quarta-feira, 20 de março de 2013

SEUS FILHOS


Você sabia que a maioria dos problemas de visão poderia ser solucionada se fosse detectada precocemente? Descubra os sinais que devem indicar que seu filho precisa de ajuda para enxergar melhor e saiba como proteger os olhos dele desde o nascimento

Mônica Luz



Antes de nascer, o bebê ainda não sabe enxergar. Apesar de, anatomicamente falando, os olhos dele já estarem praticamente formados ao fim do segundo mês de gestação, ainda não têm suas funções desenvolvidas. Por isso, na primeira vez que a criança vê o mundo, ele não se revela perfeito à sua frente – e não é porque ela nasce com hipermetropia, uma dificuldade de enxergar de perto causada pelo tamanho pequeno dos olhos e que é corrigida durante o crescimento. A verdade é que o bebê ainda não identifica todas as cores e o máximo que vê são vultos. Ou seja, até então, seu filho apenas tem a capacidade de desenvolver a visão, o que, ao contrário do que se possa imaginar, é muito bom. Caso tenha algum problema, será muito mais fácil solucioná-lo, desde que o diagnóstico seja precoce. Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), 50% dos recém-nascidos com alteração visual só têm a dificuldade identificada quando ela é irreversível. Problemas como erro refrativo (miopia, astigmatismo, entre outros) e estrabismo teriam um final mais feliz e menos traumático se a máxima de que “prevenir é melhor do que remediar” saísse da teoria para se tornar prática. Na reportagem a seguir, entenda tudo sobre os olhos do seu filho, desde o colírio da maternidade até a escolha da armação dos óculos. 

Cuidados com o recém-nascido 
Os olhos do seu filho recebem atenção ainda na maternidade. Já na sala de parto, acontece a aplicação do colírio de nitrato de prata, que previne conjuntivites neonatais (mas também pode causar a química, que é combatida naturalmente pelo organismo da criança). Ainda assim, atualmente, a principal causa da conjuntivite neonatal é a clamídia, notada apenas entre o quarto e o décimo dia de vida. Portanto, se os olhos do seu filho ficarem irritados após a saída da maternidade, é preciso levá-lo ao pediatra. 

Existem outros exames que seu bebê faz logo nas primeiras horas de vida. Em alguns estados brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, é obrigatória a realização do “Teste do Reflexo Vermelho” ou, como é mais conhecido, “Teste do Olhinho”. Ele detecta catarata e glaucoma congênitos, tumores, inflamações e hemorragias intraoculares. Para realizá-lo, o médico coloca uma luz nos olhos da criança e observa o reflexo gerado. Se for homogêneo e simétrico, está normal. Mas, se houver dificuldade para identificá-lo, o bebê deve ser encaminhado ao oftalmologista. Se na sua cidade o teste ainda não é obrigatório, é necessário que o próprio pediatra faça a análise. Vale lembrar que, em casos de prematuridade, é imprescindível o acompanhamento oftalmológico entre a quarta e a sexta semana de vida do bebê, já que uma das principais causas de cegueira infantil é o descolamento da retina, problema que atinge muitos prematuros. 

Ainda no primeiro mês, é normal ocorrer uma obstrução à drenagem da lágrima, o que vai fazer seu filho lacrimejar muito sem motivo em um ou ambos os olhos. O tratamento é simples: envolve massagem na via lacrimal e lubrificante. Se não der resultado, o médico insere uma pequena sonda de silicone. Mas não se assuste: o procedimento é de rotina e acontece no consultório mesmo. 

A primeira consulta no oftalmo 
Ainda que os resultados dos exames do seu filho estejam normais, o ideal é que ele volte ao oftalmologista antes do primeiro ano. Nessa consulta, o médico faz uma avaliação geral da visão da criança. Observa, por exemplo, se ela segue objetos e luz, detecta se tem estrabismo ou até miopia. Também dilata os olhos do bebê para identificar se há grau de óculos e ver o fundo de olho, o que pode revelar problemas como tumor e cicatriz na retina. Essa última, dependendo de onde se encontra, não traz prejuízos. Mas, se estiver na região central dos olhos, não há como recuperá-la. O que se pode fazer é estimular precocemente a visão, para que a própria criança desenvolva mecanismos de compensação. 

