quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cerclagem: você sabe o que é?


Algumas mulheres precisam passar boa parte da gestação em repouso. Geralmente são aquelas que sofrem abortos tardios ou partos muito prematuros e podem ser portadoras de insuficiência istmocervical. Esta é uma condição que provoca dilatação anormal do colo uterino na metade da gravidez e culmina com o nascimento de um bebê imaturo, que raramente sobrevive fora do útero materno. Na gravidez seguinte, a maioria dos obstetras indica uma pequena intervenção cirúrgica – a cerclagem – para tentar evitar a ocorrência de um novo episódio. A cerclagem é uma sutura cirúrgica em bolsa, realizada sob anestesia, geralmente indicada logo após o terceiro mês de gestação com objetivo de manter o colo uterino fechado até o final da gravidez. Os pontos são retirados com cerca de 37 semanas para que o parto possa ocorrer normalmente.

Esse procedimento, no entanto, tem riscos. O principal deles é favorecer uma infecção intra-uterina ou a ruptura das membranas amnióticas. Nos últimos anos, tem ocorrido uma crescente ampliação das indicações para a cerclagem, nem sempre bem fundamentadas. As melhores evidências científicas atualmente disponíveis sugerem não haver vantagens de fazer cerclagem em grávidas com baixo risco de perda gestacional. A cirurgia também não deve ser indicada somente pelo achado de um colo uterino curto durante o exame de ultra-som, principalmente em mulheres sem fatores de risco para prematuridade. Do mesmo modo, a gravidez de gêmeos, por si só, não justifica a intervenção.

Após a realização da cerclagem é necessário permanecer em repouso por longos períodos durante toda a gestação e ficar em abstinência sexual. Este contexto pode ser muito estressante para a mulher e para toda a sua família. O apoio psicológico profissional pode ser necessário para algumas delas e sua família deve oferecer suporte emocional, estimulando atividades intelectuais e recreativas em casa, em todos os casos.

Fonte: Dr. Wladimir Taborda, médico ginecologista e obstetra e doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo. Autor do livro A Bíblia da Gravidez
revista Crescer

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