quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Por que meu filho não dorme a noite inteira?

A resposta está relacionada ao desenvolvimento cerebral. Mas você pode dar uma forcinha para facilitar o processo


Antigamente, acreditava-se que a única função do sono era a do repouso – tanto do corpo quanto da mente. Diversas pesquisas, entretanto, demostraram que o cérebro permanece ativo, isto é, realiza uma série de funções essenciais ao desenvolvimento humano. É enquanto seu filho dorme, por exemplo, que o hormônio do crescimento entra em ação. “O sono é um fenômeno neurológico que sofre muitas transformações durante a infância, refletindo os diferentes momentos de amadurecimento do sistema nervoso central da criança. Dessa forma, em cada idade, ele apresenta caraterísticas e necessidades particulares”, explica o neuropediatra Paulo Liberalesso, do Departamento de Neurologia e Neurofisiologia do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Por isso, um recém-nascido dorme até 20 horas por dia, enquanto uma criança de 1 ano de idade dorme cerca de 12.

Mas se o bebê precisa dormir tanto, por que os pais têm a impressão de que ele acorda a todo instante? Acontece que durante os primeiros meses de vida, o ritmo circadiano (período de 24 horas pelo qual o nosso corpo se norteia para organizar suas funções) dura de três a quatro horas. “Aos poucos, o cérebro se adapta, e entre os 4 e os 6 meses, o sono do bebê passa a predominar no período da noite”, afirma o especialista. Ainda assim, é natural a criança acordar durante a noite até os 2 anos de idade, pois os despertares fazem parte do ciclo de sono dos seres humanos e de vários animais: a diferença é que, em geral, voltamos a dormir rapidamente. Já o bebê precisa ser ensinado, processo que ocorre de forma gradual e natural.


Higiene do sono
É assim que os especialistas chamam a introdução de bons hábitos na hora de dormir. “A tendência é pensar que se trata de algo passivo: basta estar cansado para pegar no sono”, diz o neuropediatra Rudimar dos Santos Riesgo, professor de medicina da UFRS e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria. Mas de acordo com o neuropediatra não é assim que acontece: é necessário preparar o organismo. Não dá para estimular a criança com brincadeiras excitantes à noite, por exemplo, e esperar que ela vá dormir com tranquilidade em seguida. Além disso, entenda que o cérebro do seu filho é como se fosse um computador. Se toda vez que ele chorar for retirado do berço, vai ficar programado para agir de tal forma. “Por isso, a orientação, nesse caso, é acalmar o bebê ainda no berço”, explica. Veja mais dicas a seguir:

1. Estabeleça uma rotina de sono com horários definidos para dormir de noite e para acordar pela manhã;
2. Evite brincadeiras e outras atividades que estimulem o sistema nervoso central à noite, como TV (principalmente nas duas horas que antecedem o momento do dormir);
3. Ao chegar a hora de ir para a cama, crie um pequeno ritual: coloque o pijama e escove os dentes (no caso dos maiores), leia uma história ou cante uma música e dê um beijo de boa noite. Tudo isso vai deixar o seu filho mais seguro;
4. Em vez de induzir o sono, embalando o bebê no colo ou no carrinho toda vez, por exemplo, tente colocá-lo no berço quando ele ainda estiver acordado, já sonolento;

5. Por último, o quarto deve ser um local aconchegante. Embora o ideal seja dormir no escuro, caso a criança sinta medo os médicos recomendam usar um abajur ou uma lâmpada incandescente de baixa intensidade (8 watts).

Fonte: revista crescer

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