quarta-feira, 27 de março de 2013

Será que meu filho é hiperativo?

Consumo de medicamento para TDAH cresce 75% em três anos no Brasil 
Crescer Online 

O consumo do medicamento metilfenidato, a substância mais utilizada no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), aumentou 75% em crianças com idade de 6 a 16 anos, entre 2009 e 2011, no Brasil. O dado foi obtido por meio de um levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e divulgado em um boletim de Farmacoepidemiologia este mês.

Para a coordenadora do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados da Anvisa Márcia Gonçalves, não é possível tirar nenhuma conclusão a partir dos números. “Há muita especulação sobre o uso indevido do metilfenidato. O que a Anvisa oferece são dados reais, que representam o consumo do país, e podem ser úteis para promover reflexões”, afirma. O metilfenidato é um estimulante presente em drogas como Ritalina e Concerta, que aumenta a concentração, diminui a hiperatividade e a impulsividade. Ele pode causar efeitos colaterais como falta de apetite, dor de cabeça e irritação gástrica e não deve ser usado em pessoas que não apresentam o distúrbio.

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O psiquiatra Paulo Germano Marmorato, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP), considera que o aumento no uso da medicação era esperado. “Em relação às estatísticas, existe um número alto de crianças e jovens no Brasil que têm TDAH e não são tratadas, é uma demanda reprimida. Com a maior divulgação de informações sobre a doença e médicos mais preparados, acaba havendo aumento”. Ele não descarta, porém, que essa porcentagem verificada pela Anvisa inclua também tratamentos inadequados e uso abusivo da droga. De fato, dados como esses, especialmente indicando aumento no consumo, sempre levantam a polêmica sobre o uso irresponsável do metilfenidato. Sabe-se que alguns médicos prescrevem medicamentos sem um diagnóstico adequado do paciente, há professores sem conhecimento apropriado alertando pais que seus filhos devem procurar tratamento para TDAH e há ainda pais que, na tentativa de melhorar o rendimento escolar das crianças, administram o remédio desnecessariamente.

Um dos fatos que mais chamam atenção no boletim é o pico de consumo durante os últimos meses letivos do ano e a brusca queda no período de férias, especialmente em 2011. Segundo Márcia, essa variação está coerente com as recomendações médicas, já que o metilfenidato deve ser utilizado nos períodos em que a criança precisa se concentrar (ou seja, durante as provas de fim de ano, o consumo é maior). Já Marmorato explica que essa recomendação de fato existe, mas cada caso é um caso. “Há crianças que precisam tomar remédio também no período das férias, porque o distúrbio não afeta apenas seu desempenho acadêmico. Outras podem parar completamente a ingestão do medicamento, até para observar se houve melhora no quadro.”
Outro dado importante do levantamento é sobre os médicos que estão receitando o metilfenidato. Nesse ponto, uma boa notícia: entre os profissionais que mais receitam estão aqueles que trabalham com assistência à criança e ao adolescente e que tratam de problemas do sistema nervoso central, como neuropediatras. E ter um atendimento especializado e qualificado em caso de TDAH é fundamental porque o diagnóstico é complexo. “Muitas vezes, temos a impressão de que é simples, mas não basta fazer um check-list dos sintomas para chegar a uma conclusão”, explica Marmorato. Isso porque os sintomas de TDAH podem levar a uma série de outros diagnósticos e podem ainda ter a ver com um momento específico da vida da criança, como estresse familiar.

O que os pais podem fazer

A faixa etária mais comum para o diagnóstico do TDAH é entre 6 e 9 anos, no início da idade escolar. A explicação é simples: a escola propõe atividades que demandam mais organização e atenção da criança. Os sintomas que não eram percebidos no ambiente familiar passam a ficar mais evidentes na sala de aula. Mas, como disse Marmorato, não há um check-list de sintomas que componham um “atestado de TDAH”.

Caso decidam procurar um médico, é importante que os pais contextualizem o máximo possível a vida da criança. Isso é, precisam contar se ela já teve problemas de bullying na escola, se a família passou por alguma situação difícil e há quanto tempo os sintomas ficaram evidentes.

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Segundo Marmorato, o parâmetro mais importante para buscar ajuda médica é sentir se o comportamento está trazendo limitações na evolução da criança. “Dificuldade escolar é um fator importante, mas a parte afetiva e social também pode ser prejudicada”.

A dica mais valiosa para os pais, no entanto, vale para quem já teve o filho diagnosticado. Usar a medicação pode ajudar muito a criança e fazer a diferença, mas acima de tudo os pais precisam ter uma postura ativa. Eles precisam estar bem orientados sobre como devem agir com a criança, seja para ajudar nas atividades escolares, seja para lidar com sua impulsividade. Além disso, em quadros mais leves de TDAH, existe a possibilidade de o tratamento ser feito sem medicação, apenas com suporte psicológico e pedagógico.

Sintomas

Confira os principais sintomas reunidos pelo boletim da Anvisa:

• Dificuldade para prestar atenção e passar muito tempo sonhando acordado

• Parece não ouvir quando se fala diretamente com ele

• Distrai-se facilmente ao fazer tarefas ou ao brincar

• Esquece as coisas

• Move-se constantemente ou é incapaz de permanecer sentado

• Inquieto

• Fala excessivamente

• Incapaz de brincar calado

• Atua e fala sem pensar

• Tem dificuldade para esperar sua vez

• Interrompe a conversa de terceiros

(É normal que em algumas ocasiões as crianças tenham dificuldades para concentrar-se e, também, problemas de comportamento. Entretanto, nas crianças com TDAH os sintomas continuam em vez de melhorar e isso pode dificultar o aprendizado. Por isso, é sempre importante procurar o pediatra do seu filho e contar a ele o maior número de detalhes possível sobre o comportamento do seu filho).


Revista crescer

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