terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Escola bilíngue: vale a pena?



Desde que a globalização se tornou uma realidade, as crianças conhecem cada vez mais cedo outros idiomas, por meio de desenhos, músicas, filmes, aplicativos e toda sorte de conteúdo. Muitos pais desejam intensificar ainda mais esse contato e preparar desde cedo os pequenos para o mundo atual, matriculando-os em escolas de ensino bilíngue. Mas quais são os prós e os contras do método?

Entre os benefícios, estão vantagens cognitivas em relação ao ensino regular, de acordo com pesquisa realizada por Elizabete Flory, doutora em bilinguismo pelo Instituto de Psicologia da USP. Segundo ela, as crianças bilíngues têm uma antecipação de consciência metalinguística, sabem que o objeto pode ser representado por palavras diferentes em línguas diversas, o que funciona como estímulo para o raciocínio relacionado à linguagem.

Outra vantagem é preparar a criança para a compreensão de um mundo multifacetado, conforme aponta a fonoaudióloga Fernanda Menezes. “Uma criança bilíngue tem mais ferramentas para interagir e compreender culturas diferentes”,  defende.

Já em relação aos contras, enquanto há, por um lado, especialistas que acreditam que é melhor esperar a criança ter mais habilidade com as palavras em português antes de aprender outro idioma, não existem estudos que comprovem que o bilinguismo provoca qualquer tipo de atraso ou confusão. “Enquanto a criança estiver no processo de adquirir a linguagem, por volta dos 2 ou 3 anos, é normal que confunda sons e troque uma palavra pela outra. Mas isso também ocorre quando se ensina uma só língua”, afirma a fonoaudióloga.

O desenvolvimento linguístico de um aluno bilíngue deve ser equivalente ao das demais crianças. Se houver uma grande discrepância, deve-se, igualmente, consultar um profissional, pois ela pode ter algum problema não relacionado ao fato de aprender duas línguas. Ou seja, se a criança tem 4 ou 5 anos e ainda não pronuncia corretamente todos os fonemas, pode ser o caso de conversar com o pediatra e, se necessário, consultar um fonoaudiólogo.

Quando começar?
Para quem opta pela educação bilíngue, sempre surge a dúvida: quando é o momento ideal para o filho começar o aprendizado? O recomendado é que a criança tenha contato com os dois idiomas o mais cedo possível, quando ainda estiver aprendendo a dominar a linguagem. Entre 6 meses e 4 anos, há uma janela de oportunidade em que se formam, no cérebro, os circuitos relacionados à aquisição da linguagem. Se os neurônios forem bem estimulados, estabelecem novas conexões e especializações.

Apresentar um novo idioma ao seu filho nessa fase, portanto, faz com que ele o assimile mais facilmente. Sem contar que há maior chance de ele falar sem sotaque, já que as estruturas nervosas básicas ainda estão em formação. Além disso, as crianças aguçam a compreensão auditiva e se tornam capazes de distinguir sons semelhantes, como bed (cama) e bad (mau), do inglês, o que pode ser difícil mais para a frente.

Fonte: revista Crescer

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