quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Criando meninos

Autor do best-seller homônimo, que foi traduzido para 32 línguas, fala sobre a importância do papel do pai na vida dos meninos


Para o psicólogo britânico Steve Biddulph, os meninos é que são o sexo frágil nos dias de hoje. “Atualmente, as meninas são mais seguras de si, mais motivadas, mais aplicadas. Os meninos, com frequência, não têm objetivo, vão mal na escola, têm dificuldades de relacionamento, expõem-se à violência, ao álcool, às drogas e outros perigos”, diz o escritor em seu livro Criando Meninos (Ed. Fundamento), best-seller mundial que foi traduzido para 32 línguas.

E como os pais podem reverter essa história? Para começar, o autor sugere que é preciso tratar os garotos com menos reprovação e mais compreensão, se queremos mais homens bons no mundo. E isso também inclui ensiná-los a lavar a louça desde cedo! Em entrevista exclusiva à CRESCER, Biddulph, que vive na Austrália, conta mais sobre as peculiaridades dos meninos.

CRESCER: Quais as principais diferenças entre meninos e meninas que os pais deveriam ficar atentos?
Steve Biddulph: Meninos e meninas se sobressaem de diversas maneiras e, portanto, não deveríamos tratá-los como se fossem muito diferentes. A mensagem de um século de feminismo é clara: nunca devemos limitar as potencialidades de meninos OU de meninas. Mas vale entender as tendências gerais que existem. A mais importante é que a maioria dos meninos se desenvolve mais devagar. Eles ficam atrás delas aproximadamente três semanas ao nascer e de seis meses a um ano aos 5 anos, em se tratando de habilidades importantes, como coordenação motora fina e linguagem. É por isso que, no livro, sugiro que eles entrem um pouco mais tarde na escola. Já, na fase da adolescência, as meninas entram na puberdade antes – um ou dois anos mais cedo, em geral.

CRESCER: Por que os pais devem incentivar os meninos a brincar do que quiserem, tanto de carrinho quanto de boneca?
S.B.: Nos últimos dez anos, os brinquedos se tornaram mais voltados ao gênero – é como se tivéssemos voltado aos anos 50. Isso é muito limitador. No meu livro Criando Meninas (que deve ser lançado em breve no Brasil), menciono o fato do Lego para garotas ser dedicado a temas como salão de beleza, compras e moda. As crianças precisam de brinquedos que não moldem as suas identidades, mas que as incentive a decidir por si próprias.

CRESCER: Pode relembrar para nós os aspectos essenciais sobre ser pai que destaca no livro?
S.B.: Os pais ensinam (pelo exemplo) os meninos a serem gentis com os demais e a respeitar as mulheres. Em relação às meninas, eles mostram o quanto elas são importantes e especiais. Os pais ajudam meninos e meninas a serem mais aventureiros, a se divertir a explorar o mundo lá fora. Pesquisas mostram que um pai participativo melhora o desempenho escolar e as condições de saúde mental em geral da criança, assim como faz com que ela passe pela adolescência com segurança.

CRESCER: Considerando a resposta anterior, como uma mãe solteira pode criar um menino sem o pai?
S.B.: Muitas mães solteiras vêm às minhas palestras e usam meus livros para ajudá-las a educar os filhos homens. Acontece que mães têm educado meninos com sucesso (sozinhas) há milhares de anos. Mas é mais fácil quando elas encontram homens bons para conviver com seus filhos – sejam avós, tios, professores, com os quais criem vínculos duradouros e façam com que se sintam importantes.

CRESCER: Hoje em dia, como você menciona no livro, as mães muitas vezes têm dificuldade em desapegar dos filhos homens. O que você diria para ajudá-las?
S.B.: O mais importante é que os homens participem, porque só assim as mães podem relaxar e se desligar um pouco. É fácil ser indulgente em excesso com os meninos – fazer o lanche e lavar a roupa deles aos 14 anos, por exemplo. A essa altura, ele já deveria estar fazendo tudo isso sozinho. Na verdade, poderia até preparar uma refeição para a família vez ou outra.


Fonte: revista Crescer

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