quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A participação da família na vida da grávida

Entenda por que a participação de todos traz ganhos para a mãe e para o bebê. Veja também como evitar brigas


A gestante nunca engravida sozinha. Essa é a crença da pediatra Luciana Herrero. Em outras palavras, todos os que convivem com ela nesse período tão especial – família, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, bichos de estimação etc. – acabam influenciados de alguma maneira e criam expectativas em relação à gravidez. “Como as famílias estão cada vez menores -- e até mesmo os avós vivem ocupados--, as futuras mães tendem a se sentir sozinhas e desamparadas. Por isso, "contar com o apoio de pessoas próximas é um privilégio”, acredita Luciana, que é autora de Diário de Bordo da Família Grávida (Ed. Aninhare). Essa participação pode fazer toda a diferença.

Que o diga a nutricionista Camila Gracia, 40, mãe de Catarina, 4 meses. Ainda no segundo trimestre da gestação, ela foi diagnosticada com encurtamento do colo do útero e, por isso, teve de passar o resto da gestação em repouso. A família, então, se mobilizou. “Fiquei na casa dos meus pais. A minha sogra comprou o enxoval e o meu marido cuidou de absolutamente tudo para evitar que eu me preocupasse com algo que não fosse a gestação”, recorda. Nesse intervalo, ela conta que todos se revezavam – pais, marido, irmã e até mesmo o cachorro – para fazer companhia a ela 24 horas por dia. “Sem a ajuda deles, não teria conseguido manter o repouso pelo tempo necessário e talvez corresse o risco de abortar ou de ter uma bebê muito prematura”, completa. Catarina nasceu saudável na 36ª semana de gestação.

Na mesma sintonia

O problema é que, muitas vezes, a convivência pode gerar desentendimentos. Até porque a gestante tende a ficar emocionalmente fragilizada e instável nesse período por causa das alterações hormonais. “O maior problema é a falta de comunicação. A família (e as pessoas que cercam a futura mãe) tem de ir além dos palpites”, resume Luciana. Como cada um tem uma opinião ou orientação diferente, do tipo de parto à amamentação, passando pelos cuidados com o bebê, ela diz ser fundamental que a grávida exponha suas ideias e fale o que está precisando ou desejando naquele momento. Muitas vezes, por exemplo, a família está se preparando para tomar conta do bebê, quando são os pais que precisam de colo.

Para evitar brigas, em primeiro lugar, a gestante tem de estar segura de si. O que é alcançado, principalmente, quando ela busca informações em fontes confiáveis e troca experiências com outras gestantes, segundo a pediatra. “O enxoval mais importante é o intelectual”, diz. Esse conhecimento pode – e deve! – ser compartilhado com parentes, amigos e colegas. As avós, por sua vez, vão ficar felizes em receber novas informações. Que tal convidá-las a fazer um curso de puericultura (há alguns direcionados especialmente a elas) ou participar de uma consulta do pré-natal? Ao acompanhar a gravidez, todos devem se preparar e falar a mesma língua – sendo que a gestante é quem dá as diretrizes.


Fonte: revista Crescer

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