terça-feira, 22 de setembro de 2015

Estresse na gravidez

Exercícios físicos liberam a serotonina no organismo, deixando o corpo mais relaxado (Foto: Thinkstock)
Gravidez não é doença. Isso, você já cansou de ouvir, não é? O período, entretanto, exige cuidados especiais. “As modificações do organismo, em que a energia está voltada ao bebê, tornam a saúde da gestante mais vulnerável”, explica a obstetra Mary Nakamura, coordenadora do Núcleo de Medicina Antroposófica (Numa), do Departamento de Obstetrícia da Unifesp. De acordo com a especialista, o fato de a mulher sentir mais sono e menos disposição ao longo dos nove meses demonstra que o corpo precisa de descanso – tanto físico, quanto mental.

Ainda que reduzir o ritmo não seja fácil nos dias de hoje, inúmeras pesquisas sobre o impacto do estresse na gestação mostram que vale a tentativa. Parto prematuro e baixo peso ao nascer, o que podem levar a problemas de desenvolvimento, são alguns dos riscos causados já comprovados cientificamente. Mas as dificuldades podem ir além. Uma pesquisa feita com 56 bebês pela Universidade Radbound (Holanda), no primeiro semestre deste ano, mostrou que aqueles cujas mães passaram por situações de estresse durante a gestação tinham a microbiota intestinal (isto é, bactérias no intestino) mais pobre e, paralelamente, maior incidência de problemas intestinais e alergias.

E de que forma o bebê sente tudo isso na gestação? Por meio de reações químicas, já que o organismo sob estresse libera substâncias, como adrenalina e cortisol, que deixam o corpo em alerta. “É como se ele se preparasse para lutar ou fugir, por isso, a visão e a audição são priorizadas, em detrimentos de outras regiões, como o útero”, afirma a obstetra. Além disso, a pressão sanguínea acelera, o que pode impactar no fluxo da placenta e, por consequência, no transporte de nutrientes e de oxigênio ao bebê. Tanto que, de acordo com a especialista, o bebê tende a se movimentar menos dentro do útero nessas condições. Claro que os riscos dependem da frequência e da intensidade do fator estressante. “Mas também da maneira como a mulher lida com o problema, ou seja, de seus recursos internos”, completa a médica.

Como manter a calma na gravidez
A gestação é naturalmente um período de ansiedade, especialmente pelo medo do desconhecido. “Nesse caso, o primeiro passo é buscar informação (para saber o que esperar)”, sugere Mary. Como o período já traz transformações o suficiente, ela recomenda que a gestante evite outras mudanças além das previstas, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Lembre-se de que o foco, agora, é a gravidez.

Além disso, alguns hábitos simples podem ajudar o organismo a se recompor, como ter uma rotina alimentar e de sono. A psicóloga Flávia Fernandes, especialista em gestantes, da clínica Gestarte (RJ), indica atividades lúdicas, como meditação. Vale a pena buscar cursos gratuitos em associações, por exemplo. “A simples regularização da respiração é um fator de redução de batimentos cardíacos e pensamentos disfuncionais”, conclui. Por último, ela sugere que, na medida do possível, você se cerque de pessoas positivas e pratique exercícios físicos – as atividades liberam a serotonina no organismo, deixando-o mais relaxado. Só não se esqueça de pedir a autorização do seu obstetra antes, ok?

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/

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