quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Academia Americana de Pediatria publica orientações inéditas sobre tratamento de diabetes tipo 2 em crianças


Doença é predominante na população norte-americana, mas cresce também no Brasil. Conheça as principais recomendações

Elisa Feres





Os altos índices de obesidade infantil nos Estados Unidos já são conhecidos há bastante tempo. Nos últimos anos, porém, a população norte-americana tem se deparado com um cenário inédito: como consequência do excesso de peso, as crianças e os adolescentes do país estão desenvolvendo uma série de problemas que antes apareciam apenas em adultos. É o caso, por exemplo, da diabetes tipo 2. Pensando nisso, a Academia Americana de Pediatria em parceria com a Sociedade de Endocrinologia Pediátrica, a Academia Americana de Médicos de Família e a Academia de Nutrição e Dieta, acaba de publicar um documento oficial com orientações para o tratamento da doença em crianças. 

“O rápido crescimento da diabetes tipo 2 é um desafio para os médicos, que geralmente encontram dificuldades para tratar doenças de adultos em crianças. Essa diretriz de prática clínica foi criada para fornecer recomendações de como guiar esse tratamento”, diz o início do texto. 

No decorrer das páginas, pode ser encontrada uma série de passos que os médicos devem seguir para cuidar de pacientes que tenham entre 10 e 19 anos. A primeira orientação é examinar qualquer criança que esteja no grupo de risco, ou seja, que apresente sinais como escurecimento nas regiões do pescoço e das axilas, alterações no colesterol e nos triglicérides, pressão alta e histórico familiar da doença. Se o teste for positivo, a diretriz recomenda que o médico tente discriminar qual o tipo de diabetes a criança tem porque os tratamentos são diferentes. Caso seja diabetes tipo 1, ele é feito com aplicação de insulina sintética por meio de injeções antes das refeições. Se for detectada a diabetes tipo 2, é preciso mudar o estilo de vida, ou seja, seguir uma alimentação saudável e praticar atividades físicas e usar um antidiabético oral. 

“Essas recomendações parecem ser meio óbvias, pois são muito semelhantes às que fazemos aos adultos. Mas a diretriz oficial só pode ser feita agora porque a comunidade médica comprovou recentemente, com pesquisas e estudos, que esses medicamentos também funcionam para crianças e não oferecem riscos a elas”, explica o endocrinologista Luis Eduardo Procópio Calliari, membro do departamento científico de endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. 

Diabetes tipo 1

Vale lembrar que a diabetes tipo 1, mais comum na infância e adolescência, não tem relação alguma com a obesidade. Nela, a produção de insulina do pâncreas não acontece ou é insuficiente para manter a glicose no sangue em valores normais, por isso, são necessárias algumas aplicações de doses do hormônio durante o dia. 

Sendo assim, a distinção entre diabetes tipo 1 e tipo 2 costuma ser bastante clara. Existem situações mais raras, no entanto, em que essa diferenciação é difícil de ser feita em um primeiro momento. Nesses casos, o documento da Academia Americana de Pediatria recomenda que os médicos, mesmo na dúvida, iniciem tratamento de insulina.

“Para pacientes com diabetes tipo 2, a insulina costuma ser desnecessária, pois os medicamentos orais e a mudança no estilo de vida quase sempre conseguem resolver o problema. Mas, se não resolver, ela também deve ser recomendada, assim como acontece com os pacientes do tipo 1. É por isso que, na dúvida, eles recomendam a aplicação. Ela é bastante segura”, explica Calliari. 

No Brasil 

Apesar de essas diretrizes terem sido publicadas por organizações norte-americanas, a diabetes tipo 2 cresce, mesmo que em ritmos menores, em crianças de todas as partes do mundo. De acordo com o endocrinologista Balduino Tschiedel, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e diretor-presidente do Instituto Brasileiro da Criança com Diabetes, não existem dados oficiais que comprovem a existência do problema no Brasil, mas as instituições nacionais já estão começando a lidar com ele. 

“A questão é ainda mais nova por aqui, por isso não existem números oficiais. Mas no nosso instituto, por exemplo, temos aproximadamente 2,5 mil pacientes (entre crianças, adolescentes e adultos jovens) em tratamento de diabetes, sendo que 70 deles possuem a do tipo 2”, conta. “É por isso que temos que apoiar essa diretriz norte-americana e, depois de algumas discussões, começar a segui-la também”, completa.

Fonte: revista Crescer

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