sexta-feira, 7 de abril de 2017

Trabalhar pela internet: mães contam como ganham dinheiro em casa

Cada vez mais mulheres optam por trocar as responsabilidades do mundo corporativo por uma nova e ainda mais árdua, ainda que deliciosa, função: ser mãe.  Mas o tempo passa, a licença-maternidade acaba, e aquela vontade de voltar ao mercado de trabalho aumenta na mesma proporção a coragem de deixar o bebê diminui. O dilema comum é resolvido de maneira prática por muitas mulheres: trabalhar em casa. CRESCER conversou com quatro mães empreendedoras que abriram negócios que funcionam pela internet para acompanhar a maternidade de perto. Inspire-se e tire sua ideia do papel!

Sucesso no Instagram
Carolini Bifani, 32 anos, mãe de Maria Fernanda, 1 ano e 7 meses

Carolini com Maria Fernanda, sua inspiração (Foto: Daniele Cestone )
“Quando engravidei, comecei a pesquisar tudo sobre maternidade, até porque, era um mundo completamente novo e cheio de dúvidas. Na época, comecei a publicar insights da minha gravidez no meu Instagram pessoal. E notei que as pessoas que curtiam e comentavam não eram meus amigos, nem meus familiares. Foi aí que meu marido me deu a ideia de fazer uma conta voltada exclusivamente para a minha gravidez. E fiz, sem pretensão nenhuma, o Mundo da Maria Fernanda. Só sei que, em uma semana, eu tinha mais de mil seguidores. Hoje, tenho quase 50 mil seguidores e sinto mais dificuldade do que no início. Isso porque, desde que comecei, há dois anos, teve um boom de contas no Instagram sobre maternidade, o que dividiu o público. Enquanto eu estava grávida, eu também tinha mais tempo para postar e a função me deixava ocupada: dividia com meus seguidores detalhes da decoração do quarto da Mafe, tudo sobre o enxoval, dicas para montar a mala de maternidade e também falava sobre temas voltados à saúde, como enjoo (que tive bastante) e melasma na gravidez. Eram dicas voltadas às futuras mães. Agora, falo de tudo um pouco dentro desse universo. No início, eu não cobrava publipost [posts feitos em troca de publicidade], hoje já cobro - mas apenas de novas parcerias, pois acredito que as antigas me ajudaram a chegar até aqui.  Publipost funciona assim: para que eu faça a divulgação de determinada marca ou produto, cobro um valor.
A principal vantagem de trabalhar em casa é poder acompanhar o crescimento e a evolução da Maria Fernanda: lembro como se fosse hoje de quando ela deu os primeiros passinhos, até postei no Instagram. Foi muito emocionante! E o mais legal é que ninguém me contou: ela andou na minha frente porque eu estava presente. A primeira vez que ela falou “mamã”, a primeira fruta que ela comeu. A cada descoberta, me encho de orgulho. Sem contar que tenho mais tempo para cuidar da minha casa, do relacionamento com o meu marido. Admiro muito as mulheres que precisam cumprir uma carga horária fora e ainda arranjam tempo para a família quando chegam em casa. Eu sou muito grata por ter a oportunidade de viver a maternidade intensamente.
O maior prazer que eu tenho, além de conviver mais com a minha filha, é o carinho que recebo de minhas seguidoras: desde mensagens de pessoas dizendo que o sorriso da Maria Fernanda mudou o dia delas, até as que adoraram alguma dica que eu dei. Esse feedback imediato é meu termômetro para melhorar a todo momento. Hoje, o Mundo da Maria Fernanda é um blog fashion, onde posto os looks do dia dela desde que era recém-nascida. Como sou formada em moda, tento colocar em prática tudo o que aprendi na faculdade ao fazer combinações, como usar tal peça ou misturar cores. Acredito que, quando você faz algo com amor e carinho e deposita todas as suas energias boas num projeto, dificilmente vai dar errado. E é isso que eu tento fazer todos os dias quando acordo: colocar todo o meu amor e carinho de mãe no Mundo da Maria Fernanda.”

