sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pressões que não ajudam: Parto normal? Parto cesárea?


É impressionante a quantidade de pressões a que ficamos expostos na vida o tempo todo. E parece que basta começar um relacionamento para dar um start nos palpiteiros de plantão: “Vai casar quando?” E depois do casório, “quando chegam os filhos?” Ah, engravidou? Então, pronto, prepare-se: não há ponto de partida maior para chover todo tipo de especialista em nossas cabeças.

O que muita gente não entende (e acredito que não façam por mal, não) é que a gravidez é um período no qual estamos mais sensíveis. Talvez o que damos ouvidos durante os nove meses passe despercebido em qualquer outra época de nossas vidas... Comigo foi assim.

Eu nunca me abalei com comentários, mas, quando me vi com aquele barrigão prestes a ter meu João nos braços, fiquei vulnerável. Tinha 28 anos, uma saúde perfeita, a saúde do meu filho no útero também. A chance de ter um parto normal era praticamente certa para mim.  Mas encarei a reta final da gestação no período de festas de fim de ano. Claro que ouvi dezenas de vezes que João poderia nascer no Natal... Dia 25 passou... E depois que, então, ele nasceria no Ano Novo... Dia 1º passou também...

Pronto, “está passando da hora!”, “não é perigoso?”, “não seria melhor marcar uma cesárea e pronto?”  “jura que você quer parto normal?” Essas foram apenas algumas das indagações que recebi durante esse período. O suficiente para eu colocar em xeque se estava fazendo a coisa certa de esperar tanto... Pode parecer pouco tempo, mas esse movimento que vejo hoje tão de perto sobre a importância que é o bebê nascer no tempo dele, não me parecia assim forte demais uma década atrás (ao menos perto de mim). Acredito que com toda a informação que tenho hoje (vim para a Crescer quando João tinha 4 anos), e vendo de perto tantas colegas minhas que das formas mais adversas puderam ter seus bebês de forma natural, eu não teria caído em tentação de na 40ª semana pirar acreditando que a hora do João nascer estava passando.

No primeiro questionamento, cheia de medo e ansiedade pré-parto, que fiz ao meu médico sobre o nascimento do João, escutei: “Se até dia 11 nada evoluir, vou te operar”.  Dia 11 de janeiro de 2004 chegou, um domingo de sol, meu filho nasceu lindamente e cheio de saúde num parto cesárea. Tive problemas de cicatrização, cujo tratamento durou muitos meses após o nascimento do João. E depois que ele nasceu, também fui questionada (claro!) do por que de ter feito cesárea, até mesmo de pessoas que me olharam torto quando disse que teria parto normal. Confuso, né?

Até hoje penso que poderia ter um parto normal, sim. Bastava ter um médico mais parceiro e ter confiado mais em mim. E é exatamente esse meu recado para vocês: filtrem muito o que escutam, acreditem em vocês, não tenham medo, busquem um médico coerente que vai conduzir sua gestação ao seu lado. O desfecho? Será o melhor parto para mãe e bebê. Beijos e até a próxima!

Ana Paula Pontes (Foto: Amanda Filippi)
Ana Paula Pontes é jornalista, editora online da CRESCER e mãe de João, 11 anos. Para falar com ela, envie um email para: apontes@edglobo.com.br

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/

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