No Brasil, onda contra a vacinação não é tão forte, mas existe
Por Marcela Bourroul
Um estudo da Universidade de Cincinnati revelou que, entre 1995 e 2006, menos pais vacinaram seus filhos nos Estados Unidos. Os pesquisadores apontam que a tendência está relacionada a um estudo publicado em 1998 pelo médico Andrew Wakefield, que afirmava que algumas vacinas poderiam causar autismo.
Mesmo depois de diversas pesquisas derrubarem sua teoria e a revista Lancet, que publicou o artigo, retirá-lo de seus arquivos pela falta de comprovação dos resultados, parece que muitos pais americanos ainda não se convenceram. O novo levantamento também apontou que as mães com maiores níveis de educação tinham menor probabilidade de vacinar seus filhos em relação às mulheres com menos estudo.
Segundo o infectologista Marcelo Litvoc, do Hospital Sírio-Libanês (SP), nos Estados Unidos e na Europa a resistência à vacinação é maior, mas aqui no Brasil muitas mães também torcem o nariz para a imunização. O especialista afirma que essas pessoas geralmente tentam seguir práticas medicinais mais alternativas e, assim como no exterior, são de classes sociais mais altas. Vale destacar, no entanto, que a Associação Médica Homeopática Brasileira não é contra a vacinação.
Para Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Albert Einstein (SP), as mães que não querem vacinar os filhos costumam acreditar que a doença será importante para o desenvolvimento do sistema imunológico. Mas o efeito é exatamente o contrário: a imunização é um dos métodos mais eficientes para proteger a saúde das crianças. Isso porque muitas doenças infectocontagiosas são graves e até letais. “Outra bobagem que costuma se dizer por aí é que as vacinas contra mais de uma doença [como a de sarampo, caxumba e rubéola] sobrecarregam o organismo da criança.” Jacyr afirma que o calendário brasileiro de vacinação é bastante completo e NÃO exige vacinas em excesso.
Outro ponto importante que deve ser considerado diz respeito à saúde pública. Litvoc explica que deixar de vacinar a criança pode trazer problemas não só para ela, mas para a população inteira. “Quanto mais pessoas imunizadas para uma determinada doença, menor é a chance de o vírus circular", diz. Portanto, se você cogitou deixar alguma vacina de lado, pense nisso. Quer conferir se a carteira de vacinação do seu filho está completa? Clique aqui.
Fonte: Revista Crescer
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