O maior prazer que eu tenho, além de conviver mais com a minha filha, é o carinho que recebo de minhas seguidoras: desde mensagens de pessoas dizendo que o sorriso da Maria Fernanda mudou o dia delas, até as que adoraram alguma dica que eu dei. Esse feedback imediato é meu termômetro para melhorar a todo momento. Hoje, o Mundo da Maria Fernanda é um blog fashion, onde posto os looks do dia dela desde que era recém-nascida. Como sou formada em moda, tento colocar em prática tudo o que aprendi na faculdade ao fazer combinações, como usar tal peça ou misturar cores. Acredito que, quando você faz algo com amor e carinho e deposita todas as suas energias boas num projeto, dificilmente vai dar errado. E é isso que eu tento fazer todos os dias quando acordo: colocar todo o meu amor e carinho de mãe no Mundo da Maria Fernanda.”


Dica para ter um Instagram de maternidade: “Respeite o tempo do seu filho. Há dias em que a Maria Fernanda não quer fazer foto, então, não fazemos. Mas há dias em que fazemos três seguidas. Quero que o perfil no Instagram seja pura diversão para ela e que o trabalho seja todo meu. Quero que ela seja criança, que ela brinque, que ela se divirta”

Marca própria

Renata Vampré, 41 anos, mãe de Maya, 5

Renata e Maya (Foto: Arquivo pessoal)
“Trabalhava em uma agência de propaganda e, assim que comuniquei que estava grávida, fui demitida. Passei a gravidez inteira pensando no que faria para ganhar dinheiro - o que foi ótimo, pois consegui me planejar com calma e organização. Só tinha uma certeza: não queria ser apenas um número em qualquer empresa; não seria mais descartável. Então, fui ser minha própria chefe. A ideia de lançar minha marca infantil, a It Babies, surgiu quando comecei a procurar roupas para a minha filha e tive dificuldade de encontrar peças básicas e acessórios descolados. Foi aí que identifiquei uma brecha no mercado. Para poder ficar com a minha filha, optei pela venda online, pois conseguiria trabalhar e divulgar os produtos de casa. Além disso, é uma opção mais barata, pois não pago aluguel, não preciso de funcionários, não tenho horário. A plataforma online é mais prática também: o controle do estoque é automático e a exposição dos produtos é mais organizada. Apesar de ser virtual, o cliente se sente mais seguro quanto ao pagamento e políticas de troca do que ao fazer uma compra pelo Instagram, por exemplo. Para escolher a plataforma que melhor me atendia, pesquisei muitas lojas virtuais e fui anotando tudo de que gostava e não gostava sobre o processo de compra. Passei tudo para uma agência especializada e eles me deram sugestões. Uma boa plataforma faz toda a diferença, pois é o que substitui o contato físico; é a ponte entre você e o consumidor.
Na época, o acesso às mídias sociais era bem menor. Hoje, consigo alcançar meus clientes com mais facilidade pelas redes, principalmente Facebook e Instagram. Conto muito com o boca a boca - é muito gratificante quando um novo cliente nos procura por indicação. Mas, como em todo trabalho, a concorrência é forte -- e, muitas vezes, desleal. Fui descobrindo que o segredo é ser autêntica, ter um estilo próprio.

Não dá para dizer que foi fácil: a maior dificuldade que tive foi a de estabelecer uma rotina e a ter disciplina. Ah, e fazer todos que estão a minha volta (inclusive minha filha) entenderem que, apesar de estar em casa, estou trabalhando! Separar os dois universos num mesmo ambiente é um desafio! Controlar as finanças também tem sido um aprendizado: como os custos para se ter uma empresa são altíssimos, é preciso ser muito pé no chão e controlar cada centavo que entra e sai. Sem isso, é capaz de você estar trabalhando de graça sem perceber! Sem contar que o retorno é muito demorado, então, é preciso ter paciência. Ao mesmo tempo, essa opção me proporcionou a alegria de acompanhar de perto a infância da minha filha -- e isso não tem preço! Ser dona do seu próprio tempo e trabalhar com paixão e brilho nos olhos é um caminho sem volta.”

