna, as mulheres devem ser informadas sobre as evidências disponíveis acerca do parto na água, devendo fazer uma escolha livre e esclarecida. Possíveis riscos e contra-indicações devem ser discutidos e, como em qualquer procedimento durante a assistência ao parto, deve-se obter a assinatura do termo de consentimento. Fundamental ainda é que o parto na água deve ser assistido por profissionais habilitados com experiência nessa modalidade.
Melania Amorim, MD, PhD