terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Visitar o recém-nascido exige cuidados

Até pelo menos os dois meses de vida, quando as crianças ainda não tomaram vacinas, é importante se precaver para evitar a transmissão de doenças. Saiba como agir com amigos e familiares para proteger o seu filho


Basta receber a notícia de que mais um bebê nasceu na família para todo mundo ter vontade de sair correndo para a maternidade e conhecê-lo logo. No entanto, às vezes, pelo bem da própria criança, é preciso segurar um pouquinho a ansiedade. Um estudo recente, publicado na conceituada revista Pediatrics, da Associação Americana de Pediatria, mostra, por exemplo, que a maior parte dos casos de coqueluche -- uma doença respiratória perigosíssima--, em bebês com menos de dois meses, são transmitidos por membros da própria família. Enquanto os irmãos passaram a bactéria em 35% dos casos, os pais foram os responsáveis em 20% e as mães, em 10% das situações.

Precisa proibir mesmo as visitas?

De acordo com Graziela Del Ben, neonatologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim (SP), o ideal é que os amigos e familiares esperem pelo menos até o bebê completar dois meses, quando ele já recebeu mais vacinas. "É difícil evitar, mas sempre recomendamos aos pais que peçam para as pessoas aguardarem um pouco", explica a médica. "Quando for inevitável, é preciso pedir que as pessoas tenham muito cuidado, lavem as mãos, usem álcool gel... ", recomenda.

E como fazer nos casos como os citados pelo estudo, em que os próprios membros da família transmitem a doença? Segundo Graziela, quando há o menos sinal de secreção, tosse ou espirro, é preciso mesmo evitar o contato. "Se o irmãozinho estiver resfriado, é importante explicar que não pode ficar pegando ou beijando o bebê, porque ele pode ficar doente também", orienta.

Como agir com quem que conhecer o bebê?

É complicado segurar a empolgação das pessoas. Se for a primeira criança da família, então, fica ainda mais difícil. Os pais precisam ter calma e entender que, na maior parte das vezes, tudo não passa de uma demonstração de carinho. No entanto, a saúde da criança deve falar mais alto. "É possível dizer com toda a clareza: 'Estamos ansiosos para que conheçam o nosso bebê, mas é mais seguro para ele esperar um pouquinho para receber visitas. O que acham de virem... ' e aí sugerir uma data", exemplifica Lígia Marques, consultora de etiqueta de São Paulo (SP).

Se a pessoa estiver resfriada, então, não dá nem para ter constrangimento. Nos casos em que o próprio amigo ou parente não percebe e, mesmo assim, quer visitar a criança, o jeito é falar mesmo. "Diga, sem medo: 'Vejo que está resfriado (a). Vamos deixar a sua visita para quando você sarar, tudo bem? O bebê ainda é fraquinho. Ele vai gostar de ficar no seu colo e dessa maneira não poderá nem chegar perto", sugere a especialista.

Quando a visita estiver em casa

Nos casos em que os pais topam receber visitas, há situações constrangedoras. Há famílias que não gostam que as pessoas peguem o bebê no colo. O que fazer nessa situação? Será que existe alguma maneira mais delicada de falar isso? Para Lígia, essa é bem delicada, mas é um direito dos pais. Nesse caso, você pode dizer algo como: "Desculpe, sou uma mãe bem chata mesmo! O bebê é pequeno demais e sua imunidade é frágil. Não estou deixando ninguém pegá-lo no colo, a não ser eu e o pai". Mas atenção! Ao assumir essa postura, para não ficar chato, não dá para deixar ninguém mesmo, nem os avós, segurarem a criança na frente da visita.

Se você não tem problemas em deixar os amigos segurarem seu filho, mas, claro, não abre mão da higiene, é preciso deixar isso explícito. Será que dá para pedir que as pessoas lavem as mãos, sem ser indelicada? Dá sim! "Uma ideia é colocar um aviso simpático no quarto, como um bebezinho pedindo: 'Ainda sou muito pequeno e algumas coisas podem me fazer mal. Por favor, lave suas mãos antes de me pegar no colo'". Outro sinal sutil, que pode funcionar bem, é deixar um frasco de álcool gel em um local bem à vista.


onte: revista Crescer

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