Levantamento feito pelo Instituto Alana, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, revela que mais de 60% das campanhas publicitárias veiculadas na TV entre os meses de setembro e outubro eram para menores de 12 anos
Nádia Mariano
Na tarde desta quarta-feira (30), o Instituto Alana realizou um protesto na zona sul da cidade de São Paulo para divulgar os resultados de uma nova pesquisa sobre publicidade na TV dirigida ao público infantil. Em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a organização, reconhecida pela defesa dos direitos das crianças nas relações de consumo, monitorou 15 canais de televisão entre o dia 27 de setembro e o dia 11 de outubro de 2011 para verificar a quantidade de propagandas dirigidas aos menores de 12 anos.
O resultado não é exatamente uma novidade: 64% dos comerciais veiculados nesse período, que antecedia o Dia das Crianças, eram dirigidos às crianças. Segundo a análise, a Mattel foi a empresa que mais anunciou - quase 9 mil comerciais em 15 dias. A Hasbro foi a segunda colocada, com 6 mil anúncios, e a Estrela, a terceira, com 1.700. “Precisamos alertar a população e pressionar as empresas para que elas passem a direcionar suas campanhas para os pais e não para as crianças”, diz Gabriela Vuolo, coordenadora de mobilização do Projeto Criança e Consumo.
O monitoramento dos canais de TV continuará sendo realizado pelo Observatório de Mídia: direitos humanos, políticas e sistemas da UFES até 2014, sempre nos 15 dias que antecederem o Dia das Crianças, Natal, Páscoa e em outras duas semanas que não haja qualquer data comemorativa que aumente o interesse das empresas pelo público infantil.
Falta de regulamentação
No Brasil ainda não há regulamentação para a publicidade dirigida às crianças, mas nos últimos meses projetos de lei (veja box) pela proibição da propaganda destinada ao público infantil têm levantado discussões na sociedade e deixado os pais confusos.
De um lado, há os que defendem a proibição de qualquer tipo de publicidade dirigida às crianças, seja na televisão, na internet ou nos meios impressos. A justificativa? A vulnerabilidade das crianças a esses anúncios. Do outro lado da discussão, há os que veem a proibição da propaganda como uma forma de coibir a comunicação. Enquanto esse impasse não é resolvido, oficialmente, cabe aos pais orientar os filhos.
PROPAGANDA DE ALIMENTOS
O projeto 1637/07, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), aborda a oferta, propaganda, publicidade, informação e outras práticas que divulguem e promovam alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans, sódios, e bebidas com baixo teor nutricional. Atualmente, o projeto ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados.
As proposições são as seguintes:
-obrigatoriedade de inclusão de mensagens de advertência de cunho sanitário;
-veiculação na mídia televisiva e eletrônica apenas entre 21h e 6 horas;
-proibição de informar ou sugerir, por qualquer meio, qualidades nutricionais ou benefícios à saúde que não correspondam à realidade do produto;
-proibição de concessão de brindes ou prêmios pelas empresas que comercializam esses produtos;
-proibição de veiculação durante programação infantil;
-impedimento de utilização de figuras, desenhos, personalidades e personagens que sejam admirados pelo público infantil;
-proibição de veiculação nas instituições de ensino infantil ou fundamental e em outras entidades públicas ou privadas destinadas a fornecer cuidados às crianças, bem como na produção de material educativo e em eventos de incentivo a cultura, educação ou desporto.
Fonte: revista Crescer

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