Novas pesquisas mostram que a gravidez e os primeiros dois anos de uma criança são fundamentais para determinar a saúde física e mental dela para a vida toda. Descubra por que esse tempo é tão importante, quais cuidados você precisa ter e o que fazer se o seu filho já passou dessa fase
Julliane Silveira
Imunidade turbinada
A maturação do sistema de defesa do organismo só vai ocorrer por volta dos 7 anos. Isso significa que você tem um tempinho maior para ajudar seu filho a se tornar mais resistente contra as agressões externas. Saiba o que você pode fazer.
Vacinar, sim! Você deve ter ouvido falar sobre a polêmica envolvendo a vacinação infantil, em que alguns pais e até médicos norte-americanos afirmavam que as vacinas poderiam causar autismo em crianças. Esse argumento não tem fundamento algum e já foi desmentido por importantes entidades internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Vacine seu filho na data certa para dar uma força extra ao sistema imunológico. Se atrasar alguma dose, converse com o pediatra e vacine assim que possível.
Não deixe que ninguém fume perto do seu filho. Os malefícios do fumo passivo são mais que reconhecidos, e até a OMS preparou uma pesquisa para mostrar o real impacto do fumo passivo na vida dos pequenos. O levantamento, feito com 700 milhões de crianças que convivem com fumantes dentro de casa, mostrou que elas têm muito mais asma, bronquite, pneumonia, infecções de ouvido e risco de doença cardiovascular do que aqueles que estão em famílias sem fumantes. Mesmo as que não estão no ambiente na hora em que o adulto traga o cigarro correm riscos: o chamado “third hand smoke” (terceira via de fumaça, em tradução livre). Significa que as superfícies desse ambiente podem estar contaminadas com toxinas do tabaco, e crianças pequenas são mais suscetíveis porque engatinham e brincam e, tocam em tudo com as mãos e com a boca.
Você fica arrepiada de imaginar seu filho com a mão toda suja de lama? Então acalme-se, porque a sujeira pode ser boa, sim. O excesso de higiene pode aumentar o risco de a criança ter alergia. Isso porque o progresso no controle de algumas infecções com vacinas e antibióticos e o distanciamento do contato com micro-organismos nas áreas urbanas fez com que as células do sistema imunológico tenham reações exacerbadas a agentes estranhos, desencadeando reação alérgica. Para que seu filho ganhe mais imunidade, deixe-o livre para explorar o mundo à sua volta.
O que fazer depois do segundo ano
Se os primeiros mil dias são essenciais na formação de uma boa saúde física e mental, o restante do tempo será importantíssimo para a manutenção dela. Confira aqui dicas do que você deve fazer:
Se seu filho não se alimenta bem, organize os horários das refeições e combine que se ele não quiser almoçar, só vai comer de novo na hora do lanche da tarde, por exemplo.
Leve-o para livrarias e bibliotecas que possuam áreas para crianças. Isso estimula a leitura. Deixe-o mexer nos livros, pegar o que o interessar, folhear os materiais, sem pressa.
Deixe seu filho brincar à vontade para que a atividade física se torne rotina. Isso faz com que ele goste de uma vida mais ativa.
Se seu filho tem 2 anos e não está na escola, matricule-o. O contato com outras crianças vai estimulá-lo a conversar, dividir e brincar. Além disso, ele irá ganhar autonomia e aprender a se virar sozinho.
Que tal colocá-lo para aprender a tocar um instrumento? As aulas formais devem começar por volta dos 6 anos, quando ele tem coordenação motora para dominar o instrumento. Isso vai permitir que ele seja mais sensível a diferentes sons.
Fontes: Aluísio Barros, epidemiologista da Universidade Federal de Pelotas (RS); Ana Maria Escobar, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo; Ana Paula Castro, imunologista, diretora-secretária adjunta da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia); David BaRker, epidemiologista, professor de cardiologia da Universidade de Southampton (Reino Unido);João Guilherme Bezerra Alves, pediatra, coordenador do programa de pós-graduação do Instituto de Medicina Integral, em Recife, e membro do projeto Uma nova pediatria para crianças que vão viver cem anos ou mais, do Instituto da Criança do Hospital das Clinicas de São Paulo; José Simon Camelo Jr., pediatra, professor de neonatologia, nutrição e metabolismo do departamento de puericultura e pediatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP; Maurício Barbosa, pesquisador da disciplina de medicina fetal de departamento de obstetrícia da Unifesp; Mauro Muszkat, neuropediatra, coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar da Unifesp; Ricardo Halpern, presidente do Departamento Científico de Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.
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