Olhar na escola 
Quando seu filho entrar no colégio, prepare-se para uma temporada de conjuntivites virais, já que ele vai conviver com muitas crianças em ambientes fechados. Não existe tratamento específico para essa doença. O normal é que, em poucos dias, ela vá embora espontaneamente. Enquanto isso, vale fazer compressas com água fria e utilizar colírios lubrificantes, para amenizar aquela sensação de “olho colado” da criança. 
Ainda na fase escolar, é comum o diagnóstico de estrabismo, que é genético e aparece mais frequentemente até os 4 anos de idade. Existem três tipos. O falso estrabismo acontece quando a criança tem os olhos paralelos, mas a sensação é de que não são. Nesse caso, o “problema” se resolve sozinho. O estrabismo de desvio intermitente é quando o olho “entorta” apenas de vez em quando. O tratamento é clínico e começa com um tampão (colocado no olho “normal”), a fim de incentivar o outro a se corrigir sozinho. Se isso não ocorrer, a criança deve passar por cirurgia. Já no estrabismo permanente, o único tratamento é a operação. 

Você deve voltar no oftalmo a cada dois anos e, especialmente, quando seu filho completar 6 ou 7 anos e começar a ser alfabetizado. Isso porque, nessa fase, há muitos casos de crianças consideradas hiperativas e que levam bronca na escola por mau comportamento, quando, na verdade, têm apenas dificuldade de enxergar! Os problemas mais comuns costumam ser a hipermetropia, que pode causar dor de cabeça, sensação de peso, ardor e lacrimejamento (principalmente durante a leitura de perto); o astigmatismo, quando os objetos parecem desfocados; e a miopia, que costuma dar sinal por volta dos 7 anos e obriga a criança a fazer esforço para ver de longe. Outro problema que pode acontecer é o chamado “olho preguiçoso” (ambiliopia), quando há diferença de capacidade visual entre os olhos. O tratamento é feito com o tampão, da mesma forma que no estrabismo. 

Seu filho precisa de óculos? 
Para responder a essa pergunta, repare se ele tem dificuldade para reconhecer pessoas de longe, cai toda hora ou fecha um pouco os olhos para conseguir ver. Esses podem ser indícios de que tem algum problema de visão. Outros comportamentos que podem valer uma ida ao oftalmologista são lacrimejar demais, entortar a cabeça para enxergar, bater nas portas e paredes e não conseguir perceber objetos pequenos. Aquela história de que se a criança se aproxima demais da televisão para assistir a um desenho é porque tem algum problema só é válida se ela apresentar outro sintoma entre os já citados, mas pode servir de alerta. 
Se notar algum problema e o oftalmologista confirmar a necessidade do uso dos óculos, não é o fim do mundo. Hoje já existem modelos especiais para crianças à disposição no mercado (veja mais na página a seguir). Até porque pacientes com estrabismo, que geralmente têm graus mais altos, podem iniciar a utilização dos óculos desde 4 ou 6 meses. Se o grau for baixo, provavelmente a criança só começará a usar óculos no período escolar, quando a demanda visual aumenta. 

Novo companheiro 
É definitivo: seu filho precisa de óculos. Mas, como convencê-lo a usar? Depende muito do nível de dificuldade dele. Quem tem grau elevado geralmente aceita o novo acessório facilmente, já que passa a “enxergar” só com ele no rosto. Quando o grau não é tão alto, a criança não percebe tanta diferença e, por vezes, não tem motivação para usá-lo. Independentemente do caso da sua família, um jeito de incentivar seu filho é começando pelos óculos de sol, que, dependendo do caso, também precisarão de grau! Eles são essenciais para todo mundo, desde que protejam contra os raios UVA e UVB. Sem essa proteção, melhor nem usar! Isso porque, em ambientes externos e sem óculos, a criança acaba fechando um pouco os olhos para reduzir a entrada de luz. Com as lentes escuras, isso não acontece. Outra dica é levá-lo para escolher os novos óculos. Os modelos de acetato e com armação que contorna toda a lente são os melhores para crianças. Além de mais maleáveis e resistentes, têm apoio no nariz que não incomoda tanto. Muitos contam com hastes que dão a volta ao redor da orelha, o que ajuda a posicionar no rosto. É melhor evitar lentes de contato, já que elas requerem cuidado no manuseio e na higienização, o que a maioria das crianças ainda não tem. Para ajudar você a escolher os óculos do seu filho, selecionamos as melhores opções na próxima página. Agorá é só descobrir o modelo que vai combinar direitinho com o menino dos seus olhos. 

Mais dicas para convencer seu filho a usar óculos 

=> Crie rotinas de utilização, como colocá-los logo ao acordar ou assim que entrar no carro para ir à escola e permanecer com eles por todo o dia. 

=> Evite dar bronca se a criança retirá-los. O ideal é fazer um reforço positivo, elogiando o uso e estimulando-a a colocá-los quando for iniciar atividades de que goste.

=> Mostre fotos de cantores e atores de quem a criança gosta usando óculos. 

=> Ensine a criança a guardar os óculos na caixa sempre que tirá-los do rosto. Também vale usar uma cordinha para deixá-los pendurados no pescoço.

Fonte: revista Crescer

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