sábado, 2 de março de 2013

Interferir demais na brincadeira das crianças pode deixá-las desmotivadas, diz estudo


Sabemos que a intenção dos pais é sempre boa, mas, ao corrigir ou guiar demais as brincadeiras, você pode atrapalhar a diversão e diminuir a criatividade do seu filho. Entenda

Marcela Bourroul

Brincar com os filhos é uma delícia, não há dúvida. Sem contar que as crianças também adoram a companhia dos pais na hora da diversão. Mas saiba que interferir o tempo todo nesse momento não é nada bom. Um grupo de pesquisadores da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, resolveu analisar como os pais se comportavam durante a brincadeira dos filhos e como as crianças – de 1 a 5 anos - reagiam a isso. A conclusão? Elas precisam de mais liberdade para decidir como, com o que e quanto brincar. 

O estudo, realizado com 2.252 mães e seus filhos – publicado no periódico Parenting: Science and Practice, mostrou que, quanto mais as mães dirigiam as brincadeiras, menos engajadas as crianças ficavam. Além disso, se elas fossem muito críticas ou negativas, os filhos não só se desinteressavam pela brincadeira como também pela companhia materna. “As mães costumam pensar que estão ajudando as crianças quando as corrigem, mas elas estão limitando sua criatividade e possivelmente fazendo a criança aproveitar menos sua companhia”, afirmou, em nota, Jean Ispa, principal autora do estudo e professora de desenvolvimento humano.

Um exemplo prático, citado pelo estudo, seria uma criança brincando com uma vaca de plástico. Em vez de fazê-la entrar no estábulo pela porta, prefere que o animal entre pela janela. A mãe a corrige, dizendo que o certo é passar pela porta. Isso não é necessário e você vai entender por quê. 

Segundo Rita Calegari, psicóloga do Hospital e Maternidade São Camilo (SP), esse conflito tem a ver com a diferença de organização mental da mãe e da criança. Para a criança pequena, o limite entre realidade e fantasia é muito tênue, e nos primeiros anos ela vive uma fase de descobertas. Já a mãe tem toda sua capacidade cognitiva organizada e às vezes separa tão rigidamente a fantasia e a realidade que não consegue trabalhar com o olhar da criança.

“Quando a mãe intervém na brincadeira, ela usa esse cérebro adulto e vai dar orientações do seu ponto de vista. Para a criança pequena, isso pode ser frustrante, porque ela não está preocupada com a representação da realidade. Quer, simplesmente, explorar objetos, formas e cores”, explica. 

Isso não quer dizer que as regras não façam parte da brincadeira. Mas, até os 5 anos, a fantasia é extremamente importante na vida das crianças e precisa ser estimulada. “Os pais não precisam ficar preocupados. Conforme o filho cresce, ele começa a pedir por regras. Crianças de 7 anos adoram saber as normas dos jogos!”. E o melhor: criam as próprias na hora de se divertir com um jogo de tabuleiro, por exemplo. 

Livre para escolher 
“Filho, vamos brincar de massinha? E agora, vamos brincar com seus blocos de montar?” Se você já se pegou direcionando – um pouquinho demais - o seu filho para uma tarde de brincadeiras, saiba que é importante deixá-lo escolher com o que ele quer se divertir. Segundo Maria Ângela Barbato Carneiro, professora e coordenadora da brinquedoteca da PUC-SP, as crianças não precisam de muita orientação nesses momentos. “Os pais podem sugerir, mas nunca dizer ‘faça isso’”, diz. Até porque para eles uma tampa de panela ou uma caixa de papelão é pura brincadeira. Simples assim!

Interferir, porém, é diferente de observar. O olhar dos pais no momento da brincadeira é fundamental para conhecer melhor os filhos e até evitar acidentes. E se divirta junto, deixe-se levar pela imaginação da criança nesse momento. Vale até ajudá-lo a colocar a vaca para dentro do estábulo pela janela. Que tal? 

Fonte: revista Crescer

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