Monteiro Lobato fez muito mais pela literatura infantil do que criar personagens e histórias: ele trouxe ao Brasil contos de vários cantos porque sabia que a riqueza estava na diversidade. E na fantasia
Cristiane Rogerio
Há alguns anos, eu tive uma experiência inesquecível. Aconteceu em um encontro sobre literatura para crianças, organizado pelo Instituto C&A e a Fundação Nacional da Literatura Infantil e Juvenil. Era uma palestra da professora Marisa Lajolo, uma das grandes especialistas em Monteiro Lobato e ela mostrou à plateia uma das cartas que o escritor enviou a uma leitora sua – faz parte de um grande acervo de correspondências dele, feito na Unicamp.
O que aconteceu? Vi e li com ela a beleza da poesia de Lobato com as crianças. De como ele junta realidade e fantasia de um jeito que a gente se envolve na narrativa e não importa o que é o que. E daí que uma boneca de pano fala? E daí que um sabugo de milho é uma biblioteca ambulante? Mas, nesta carta, dá para notar que para ele brincar com isso, brincar com histórias, era o melhor meio de compartilhá-las.
Conversando com a menina na carta, ele, no meio dela, sem aviso algum, escreve: “Li sua cartinha lá no Sítio do Picapau e a Emília disse: ‘Ela que venha aqui que eu tiro a prosa dela” – e como você disse que falava alemão, Emília pôs-se a aprender alemão depressa para não fazer feio quando você vier.” E ele continua falando sobre o Sítio, como se morasse ou vivesse lá por um tempo, e convivesse com os personagens. Claro, que escritor não mora em seus livros? E o trecho que mais gosto é o final: “Bem, a prosa está boa mas já é hora de tomar um café. Já me chamaram (e com bolinhos da Tia Nastácia). Por isso, adeus. Seja muito feliz e me escreva uma carta bem comprida e asneirenta como as de Emília.” Adoro este link que ele faz com o imaginário que faz a gente sentir o cheiro dos quitutes de Tia Nastácia!
É difícil explicar o que é que Lobato tem. Arrisco dizer que ele fazia tudo com um amor, sobretudo, pelas histórias. Por isso criou esse universo que tanto amamos, e fez mais: “usou” Dona Benta para contar outras histórias, histórias que já existiam, clássicos. A Editora Globo lança agora uma outra caixa com os livros em formato 23,4 x 17,8 cm, ótimo para quem está explodindo de livros em casa. A caixinha compacta desta vez chama-se Monteiro Lobato Conta Outra Vez e vem com Histórias Diversas (R$ 149,90), Os Doze Trabalhos de Hércules, Histórias da Tia Nastácia, O Minotauro, Peter Pan, Dom Quixote das Crianças, Aventuras de Hans Staden e Fábulas. Cada livro tem um ilustrador diferente, o que também é um presente, pois nunca é demais ver Alcy Linares, Odilon Moraes, Elisabeth Teixeira, Luiz Maia e outros. Diversificar o olhar, diversificar o jeito de contar, compartilhar uma boa história, ressaltar estas pontes entre o real e o imaginário. É a gente acreditar na existência da Dona Benta e também acreditar em Peter Pan, no Minotauro. É imaginar um sítio que você pode encontrar, mas saber que aquele é especial. Este era o prazer de Lobato. Não percam a chance de embarcar nestas aventuras com ele. Se seu filho for muito pequeno, conte a história de outra forma, de pouquinho. Se for mais velho, troque com ele a vez de quem vai ler e aproveite. Aproveite muito!
Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.
Fonte: Revista Crescer
Cristiane Rogerio
Há alguns anos, eu tive uma experiência inesquecível. Aconteceu em um encontro sobre literatura para crianças, organizado pelo Instituto C&A e a Fundação Nacional da Literatura Infantil e Juvenil. Era uma palestra da professora Marisa Lajolo, uma das grandes especialistas em Monteiro Lobato e ela mostrou à plateia uma das cartas que o escritor enviou a uma leitora sua – faz parte de um grande acervo de correspondências dele, feito na Unicamp.
O que aconteceu? Vi e li com ela a beleza da poesia de Lobato com as crianças. De como ele junta realidade e fantasia de um jeito que a gente se envolve na narrativa e não importa o que é o que. E daí que uma boneca de pano fala? E daí que um sabugo de milho é uma biblioteca ambulante? Mas, nesta carta, dá para notar que para ele brincar com isso, brincar com histórias, era o melhor meio de compartilhá-las.
Conversando com a menina na carta, ele, no meio dela, sem aviso algum, escreve: “Li sua cartinha lá no Sítio do Picapau e a Emília disse: ‘Ela que venha aqui que eu tiro a prosa dela” – e como você disse que falava alemão, Emília pôs-se a aprender alemão depressa para não fazer feio quando você vier.” E ele continua falando sobre o Sítio, como se morasse ou vivesse lá por um tempo, e convivesse com os personagens. Claro, que escritor não mora em seus livros? E o trecho que mais gosto é o final: “Bem, a prosa está boa mas já é hora de tomar um café. Já me chamaram (e com bolinhos da Tia Nastácia). Por isso, adeus. Seja muito feliz e me escreva uma carta bem comprida e asneirenta como as de Emília.” Adoro este link que ele faz com o imaginário que faz a gente sentir o cheiro dos quitutes de Tia Nastácia!
É difícil explicar o que é que Lobato tem. Arrisco dizer que ele fazia tudo com um amor, sobretudo, pelas histórias. Por isso criou esse universo que tanto amamos, e fez mais: “usou” Dona Benta para contar outras histórias, histórias que já existiam, clássicos. A Editora Globo lança agora uma outra caixa com os livros em formato 23,4 x 17,8 cm, ótimo para quem está explodindo de livros em casa. A caixinha compacta desta vez chama-se Monteiro Lobato Conta Outra Vez e vem com Histórias Diversas (R$ 149,90), Os Doze Trabalhos de Hércules, Histórias da Tia Nastácia, O Minotauro, Peter Pan, Dom Quixote das Crianças, Aventuras de Hans Staden e Fábulas. Cada livro tem um ilustrador diferente, o que também é um presente, pois nunca é demais ver Alcy Linares, Odilon Moraes, Elisabeth Teixeira, Luiz Maia e outros. Diversificar o olhar, diversificar o jeito de contar, compartilhar uma boa história, ressaltar estas pontes entre o real e o imaginário. É a gente acreditar na existência da Dona Benta e também acreditar em Peter Pan, no Minotauro. É imaginar um sítio que você pode encontrar, mas saber que aquele é especial. Este era o prazer de Lobato. Não percam a chance de embarcar nestas aventuras com ele. Se seu filho for muito pequeno, conte a história de outra forma, de pouquinho. Se for mais velho, troque com ele a vez de quem vai ler e aproveite. Aproveite muito!
Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.
Fonte: Revista Crescer

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