segunda-feira, 17 de novembro de 2014

DHA: vale a pena tomar o suplemento na gravidez?

Entre os benefícios do nutriente, estão o desenvolvimento das estruturas do cérebro e menor risco de parto prematuro



Entre os diversos nutrientes que a gestante deve ingerir durante a gravidez, como o cálcio e o ferro, com benefícios comprovados tanto para a saúde da mãe, quanto para o desenvolvimento do bebê, o DHA (ácido docosahexaenoico) vem ganhando destaque nos últimos dez anos. Trata-se do principal tipo de ômega-3, gordura encontrada especialmente em peixes de águas profundas (salmão, sardinha e atum, por exemplo) e moluscos.

Esse tipo de ácido graxo está presente nas membranas celulares do nosso organismo, sendo que os índices mais altos estão nos neurônios. Por isso, diversos estudos apontam o consumo do nutriente na gestação a um melhor desenvolvimento do sistema nervoso central e da visão. Mas os benefícios vão além. Um estudo da Universidade de Kansas (EUA) comprovou também que filhos de mulheres que tomaram um suplemento de DHA ao longo da gestação tinham menos risco de nascer com baixo peso e prematuramente em comparação aos bebês daquelas que receberam um placebo. “Para reduzir o risco de prematuridade, o consumo deve ser de, pelo menos, 600 mg de DHA ao dia. Para outros resultados, quantias menores bastariam. Mas é difícil alcançar o mínimo necessário, a não ser que você coma peixe diariamente e que o animal tenha índices elevados de DHA”, explica Susan Carlson, professora do departamento de nutrição da Universidade de Kansas, uma das coordenadoras da pesquisa.

Recentemente, a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) lançou um consenso para padronizar as recomendação em relação ao consumo e à suplementação de DHA durante a gravidez, amamentação e infância. “A intenção é mostrar a importância do consumo do DHA, que no Brasil, é extremamente baixo. Também queremos reforçar o impacto positivo que o nutriente tem durante todas as fases da vida”, afirma o médico nutrólogo Carlos Alberto Nogueira de Almeida, diretor do departamento de nutrologia pediátrica da instituição.

Quanto e quando ingerir

A conclusão da Abran, baseada em evidências científicas, é que a gestante deve ingerir 200 mg por dia. Um filé de 100 g de salmão silvestre, por exemplo, possui 1,4 g. Mas os pescados criados em cativeiro podem apresentar menor teor de DHA, segundo a Abran. Na dúvida, converse com o seu obstetra, que vai avaliar a necessidade da suplementação de acordo com a sua dieta.

Estudos mostram que o acúmulo do nutriente no cérebro e na retina, durante a gravidez, acontece principalmente no último trimestre. Mas ainda não existe um consenso entre os especialistas. “Pessoalmente, acredito que o quanto antes, melhor”, diz Carlson.

Fonte: revista Crescer

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