segunda-feira, 13 de julho de 2015

Peso e altura das crianças: por que eles são diferentes


Desde a vida intrauterina, a avaliação do peso e da altura do bebê é fundamental para se certificar de que ele está crescendo normalmente. Não é à toa, então, que os pais estejam sempre preocupados com tais medidas. Embora cada criança tenha o seu ritmo, sabemos que todas devem alcançar certos marcos do desenvolvimento dentro do tempo esperado. Isso não significa, entretanto, que você deve comparar seu filho com vizinhos, colegas e parentes de mesma idade para saber quem está “ganhando”. E a explicação para evitar esse tipo de comportamento é simples. “Os gráficos que chamamos de curvas de crescimento (que avaliam peso e altura, conforme a idade e o sexo) foram elaboradoras com base em amostras populacionais. A variação é ampla por causa da diversidade da raça humana”, afirma a pediatra Neuma Kormann, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR). Ou seja, pode ser que uma criança baixa e magra seja tão ou mais saudável que outra alta e robusta.

Enzo, que está prestes a completar 4 anos, é um dos mais magrinhos da turma. Na curva de crescimento, sempre esteve com a altura na média das outras crianças da mesma idade, porém, com o peso abaixo. “O pediatra, no entanto, nunca fez alarde. Pelo contrário, como ele é um menino ativo, esperto e comilão, garante que está tudo bem”, comenta a mãe, a veterinária Caroline Poleze, 37. Até porque o ritmo de crescimento do menino é constante. “Só temos de ficar alerta, de fato, se houver alguma queda na curva de crescimento. O que pode ser sinal de problemas, como doenças crônicas, síndromes, alterações hormonais ou, ainda, desnutrição”, confirma Louise Cominato, endocrinologista pediátrica do Instituto da Criança (IC), do Hospital das Clínicas da USP. No entanto, a avó do garoto costumava se preocupar com a magreza do netinho. “Ela nos acompanhou nas consultas pediátricas e, então, se tranquilizou”, recorda Caroline. Esse tipo de receio resulta do mito, ainda comum entre as famílias brasileiras, de que robustez é sinônimo de saúde.

Quanto ele vai crescer?

Na gravidez e nos primeiros anos de vida, as condições gestacionais e a nutrição podem impactar a estatura final que o seu filho vai alcançar. Os prematuros, por exemplo, tendem a nascer menores (mais magros e mais baixos) e podem levar até dois anos para atingir a altura das crianças nascidas a termo. Já doenças como diabetes ou intolerância à proteína do leite, se não diagnosticadas a tempo, também interferem. Mas, a partir dos 2 anos de idade, segundo a pediatra Neuma, a genética é a principal influência. Nessa fase, outro gráfico fará parte da rotina nas consultas pediátricas, a tabela do Índice de Massa Corporal (IMC) – que também é calculado de acordo com peso, altura, idade e sexo da criança. A especialista chama a atenção para o fato da velocidade de crescimento ser menor entre o segundo ano de vida e a puberdade. “No primeiro ano de vida, o bebê triplica o peso e ganha 30 centímetros, em geral. Mas depois, espera-se que cresça de 1 a 2 kg e engorde de 5 a 7 cm por ano. Pode ser que a criança passe a comer menos também. Desde que continue saudável, está tudo bem. Nada de forçá-la, sob o risco de criar maus hábitos alimentares que podem levar à obesidade”, alerta.

Quando há algo errado

Se o seu filho estiver muito abaixo da média da altura considerada ideal para sua idade e sexo, ou, então, do esperado de acordo com a altura dos pais, o pediatra irá investigar as possíveis causas. Com ajuda de exames de sangue, avalia-se o nível de hormônios do crescimento e da tireoide (que regulam o metabolismo). Além disso, calcula-se a idade óssea (grau de maturação dos ossos) por meio de um raio-x das mãos. Como as cartilagens do punho só se calcificam na puberdade, é possível ter uma ideia do quanto a criança ainda irá crescer. O tratamento à base de hormônios de crescimento, oferecidos também na rede pública, são eficazes – mas geralmente usados em último caso.

A boa notícia é que alterações hormonais são raras. O mais provável é que os baixinhos da turma alcancem os colegas na puberdade, período em que acontece um novo estirão do crescimento. Mas, até lá, o que fazer caso seu filho esteja preocupado com o fato de ser o menor entre os amigos? “Vale conversar com o pediatra, que irá tranquilizá-lo ao mostrar a projeção dos gráficos com a altura estimada para ele no futuro”, sugere a endocrinologista pediátrica Louise, do IC.

O tal do percentil

A palavra é comum nas consultas desde o pré-natal. Isso porque o peso e altura do seu filho, tanto na gravidez quanto após o nascimento, são classificados em ordem crescente, de 0 a 100, com base em uma amostra populacional. Se um menino tem a altura no percentil 60, por exemplo, significa que 60% dos meninos de mesma idade têm altura igual ou inferior à dele, enquanto 40% são mais altos. Assim, os meninos de percentil de altura 50 representam a média da população. O percentil é, portanto, apenas uma estatística. Por isso, não será avaliado isoladamente, desconsiderando-se, por exemplo, a influência genética. E, vale lembrar, o principal é o ritmo constante de crescimento.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/

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