segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Como usar a linguagem de sinais para se comunicar com seu bebê


O bebê chora incessantemente e a mãe age por tentativa e erro até descobrir o que realmente o aflige naquele momento. Este é um quadro comum na maioria das famílias, e, certamente, nunca deixará de o ser. Algumas mães, porém, têm tentado um “caminho diferente”, ensinando a linguagem de sinais para as crianças que ainda não falam.
A iniciativa parte de alguns estudos científicos das últimas décadas que revelaram que os bebês, antes de aprenderem a falar, são capazes de se comunicar por meio de gestos e sinais com bastante facilidade. Isso especialmente entre os seis e oito meses de idade da criança.

O ensino da linguagem de sinais, aliás, não deve começar a ser ensinado antes dos seis meses, pois, acredita-se que nessa fase os bebês ainda não têm a memória tão desenvolvida a ponto de guardar os gestos e nem a coordenação motora para realizá-los com sucesso.

Nos Estados Unidos, a prática já é mais comum; no Brasil, ainda é novidade para muita gente, mas tem ganhado bastante destaque ultimamente, principalmente através de vídeos no Youtube, onde algumas mães mostram como ensinar a linguagem de sinais para o bebê.

Para quem aposta nesta ideia, a justificativa é que a linguagem de sinais facilita a comunicação do bebê com a família, até que ele aprenda a falar. Mas os benefícios vão além disso!

Vale destacar, porém, que a linguagem de sinais para bebê aqui citada não é para deficientes auditivos, mas, sim, para crianças que ainda não falam, mas falarão no futuro.

Quais são os benefícios da prática?
Flavia Calina, 33 anos, profissional de Educação Infantil, mãe e Youtuber, é uma das mães que têm difundido com sucesso o uso da linguagem de sinais através de vídeos no Youtube. Ela conta que, antes de ter sua filha, já sabia que ensinaria língua de sinais para ela. “Trabalhei alguns anos como professora de bebês e aprendi muito sobre os benefícios e vivenciei na prática com os bebês para quem dei aula”, diz.

Para Flávia, o principal benefício da linguagem de sinais é dar uma alternativa para o bebê se comunicar sem ser chorando ou ficando frustrado. “Pois quando o bebê não sabe falar, ele busca alternativas para ser entendido e o choro é o meio de comunicação que eles mais usam”, diz.

“Outros benefícios, tão importantes quanto o primeiro, são o de aproximação da mãe e do pai com o bebê, pois essa ‘conversa’ cria um laço muito mais íntimo entre a família… Já que os pais estarão prestando atenção nos seus bebês e no que eles querem dizer”, explica Flavia.

“Alguns estudos comprovam também que crianças que usam a língua de sinais desde cedo se comunicam melhor, têm um melhor vocabulário e, ao longo do tempo, têm um melhor desempenho nos estudos”, acrescenta a mãe.

De forma resumida, podem ser destacados como vantagens da linguagem de sinais:
Redução da frustração do bebê em tentar se comunicar;
Maior facilidade para os pais entenderem o que o bebê quer e para se comunicarem com ele de maneira geral;
Aumento da autoconfiança do bebê por conseguir se expressar;
Enriquecimento do vínculo entre pais e filho;
Estímulo para que a criança aprenda a falar mais cedo e tenha maior vocabulário;
Melhora do desenvolvimento intelectual e emocional.
Como criar uma linguagem de sinais para se comunicar com seu bebê

Mas, como a linguagem de sinais funciona na prática? 
Flavia explica a seguir os principais passos:

A língua de sinais utilizada é geralmente a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) ou ASL (American Sign Language) no caso de quem mora nos Estados Unidos como Flavia. “Não é criada uma língua nova e, sim, utilizada LIBRAS ou a ASL para que a criança também possa se comunicar com crianças com deficiência auditiva normalmente”, diz. Pode existir uma pequena variação de um gesto/palavra para outro no caso de cada família, região ou país, mas, de forma geral, são usados praticamente os mesmos sinais.

O objetivo da língua de sinais é diminuir a frustração do bebê em se comunicar, mas também ensinar uma língua a mais para as crianças, para que elas possam se comunicar com outras. “Isso é um adicional muito grande”, observa Flávia.

Para começar a ensinar, os pais devem seguir “passinhos de bebê”: começar com um sinal por vez. “Eu uso o sinal da palavra mais usada com os bebês, que é ‘mamar’. Assim que o bebê aprende o primeiro sinal, você já pode introduzir mais um e assim por diante. Em poucos meses seu bebê vai estar fazendo mais de 15 sinais”, explica Flavia.

“Basta pensar que quando ensinamos um bebê a dar ‘tchau’ com a mãozinha, ele já está fazendo um sinal. Então, adicionamos a esse repertório a fala da palavra em questão e os pais fazendo o sinal junto”, destaca Flavia.

Vale destacar que existem livros que podem ajudar os pais a ensinarem a linguagem de sinais para o bebê, como, por exemplo, o livro “Sinais: a linguagem do bebê” ou “Baby Sign Language Basics: Early Communication for Hearing Babies and Toddlers”, entre outros.

Sinais x Palavras: a linguagem dos sinais atrapalha o aprendizado da fala?

O tema ainda causa muitas dúvidas e controvérsias. Mas quem aposta na prática diz exatamente o contrário. Afinal, os pais estarão fazendo os gestos e falando com bebê ao mesmo tempo, o que pode até ajudar mais no desenvolvimento da fala da criança.

De acordo com um estudo do National Institute of Health, os bebês que aprendem a linguagem de sinais desenvolvem até mais rápido a linguagem oral do que os bebês que não praticam a linguagem de sinais.

Mas, vale ressaltar, o uso da linguagem de sinais deve ser feito de forma tranquila, respeitando o tempo da criança. A ideia é que os pais digam a palavra ao mesmo tempo em que fazem o sinal sempre que possível, em diferentes circunstâncias, assim o bebê aprenderá com o som, com o sinal e a representação do que disseram. O processo deve ser o mais divertido possível, para ser uma experiência totalmente agradável para o bebê.

Fonte:http://www.dicasdemulher.com.br

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