Dica para abrir um e-commerce: “Tenha muito pé no chão em relação a gastos. Os investimentos iniciais precisam ser feitos com inteligência: vá devagar até sentir que o negócio está dando certo. E, claro, siga seu caminho de forma limpa e ética".

Foto e decoração

Fernanda Petelinkar, 39 anos, mãe de Jojo, 2

Casal segura tricotin do Achei O Que Eu Queria (Foto: Lia Soares Fotografia)
“Sou formada em fotografia e trabalho há anos com isso, mas, como sempre fiz muitos casamentos, tinha pouco tempo livre. Então, depois de virar mãe, comecei a produzir e vender tricotins [objetos de decoração com uma estrutura de arame e envoltos por uma trama feita com um tipo de ponto específico de tricô] pela internet, o que me permite passar mais tempo com a minha filha. Continuo trabalhando como fotógrafa, mas apenas aos finais de semana - tenho vida dupla! Vender serviço e produto são duas coisas completamente diferentes. Tem sido um desafio administrar dois trabalhos, mas não me vejo largando nenhum, pois eles andam juntos e um abre portas para o outro. Aliás, meu trabalho como fotógrafa foi um dos motivos pelos quais meu e-commerce deu certo muito rápido, pois minha rede de contatos já era grande. Então, quando anunciei meu novo negócio no meu Facebook, a repercussão foi enorme, o que reverteu em seguidores e vendas.

Com o sucesso nas redes sociais, fazer um e-commerce logo se tornou uma necessidade, então, escolhi uma plataforma pronta, que atendesse à demanda. E deu supercerto! Como a venda dos tricotins começou e cresceu online, não consigo pensar em levá-lo para o offline, ao abrir uma loja, por exemplo. O que não significa que o virtual seja mais fácil. Lidar com a demanda imediata de um produto artesanal, que leva tempo para ser produzido, é uma delas. Meu produto é personalizado, todo feito a mão, apenas sob encomenda. E, muitas vezes, o prazo se torna um problema -- as pessoas querem tudo pra ontem! Pelo fato de ser online, as pessoas imaginam que tudo será mais rápido e, na prática, não é bem assim. Mas estou trabalhando duro para melhorar isso. Até porque até hoje não consegui parar para fazer um planejamento da empresa -- cresceu mais rápido do que eu havia imaginado e demanda muito tempo. Essa falta de organização estrutural me dá a constante sensação de estar sempre um passo atrás.

Apesar da agenda apertada, estar com a minha filha no dia a dia faz tudo valer a pena. Jojo é a mascote, ela adora participar da produção e é minha grande inspiração. Outra fonte inesgotável de prazer é ver uma ideia que começou de forma tão despretensiosa crescer e virar um negócio sólido e de sucesso. Acredito que o segredo para isso é inovar, fazer diferente! Claro, “inovação” é algo cansativo, pois me força a estar sempre à frente da concorrência. Mas é tão compensador! Trouxe o tricotin para o Brasil quando nem se falava disso por aqui e, um ano depois, ele é o queridinho da vez. Por isso, enfatizo que inovação e trabalho duro são muito importantes.

Dica para equilibrar trabalho e maternidade: “Muitas mulheres passam a querer empreender depois da maternidade. Para ter equilíbrio, delegue! Posso dizer que, no meu caso, tudo tem dado certo porque posso contar com uma rede de ajuda incrível. Tanto para cuidar da minha filha, como do negócio. Não tentem fazer tudo sozinhas. A maternidade não tem nada a ver com solidão e, sim, com solidariedade. Aceitem ajuda de familiares, babás, escola… Porque na hora H, para o cliente, pouco importa se você tem filhos e ainda tem uma casa para organizar. É preciso cumprir um prazo! Empreender significa ter responsabilidade, justamente para que seja uma solução e não um novo problema”.

