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Os primeiros 1000 dias do seu filho = 280 dias de gravidez + 720 dias de vida.


Novas pesquisas mostram que a gravidez e os primeiros dois anos de uma criança são fundamentais para determinar a saúde física e mental dela para a vida toda. Descubra por que esse tempo é tão importante, quais cuidados você precisa ter e o que fazer se o seu filho já passou dessa fase

Julliane Silveira

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Cuidados com a alimentação
Ninguém dúvida dos benefícios do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses para mãe e bebê. E agora você tem mais um bom motivo para vencer os desafios que podem aparecer durante a amamentação: manter sob controle o peso do seu filho. Um estudo da Universidade Federal de Pelotas (RS) mostrou justamente essa conexão: as crianças que começaram a receber papinhas e outros tipos de leite antes desse período (pasme!) têm maior tendência à obesidade e aos problemas relacionados ao excesso de peso. Ou seja: mais gordura corporal ela vai acumular ao longo da vida. Confira o que mais pode ser feito:
Ofereça ferro, ômega 3 e 6 e colina. São esses quatro nutrientes que merecem destaque. O típico prato de arroz com feijão, bife e salada é um bom exemplo de combinação que, junto com o suco de laranja, favorece a absorção do ferro, evitando anemia, problema que acomete 20% das crianças brasileiras. Nos primeiros 2 anos, a doença pode causar problemas cognitivos. Por isso, a suplementação com ferro é recomendada pela SBP. Outros nutrientes importantes que todo mundo – não só as crianças – deveria consumir pelo menos três vezes na semana, e que são encontrados em peixes de água fria (como a sardinha e o salmão), são o ômega 3 e o ômega 6, essenciais para o bom desenvolvimento neurológico. A primeira oportunidade de oferecê-los é na papinha, logo que o bebê completar 6 meses. Por fim, a colina, nutriente encontrado na gema, é precursora de alguns neurotransmissores, que ajudam a enviar informações pelo cérebro. Seu filho deve consumir ovo três vezes por semana.
Se esforce para comer frutas, legumes e verduras. Quando a criança é pequena, você até consegue que ela coma alguns alimentos que você não gosta tanto. Mas, à medida que ela cresce, vai ficando mais difícil convencê-la a provar algo que você não coloca no seu prato. “Nos dois primeiros anos é que o paladar se forma e a diferença é brutal entre as famílias que comem bem e as que se alimentam com besteiras”, diz José Simon Camelo Jr., pediatra, professor do Departamento de Puericultura e Pediatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP (SP). No mundo ideal, você passaria a comer de tudo também, mas a gente sabe que pode não ser tão fácil assim, não é? Uma opção é fazer alguns preparos em que os legumes estejam misturados a outros ingredientes, como em uma torta. Se quiser comer alguma guloseima, faça isso à noite, quando seu filho estiver dormindo, ou compre e coma quando estiver fora de casa. Também leve seu filho às compras e deixe que ele escolha algumas verduras, frutas e legumes. Quem sabe ele não ajuda você a provar novos ingredientes?
Evite dar comida industrializada. Apesar de serem mais práticas no dia a dia, em geral, lasanhas ou sopas prontas, por exemplo, têm mais sódio e calorias do que se você preparasse aquela mesma receita na sua casa. Elas podem ainda favorecer um QI mais baixo aos 8 anos, como mostrou uma pesquisa feita com dados de mais de 14 mil crianças britânicas. Aquelas que receberam predominantemente comida industrializada até os 3 anos tiveram os piores resultados nos testes de QI aos 8, mesmo que a alimentação tenha melhorado ao longo do tempo. Uma dica para agilizar o preparo das refeições é deixar verduras e legumes lavados e descascados, e carnes, por exemplo, podem ser descongeladas de um dia para o outro (mas dentro da geladeira).

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