quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O que está por trás da birra?

Entenda os motivos e veja a melhor maneira de lidar com as reações agressivas do seu filho


É inevitável. Cedo ou tarde, seu filho vai protestar contra alguma regra ou pedido que não foi concedido da pior maneira possível: chorando, gritando ou atirando-se no chão. Se for em público, o espetáculo costuma ser mais teatral ainda. Mas, por que, de repente, aquela criança tão amável se comporta assim? “A birra é simplesmente uma maneira de a criança demonstrar seu desacordo com o que o adulto determinou. Trata-se de uma manifestação comum, pois ela está aprendendo a viver em sociedade, o que implica seguir normas”, explica a pedagoga Neide Noffs, coordenadora da Faculdade de Educação da PUC-SP. Ela lembra que ninguém gosta de ouvir ‘não’. “A nossa primeira reação é contrariar, a segunda é refletir e, só na terceira é que, provavelmente, vamos ouvir. Se formos compreendidos e tratados com respeito diante da nossa frustração, as chances de mudarmos de ideia são maiores, certo?”.

Com as crianças ocorre o mesmo. Portanto, antes de perder a razão, lembre-se de que o seu filho ainda é imaturo emocionalmente e, somente por volta dos 8 anos de idade, saberá enfrentar melhor as frustrações que a vida lhe impõe.

Em geral, de acordo com a especialista, as crises acontecem fora de casa, exatamente porque o filho quer chamar a atenção e testar os pais, na tentativa de conseguir que suas vontades sejam atendidas. E o que faz com que algumas crianças sejam mais birrentas do que outras? Em parte, o comportamento é explicado pela personalidade, mas também há uma influência da reação dos pais. Veja, a seguir, como reagir diante de um ataque de fúria. 

O que fazer
Desde os primeiros meses de vida, o bebê entende que, se chorar, será acolhido ou dará um fim àquilo que o incomoda (fralda suja, fome, frio, etc.). Mas isso não significa que está fazendo manha, é apenas uma maneira de se manifestar. “A partir do primeiro ano, entretanto, os pais devem ficar mais atentos para não treinar comportamentos negativos”, orienta a psicóloga Lidia Weber, professora da professora da UFPR e autora de “Eduque com Carinho” (Ed. Juruá). Como ceder ao choro e deixar o bebê brincar com um um objeto potencialmente perigoso, por exemplo. Uma vez que os pais cedem – seja por cansaço, culpa ou para evitar a birra em público– , a criança aprende que, dessa forma, terá tudo o que quiser e na hora que quiser, segundo a psicóloga.

A recomendação é, em todas as idades, ignorar a birra. “Simplesmente vire as costas e continue o que estava fazendo”, sugere Lidia. Caso seu filho exagere e se jogue no chão no meio do shopping ou do supermercado, leve-o para outro lugar (para casa, de preferência), a fim de acalmá-lo. Já se ele estiver machucando a si mesmo ou a outras pessoas, é preciso intervir. Segure-o e, olho no olho, diga ‘não’ com firmeza. Jamais aos gritos ou com violência.

Faça combinados
Tente antecipar as situações que podem levar a uma crise de birra. Antes de sair de casa, explique aonde vão e como seu filho deve se comportar. Além disso, conte quais podem ser as consequências, positivas e negativas, para cada atitude que ele tiver. Mas também tenha em conta os limites da criança. Não adianta levá-la às compras durante horas. Ou, se ela costuma tirar uma soneca após o almoço, mantê-la acordada sem pausa. Em algum momento, ela vai ficar cansada e impaciente.  Aí, é mais provável que um surto de birra venha à tona.

Fonte: revista Crescer

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