quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tudo bem contar “só” uma mentirinha para o seu filho?

Estudo mostra que 90% dos pais mentem, de vez em quando, para que o filho coma, tome banho, durma no horário. Mas será que esse comportamento está certo? Confira!

Bruna Menegueço


“Para ficar igual a um super-herói, você precisa comer tudo.” Confesse! Quantas vezes você precisou contar uma mentira para que seu filho raspasse o prato? Uma pesquisa feita com 2 mil pais e mães pela marca de pães britânica Warbutons, durante o lançamento de um novo modelo de pão, mostrou que 90% deles contam uma mentirinha para que as crianças façam o que querem.
São mentiras como “desligue o chuveiro ou você vai descer pelo ralo”, “temos que ir porque a praia vai fechar”, “se você não fizer a lição de casa, seu professor vai ligar aqui” ou “coma todos os legumes para se tornar um super-herói”.
A pesquisa também mostrou que as mães mentem mais que os pais. Enquanto os pais tinham cinco mentiras prontas na cabeça, elas tinham nove!
Mas será que tudo bem mentir, de vez em quando, para evitar uma discussão ou que seu filho se frustre por um motivo banal? De acordo com a psicóloga e terapeuta de família Ana Lúcia Gomes Castello, do Hospital Infantil Sabará (SP), a resposta é não.
Segundo a especialista, os pais são os principais modelos para as crianças. Se você mente, seu filho passa a acreditar que isso é comum e pode ser feito. E aí, não adianta conversar, explicar, ensinar, se o seu exemplo - que é sempre uma das melhores lições – for diferente.
Além disso, quando a mentira envolve aspectos da rotina da criança, como médico, professor, dentista, injeção, guarda, pode causar um trauma na criança, ou seja, uma visão distorcida da realidade. E, muitas vezes, esse trauma só vai aparecer anos depois.
Por isso, antes de dizer ao seu filho que se ele não se sentar na cadeirinha, o guarda vai prendê-lo, ou que se não se comportar vai tomar uma injeção, ou ainda que vai chamar o médico ou o dentista, é melhor pensar bem.
“São figuras que fazem parte da nossa sociedade e seu filho logo vai se deparar com um deles. Não podemos prever o que se passa na cabeça de uma criança. Pode ser que ela não ligue para a informação ou não deixe de pensar nisso. Nesse caso, a mentira pode causar um dano emocional, provocar dor e sofrimento, e os pais só vão descobrir isso mais tarde”, explica Ana Lúcia.
Mas, então, o que fazer, já que muitos pais usam as mentiras como ferramentas na educação? Ana Lúcia orienta a sempre falar a verdade. “Você não precisa dizer ao seu filho que se ele não sentar na cadeirinha vai ser preso, diga que você vai tomar uma multa. É verdade e sem sofrimento”, explica.

A boa e velha fantasia...
A fantasia pode ser uma aliada nessas conversas. Foi essa a forma que a nossa leitora Daniela Porto da Cunha encontrou para fazer sua filha comer bem. Ela contou a história em nosso Facebook: “Eu contava que tinha uma festa na barriga e que o arroz e a cenoura tinham que participar e o feijão também queria ir. Então, ela entrava na brincadeira e comia tudo”, disse.

Tudo bem dizer que se ele comer tudo vai ficar forte como um super-herói ou, então, que precisa tomar banho para ficar cheirosa como uma princesa. Isso não é mentira, é fantasia e a lista continua com o Papai Noel, a fada do dente, o coelho da Páscoa e assim por diante.
Por isso, na próxima vez que pensar em contar uma “mentirinha” para evitar uma conversa com seu filho, respire fundo, fale a verdade e explique. Logo, você vai perceber que o esforço vale – muito – a pena.
O mais importante é que ele confie em você e que o seu exemplo, que é a maior inspiração para ele, seja o melhor para o resto da vida.

Fonte: Revista Crescer

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