quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Aleitamento materno também diminui ocorrência de diarreia, diz estudo


Que a amamentação traz diversos benefícios para os bebês, todo mundo já sabe. E agora, pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), da Universidade de São Paulo (USP), descobriram mais uma vantagem. Um estudo realizado pela enfermeira e professora da Universidade Federal do Maranhão, Floriacy Stabnow Santos, concluiu que o aleitamento também está relacionado a menores taxas de doenças prevalentes na infância, como diarreia, infecções respiratórias e otite, além de menor índice de mortalidade como consequência delas.

Desenvolvida na cidade de Imperatriz (MA) com 854 crianças menores de 1 ano, cadastradas nas unidades de Estratégia Saúde da Família, a pesquisa constatou que a diarreia aguda ocorreu 2,6 vezes mais em bebês menores de 6 meses que não mamaram. A manifestação do distúrbio intestinal também aumentou de acordo com a idade da criança. Após os seis meses, houve maior prevalência. Do total analisado, 22,9% dos bebês apresentaram diarreia aguda e 11,2% chegaram a ser hospitalizados por conta disso.

“O leite materno contém compostos imunológicos que promovem a colonização do intestino da criança por bactérias protetoras, que impedem a fixação de agentes patógenos”, explica Floracy. Para ela, o aleitamento materno exclusivo (AME) é imprescindível na diminuição da incidência de doenças.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que a amamentação seja realizada desde a primeira hora, exclusiva e em livre demanda, até o sexto mês do bebê e estendida até 2 anos ou mais. No município onde o estudo foi realizado, a média de amamentação exclusiva até os seis meses é de 32%. Aos 12 meses, apenas 15% das crianças mamaram.  “Em Imperatriz, como no restante do Brasil, a prevalência do aleitamento materno é muito baixa. Não cumprimos as recomendações”, afirma Floriacy.

Desmame precoce

O desmame precoce dos bebês pode estar relacionado à introdução de hábitos como o uso de chupeta, mamadeira e água, de acordo com a pesquisa. Crianças que não usaram chupeta tiveram cinco vezes mais chances de serem amamentadas, enquanto o não uso da mamadeira aumentou em 16 vezes essa probabilidade. Para os bebês que não consumiram água, as chances foram 8,5 vezes maiores.

Além desses fatores que contribuem para a diminuição do índice de aleitamento, Floriacy afirma que as mães incorporam alimentos complementares muito cedo na dieta do filho. Isso acontece, segundo ela, porque há no país uma cultura que nega a eficiência da amamentação como única via de nutrição ao bebê. “A questão cultural e social sobre o aleitamento é forte. Temos muitos tabus relacionados à amamentação: ‘meu leite é fraco, meu leite não sustenta meu filho. Tenho que dar complemento’. É uma série de coisas que impede a mãe de amamentar”, diz. O resultado, segundo a pesquisadora, é que bebês antes mesmo de completar seis meses já são alimentados com itens absurdos. “Observei crianças de dois meses tomando café e refrigerante”, afirma. O mingau, por exemplo, aumentou a incidência de diarreia aguda em 2,7 vezes, de acordo com Floriacy.

Os dados obtidos apontam que a idade materna também influencia diretamente na manutenção do aleitamento e, consequentemente, em menores incidências de doenças nas crianças. “Mães com mais idade amamentam mais os filhos do que mães mais jovens. Seja por estabilidade econômica, seja por terem mais informações.”

Para a pesquisadora, temos uma cultura deficiente em relação ao aleitamento, resultado de acompanhamentos médicos e hospitalares muitas vezes ineficazes. “O profissional de saúde tem pouco contato com a mulher e esse contato não tem qualidade. Como ela vai comparar a força da cultura com a orientação do profissional se ela não criou um vínculo com ele ou nem foi devidamente orientada? A mãe precisa criar consciência desde o pré-natal e ter convicção de que o leite materno é o melhor alimento”, conclui.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/

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