terça-feira, 23 de abril de 2013

Dieta vegetariana e vegana durante a gravidez


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Desde que bem planejada, esse tipo de alimentação só traz benefícios ao bebê
Malu Echeverria


Seja por motivos ecológicos, de saúde ou por amor aos animais, a dieta vegetariana é uma opção cada vez mais comum - e aceita - hoje em dia. Mesmo assim, quando as mulheres vegetarianas engravidam, é comum ouvir a pergunta: o bebê vai se desenvolver normalmente? 
"Os especialistas são unânimes: a dieta vegetariana é saudável em todas as fases da vida, incluindo a gestação", diz a nutricionista Susan Levin, do Comitê de Médicos de Medicina com Responsabilidade (www.pcrm.org), ONG que promove o debate médico nos EUA. Os benefícios são inúmeros: menos gordura saturada e colesterol ruim, maior consumo de fibras, fitoquímicos e antioxidantes (que combatem o envelhecimento das células). "O cardápio vegetariano também protege as mulheres contra o excesso de hormônios e toxinas encontradas frequentemente nos laticínios, carnes e peixes", diz. Outra boa notícia diz respeito ao ácido fólico (vitamina B9), cuja suplementação (antes e no primeiro trimestre da gravidez) reduz 50% a incidência das malformações do tubo neural do bebê. Nas vegetarianas, o nível costuma ser mais elevado. Pois, como sugere o nome (vem do latim folium, ou seja, folha), sua fonte natural são as folhas verdes. Ainda assim, a suplementação é recomendada para todas as mulheres.

Com tantos argumentos favoráveis é fácil mesmo concordar. Mas como fica a ingestão dos nutrientes encontrados exclusivamente ou em maior quantidade na carne? "É provável que as vegetarianas tenham de ingerir suplementos alimentares para suprir a vitamina B12", diz o médico nutrólogo Eric Slywitch. A substância, encontrada somente em alimentos de origem animal, está relacionada ao desenvolvimento do sistema neurológico e sanguíneo. Mesmo as que comem ovos ou laticínios podem precisar do suplemento. Por isso, melhor não arriscar. 
As vegetarianas também devem estar atentas ao consumo de ferro na gravidez. Isso porque a carne vermelha é rica em ferro-heme, ou seja, forma do mineral que é melhor absorvida pelo organismo. O jeito é abusar dos alimentos ricos nessa substância, como grão-de-bico, feijões, frutas secas, açaí e melado de cana. Outra dica é tomar sucos de frutas cítricas nas refeições: a vitamina C facilita a absorção do ferro.

Por último, mas não menos importante, os médicos indicam a suplementação de cálcio. "Todas grávidas devem ingerir 1500 mg diariamente, o dobro do que uma mulher normal", diz o obstetra Eduardo Zlotnik, do Hospital Israelita Albert Einstein. E como garantir isso sem tomar leite, tal qual as veganas? "Dá para obter o nutriente das verduras, mas para atingir o mínimo recomendável é mais fácil utilizar os suplementos." 
Tanto para o uso de vitaminas, quanto para a escolha do cardápio, o médico deve ser consultado antes. Vale lembrar que o mais importante de tudo é ter uma alimentação balanceada - com ou sem carne.

Fonte: Revista Crescer

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