segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Aquisição da fala: o papel da interação com outras crianças


Um dos principais estímulos para aprender a falar são as situações de comunicação reais, em que a criança precisa organizar as ideias antes de transmiti-las. E é durante as trocas sociais, com colegas da mesma idade, que a necessidade de se fazer entender fica mais clara.

As crianças, em geral, não tentam facilitar a comunicação para o seu interlocutor -- como fazem os pais e os familiares. Aí, o bebê se vê obrigado a fazer um esforço, o que é muito positivo. Ao se adaptar à nova realidade, a criança exercita o vocabulário e adquire novas formas de discurso.

Para a psicóloga Ana Colagrossi, diretora executiva do Instituto Vila Educação (SP), além da livre interação, é importante também estimular a prática de atividades entre os pequenos. “Exercícios como rodas de conversa, fantoches, poesia, música, leitura, reconto de histórias e dramatizações são ótimos para desenvolver a capacidade de expressão oral”, explica. Além disso, esse tipo de comunicação ajuda no desenvolvimento da chamada inteligência emocional, que determina a capacidade de se relacionar e lidar com sentimentos diversos.

No entanto, a idade em que a criança terá a oportunidade de estabelecer essas relações depende muito das condições e das necessidades de cada família. A psicóloga ressalta, porém, que a criança lida melhor com a noção de coletivo a partir dos 3 anos, quando ela considera fundamental matriculá-los em uma escola, se ainda não estiverem frequentando uma instituição.

Os benefícios da pré-escola para o desenvolvimento da linguagem já foi comprovado por um estudo do Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos, publicado em 2014. A pesquisa, que acompanhou 1364 crianças desde 1 mês de vida concluiu que, aos 12 anos, os alunos que frequentaram a pré-escola a partir dos 3 anos tinham o vocabulário mais rico. Uma das explicações dos especialistas é que a escola expõe a criança à diversidade, enquanto o ambiente familiar tende a se concentrar em uma maneira única de expressão.

E há outras formas, ainda, que os pais podem propiciar tais estímulos. “Uma ideia é incentivar o convívio com outros parentes da mesma idade ou organizar passeios a parques, praias e outros lugares em que haja possibilidade de interação”, aconselha Ana.

Fonte: revista Crescer

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