sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Você compartilha tudo sobre a sua família na web?


É difícil não jogar na rede aquela foto ou vídeo superfofo das crianças. Mas até onde isso é saudável? Veja abaixo como encontrar o limite da exposição e, assim, manter a família mais segura

Thais Paiva


Quem não gosta de dividir com os amigos e familiares boas notícias, ainda mais quando estão relacionadas aos nossos filhos? E hoje não existe maneira mais fácil de fazer isso do que jogando a informação na rede, não é mesmo?
Cada conquista e gracinha vira motivo para uma nova postagem e, quando percebemos, nosso Facebook, Twitter e outras mídias sociais estão repletas de fotos das crianças, desde o chá de bebê até o primeiro dia da escola.
Se por um lado toda essa informação possibilita que parentes e amigos, principalmente aqueles que moram longe, acompanhem o crescimento das crianças, por outro, pode colocá-los em uma situação de superexposição.
Segundo uma pesquisa realizada no site CRESCER, a maioria das pessoas curte mostrar as crianças na internet. Dos 718 participantes, 59% disseram que sempre compartilham fotos dos filhos, 31% poucas vezes e apenas 8% têm medo da exposição.
Vale lembrar que a rapidez e interatividade da internet dificultam que tenhamos controle de quem vê nossas postagens e aí surge aquela pergunta: será que estou expondo meu filho demais? No meio de tantas coisas legais da web, como se proteger das ruins?
Família segura
“Os pais precisam ter em mente que qualquer conteúdo publicado naquela telinha – seja do computador, tablet ou smartphone – terá uma capacidade de circulação imensa”, diz Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de Prevenção da SaferNet Brasil. “Uma vez publicada, a informação se torna tão pública quanto aquela colocada em um outdoor de uma grande avenida. Não tem mais volta e pode fugir do nosso controle”, afirma.
Assim, divulgar indiscriminadamente a intimidade de sua família pode trazer riscos. São muitos os problemas que podem envolver a imagem da criança na web, como pedofilia, sequestro, cyberbullying e a própria violação da privacidade do seu filho.
Isso não significa que você deve evitar o mundo digital e todas as ferramentas de interação que ele proporciona, basta saber usá-las com bom senso. Os pais têm de ter consciência do que estão postando e se perguntar se suas publicações vão envergonhar ou comprometer a segurança dos filhos.
“Na empolgação, muitos pais acabam fornecendo dados sobre a rotina da família que podem ser usados por criminosos para assaltos, sequestros, etc.”, diz Rodrigo. Assim, tome cuidado com imagens que identifiquem de onde é a criança ou em qual escola estuda. Evite também expor passeios, brinquedos ou outros bens materiais, que denunciam o poder aquisitivo da família.
Ainda mais importante é lembrar do bem-estar do seu filho. “O que você acha engraçadinho quando ele é pequeno, pode envergonhá-lo quando ele for mais velho”, lembra Rodrigo. "É só se colocar do outro lado: você gostaria que seu filho ficasse compartilhando fotos suas sem pedir autorização? Assim, se ele for maiorzinho, o diálogo é fundamental." Antes de postar uma foto nova, pergunte a ele se tudo bem você fazer isso. E atenção também aos comentários dessas imagens!
Lembre-se que sites, blogs e redes sociais têm opções e políticas de privacidade que ajudam a restringir o acesso ao conteúdo que você compartilha. No Facebook, por exemplo, é possível criar grupos fechados. Use e abuse dessas ferramentas para compartilhar momentos marcantes do seu filho com quem realmente você quer e se sente segura.
Veja 12 dicas de segurança para a web1. Antes de postar, avalie a pertinência daquele conteúdo. Ele pode prejudicar alguém? Há algum problema caso a informação caia na mão de estranhos? Expõe alguma pessoa ao ridículo? Fornece excesso de detalhes sobre o cotidiano da família?
2. Em vez de dizer onde estão ou estarão, fale sempre no passado.
3. Não forneça sua localização completa, como nome da escola, dos filhos ou bairro onde mora.
4. Evite preencher cadastros na internet com dados pessoais, como telefone e endereço.
5. Seu filho já acessa a internet sozinho? Espionar ou gravar tudo o que seus filhos fazem não é uma boa saída. Programas de filtro de conteúdo podem ajudar, mas o diálogo aberto sobre como, quando e com quem usar a rede continua sendo responsabilidade dos pais. Lembre-se: os programas podem funcionar bem em casa, mas as crianças também acessam a internet em lan houses, nas escolas ou em casas de amigos.
6. Ao colocar fotos da família, considere antes se elas expõem demais seus filhos, se indicam bens que possui, o número de sua casa, o uniforme da escola ou a placa do carro.
7. Também vale orientar as crianças a não exibir nome completo, endereço, telefone, nome da escola ou dos parentes em comunidades virtuais - e nem passar esses dados em chats.
8. Nos blogs, você pode moderar ou excluir comentários e editar as configurações para impedir os visitantes de copiar textos e fotos.
9. No YouTube, dá para restringir o acesso a usuários específicos ou somente para quem tiver o link exato do vídeo.
10. No Facebook, álbuns de fotos e publicações podem ser somente abertas para a visualização de pessoas específicas.
11. Sempre que testemunhar algo que viole os Direitos Humanos ou ameace seus filhos denuncie e procure as autoridades.
12. A ONG Safernet disponibiliza um Canal de Ajuda para quem tiver dúvidas sobre comportamento na web.
 Fonte: revista Crescer

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