domingo, 19 de outubro de 2014

Tecnologia contra morte súbita?

Os equipamentos que prometem noites mais tranquilas para pais de bebês


É normal que pais de primeira viagem se sintam inseguros durante a noite e chequem diversas vezes se está tudo bem com o recém-nascido, enquanto ele dorme. Muitos acabam apelando para produtos, como sensores de movimento, câmeras com infravermelho e microfones, que captam o som do quarto do bebê. O lançamento mais recente é um monitor que, preso ao calcanhar da criança, monitora a frequência cardíaca, a temperatura da pele, seus movimentos e posições. Disponível somente nos Estados Unidos e no Canadá, o aparelho custa mais de 600 reais.

O que motiva a compra desses produtos é o medo da síndrome da morte súbita, que é o óbito da criança durante o primeiro ano de vida, principalmente entre o 2° e 4° mês, sem causas esclarecidas, mesmo após investigações médicas. Porém, não há evidências científicas de que aparelhos tecnológicos sejam realmente efetivos na prevenção desse trágico episódio. Mesmo que um alarme seja emitido após identificar que a criança não está se movendo ou respirando, provavelmente não haverá tempo suficiente para levá-la a um hospital ou socorrê-la, principalmente porque essas situações requerem conhecimentos de primeiros socorros—o que, raramente, é de domínio dos pais.

Além disso, o uso de aparelhos sonoros pode ser prejudicial para a criança. “Atrapalhar o sono do bebê pode deixá-lo irritado e com menos energia para o dia, afetando seu desenvolvimento”, explica a psicóloga e doutora em psicanálise pela USP Priscila Gasparini Fernandes. Sem contar a ansiedade dos pais mediante qualquer ruído do aparelho.

Por isso, o melhor a fazer é adotar medidas que, de fato, são capazes de prevenir a síndrome. Veja algumas dicas do que pode ser feito durante e após a gravidez:

- Evite o contato com cigarro, drogas e álcool durante a gravidez.

- Faça um pré-natal adequado.

- Coloque a criança deitada de barriga para cima. Além de prevenir a morte súbita, também diminui o risco de engasgo.

- Não deixe objetos soltos, como protetores, bichos de pelúcia e travesseiros no berço. Eles aumentam o risco de asfixia.

- Coloque o bebê no berço ou no Moisés na hora de dormir. Compartilhar a cama aumenta os riscos de morte súbita, segundo a Academia Americana de Pediatria.

- Não coloque roupas em excesso na criança nem aqueça muito o quarto.

Fonte: Cylmara Gargalak Aziz, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz (SP)


Revista Crescer

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