Contabilidade online
Claudia*, 32 anos, mãe de Gabriel, 9 meses.
“Sempre trabalhei com contabilidade em grandes empresas. Minha cartela de clientes era grande e meu salário também, mas vivia sobrecarregada, cansada, estressada. Não tinha tempo para nada nem ninguém. Para se ter uma ideia, casei em uma sexta-feira e já tive que retornar ao trabalho na segunda-feira seguinte. Minha vida era assim: non-stop! Até o dia em que descobri que estava grávida. Não tinha planejado - até porque se fosse planejar nunca acharia tempo! O susto me fez parar e avaliar minha vida naquele momento. Não era saudável! E do jeito que minha rotina era bagunçada, sabia que mal conseguiria passar tempo com meu filho, mas pensava: “Tantas mulheres dão conta... Não sou eu quem vai abrir mão da carreira”. Então, mesmo sabendo que não era o ideal para mim, estava decidida a retornar após minha licença-maternidade. Trabalhei até a véspera do nascimento de Gabriel, estressada. E tenho certeza de que esse estresse todo refletiu no parto -- queria normal, mas fui obrigada a fazer cesárea. E meu filho ficou na UTI neonatal por uma semana com problemas de respiração. Isso tudo me fez pensar se era esse o exemplo que queria dar a ele. Então, após o primeiro mês, que foi o mais puxado, comecei a pesquisar na internet como funcionava o trabalho de consultoria contábil online. Meu marido, designer, me ajudou a montar uma página na internet em que eu ofereceria meus serviços como contadora. Comecei a conversar com amigos e pessoas da minha rede: eles estavam felizes com seus contadores? Do que sentiam falta? Se pudessem, prefeririam contratar um serviço personalizado, em vez de contratar uma empresa? A partir de um feedback superpositivo, percebi que não precisava continuar no meu emprego para poder trabalhar! Montei, então, três pacotes diferentes para atender perfis distintos e comecei a divulgar pelas redes sociais -- tudo isso, claro, no anonimato, pois ainda estava empregada. Em cerca de três semanas já tinha fechado pelo menos quatro contratos. Assim, criei coragem de pedir demissão assim que retornei da licença.

Ainda sinto que preciso me organizar melhor: tem horas que eu não sei se estou na minha casa ou se estou no meu escritório! Os ambientes ainda se misturam muito. Mas acredito que com prática e experiência vou saber controlar melhor meus horários e fazer com que as pessoas entendam que, de tal hora a tal hora, é como se eu nem estivesse lá. Outra coisa que eu faço e me ajuda é, por exemplo, retornar e-mails de clientes apenas uma vez ao dia, no fim da tarde. Assim, não sou constantemente interrompida com as mensagens. Ah, e ainda vou virar vlogger: pretendo lançar até junho um canal no Youtube para dar dicas de contabilidade para mulheres. Para me organizar, preferi concentrar os pagamentos do meu trabalho pelo PayPal. Dessa forma, consigo controlar melhor a entrada e saída de dinheiro.

Mal sabia eu que, ao trocar o escritório na empresa pelo escritório em casa, eu continuaria trabalhando demais - a vantagem é que hoje tenho autonomia e consigo acompanhar cada etapa de desenvolvimento do meu filho.

Dica para quem quer oferecer um serviço pela internet: “Controle seus horários, senão, os clientes acabam consumindo 100% do seu tempo. Mas tenha em mente que você agora é a empresa, então precisa manter a qualidade do trabalho e do atendimento -- principalmente porque o que vai ajudá-la a decolar é o boca a boca!”


Fonte: http://revistacrescer.globo.com

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