quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Você sabe mesmo como seu filho se sente?

Segundo um estudo americano, a resposta pode ser não! A pesquisa mostrou que os pais costumam subestimar as preocupações e superestimar o otimismo de seus filhos

Thais Paiva


Você se considera um pai ou mãe coruja? Tudo bem! Afinal, não há nada mais normal no mundo do que vibrar com as conquistas dos filhos e querer contar para todo mundo quão talentosos eles são. Mas segundo um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, é preciso tomar cuidado, pois nem sempre esse entusiasmo corresponde à realidade.

A pesquisa mostrou que os pais costumam superestimar as habilidades e qualidades de seus filhos e subestimar suas dificuldades e medos. Em outras palavras, eles costumam achar que o desempenho das crianças em matemática, gramática e até mesmo o modo que as crianças encaram a vida são mais positivos do que de fato são.

"Acreditamos que essa discrepância entre imagem e realidade também pode se aplicar à forma como os pais percebem o bem-estar emocional de seus filhos", diz Kristin Lagattuta, pesquisadora líder do estudo.

Para chegar a essa conclusão, mais de 500 crianças com idades entre 4 e 11 anos responderam a um questionário avaliando suas emoções. As questões envolviam ansiedades comuns da infância, como medo do escuro ou algo de ruim acontecer a um membro da família. Posteriormente, os pais responderam às mesmas questões segundo o que eles acreditavam ser as respostas emocionais de seus filhos para aquelas situações.

Os resultados evidenciaram a diferença entre a autoimagem das crianças e a expectativa dos adultos. Os filhos deram classificações mais elevadas para suas preocupações e mais baixas para seus sentimentos de otimismo do que seus pais.

Realidade X Expectativa
“Os filhos são pedacinhos dos pais, levam nossa assinatura. Assim, é comum que queiramos sempre atenuar seus defeitos e exaltar suas qualidades, pois isso não deixa de ser um elogio ao nosso desempenho como genitores”, explica Rita Calegari, psicóloga do Hospital e Maternidade São Camilo (SP).

A profissional lembra como é difícil para qualquer pessoa admitir seus pontos fracos e que com os filhos essa dificuldade fica ainda mais exacerbada. “O problema é quando o pai ou a mãe passa a confundir a expectativa com a realidade. Isso pode ser prejudicial para o desenvolvimento da criança, porque ela não saberá lidar com críticas, fracassos, além, é claro, da pressão de ter que corresponder com as idealizações dos pais que nem sempre correspondem com o que elas são ou desejam ser”, alerta Rita.

Para a psicóloga, é essencial ensinar a criança desde pequena a ouvir críticas. “A família é um pequeno exemplo de sociedade. Ao educar, os pais precisam lembrar que um dia os filhos terão empregos, chefes e serão cobrados. Se sempre ouviram que são o máximo dentro de casa, poderão se frustrar e não se adaptar à realidade fora dela.”

Do outro lado, se pai e mãe não conseguem reconhecer os temores e dificuldades de seus filhos, não poderão ajudá-los. "Isso pode afastá-los e encurtar o diálogo, pois a criança se sentirá incompreendida dentro daquele espaço e não conseguirá se abrir", diz Camila D'Amico, coordenadora pedagógica do Colégio Graphein (SP). É fundamental estar sempre atento e aberto para ouvir o que a criança tem para dizer, sem criticá-la e não achar que tudo é “coisa de criança”.

Tudo bem fazer planos para os filhos, mas eles devem ser pensados diante das reais capacidades deles e conforme suas vontades. "Criar filhos é possibilitar que eles desenvolvam suas potencialidades e características próprias, que estejam aptos para ser aquilo que querem ser", lembra Camila.

Outro ponto que o estudo levanta é a necessidade de ouvir a criança quando um psicólogo ou qualquer outro profissional realiza uma avaliação de seu bem-estar emocional. “Como alguns estudiosos acreditam que crianças com menos de 7 anos não conseguem informar com precisão como se sentem, frequentemente as avaliações levam em consideração as impressões dos pais e de outros adultos”, diz Kristin. "Esses novos resultados sugerem que essas considerações devem ser tratadas com cautela."


Fonte: Revista Crescer

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